Rajendra Gupta – As 6 galáxias impossíveis

Mês passado, o físico Rajendra Gupta da Universidade de Ottawa no Canadá apresentou uma nova teoria dobrando a idade do universo de 13 para 26 bilhões de anos, baseado em observações do Telescópio James Webb. Será que ele está certo?

O Telescópio Espacial James Webb foi projetado para astronomia no infravermelho com o propósito de investigar as galáxias mais antigas e distantes, que o Telescópio Hubble não tinha capacidade de alcançar. Viajou um milhão e meio de quilômetros até chegar ao destino e começou a enviar imagens em julho de 2022. Este ano, em fevereiro, os jornais de todo o mundo publicaram fotos borradas produzidas pelo James Webb de seis galáxias, as mais antigas já observadas, com idades de algumas centenas de milhões de anos após o início do universo.

Nenhum jornal explicou que as fotos borradas são fake-fotos. Na verdade, o olho humano não pode ver nenhuma das fotos desse telescópio, porque são fotos de infravermelho, frequência que o olho humano não enxerga. São fotos editadas no Photoshop da Nasa para que possamos ter uma ideia do alvo. Por que é assim? Ao contrário da luz visível, a luz infravermelha consegue passar pelas nuvens de poeira interestelar. Assim, é possível tentar enxergar o início dos tempos logo depois do Big-Bang.

O telescópio James Webb detectou meia dúzia de galáxias impossíveis, por serem jovens demais – idade de centenas de milhões de anos após o Big-Bang. São impossíveis também por apresentarem quantidade enorme de estrelas, quantidade parecida com a de galáxias maduras atuais, o que também contraria a teoria de formação de galáxias.

Após 6 meses de análises dos dados, uma análise confirmou as medidas para 2 das galáxias e achou erros em uma terceira, que seria bem mais velha, com mais de um bilhão de anos. No entanto, esta análise confirma a descoberta, o que gerou impacto sobre a credibilidade de duas teorias: o big-bang e a formação das galáxias.

O físico Rajendra Gupta, da Universidade de Ottawa, no Canadá, mostrou agilidade e competência após tomar conhecimento da descoberta. Em alguns meses, ele produziu um novo estudo baseado em outros que havia feito 5 anos atrás, que não chamaram a atenção, na época em ele publicou.

Eu fui atrás desses estudos de 5 anos atrás. Vou deixar o link no site do canal, onde você encontra todos os textos de todos os vídeos, acompanhados das fontes de informação.

Somente no último artigo, do mês passado, Rajenda Gupta introduziu a hipótese de que o universo poderia ter 26,7 bilhões de anos, o dobro da idade de consenso entre os cientistas, que é de 13,7 bilhões de anos. Gupta aproveitou a oportunidade e ficou famoso. Seu nome saiu nos principais jornais do mundo.

– Ah, Marco Polo como é que ele poderia saber que esses estudos que fez há 5 anos atrás iam ter utilidade agora, para chocar a ciência com a possibilidade de um universo com o dobro da idade?

Ó, física teórica e cosmologia são ciências maionese. É um ambiente diferente. Como é que a coisa funciona? Como são as regras do jogo em um tipo de ciência em que a viagem na maionese é fundamental? Presta atenção que vou explicar.

O físico faz carreira usando sua imaginação para construir algo inédito. Pode ser algo simples ou uma teoria grandiosa. Ele precisa atrair atenção de alguma forma. Precisa fazer propaganda de seu talento, de seu conhecimento, de seu cérebro, porque é isso que produz convites para empregos melhores. É a forma de subir na vida dos cientistas dessas áreas.

A idade do universo e a distância das galáxias antigas estão baseadas no desvio para o vermelho da luz que vem delas. Esse desvio, chamado efeito Doppler, significa que a luz vai esticando na sua passagem devido à expansão do espaço sideral. É como a diferença entre o som de uma ambulância se aproximando e se afastando. Se tiver interesse em entender o efeito Doppler, recomendo o vídeo do Pedro Loos, do Canal Ciência Todo Dia. Vou deixar o link no site do canal.

O que fez Rajendra Gupta para transformar 13 em 26 bilhões de anos?

Ele recorreu à teoria da luz cansada de 1929, do físico suíço Fritz Zwicky, que mexe na calibragem da medição das distâncias. A luz não fica cansada, isso é modo de dizer. Ela pode sofrer efeitos decorrentes dos obstáculos ao longo do caminho, contato com outras partículas, algo como o espalhamento Compton, ou mesmo a gravidade do universo como um todo, o efeito Mach.

Além da teoria da luz cansada, Rajendra Gupta recorreu a uma hipótese do físico Paul Dirac, de que constantes físicas fundamentais podem ter variado ao longo do tempo. Isso poderia explicar o nível avançado de desenvolvimento e a enorme massa dessas antigas galáxias. O problema desta hipótese é que, há bilhões de anos atrás, não havia ninguém para medir essas constantes.

Essas explicações alternativas são como marcas de maionese que estão fora de moda. Ofuscadas pelo efeito Doppler, que é o queridinho dos cientistas da atualidade, a maionese preferida deles.

A teoria do Big-Bang, desde que nasceu, foi aumentando as evidências a seu favor, mas nunca deixou de ter lacunas a explicar. Algumas dessas lacunas foram fechadas pela Teoria da Inflação Cósmica, que eu abordei neste vídeo que está aparecendo no quadradinho, basta clicar em cima que vai para ele. É uma das mais espetaculares viagens na maionese da ciência. Assista para conferir.

Para concluir, as observações do James Webb ainda estão longe de representar uma ameaça que requeira outra explicação para a origem do universo, diferente da explicação do Big-Bang. Será?

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!