
Estes livros são de 1960 e 1965. A versão em português é dos anos 1980. Devo ter lido ambos há uns 40 anos atrás.
George Gamow é uma lenda da ciência. Ele investigou a origem da matéria e do Universo, do átomo às galáxias, passando até pelos genes. Ocupa lugar de destaque na Galeria dos Viajantes da Maionese por seu pioneirismo na introdução de teorias fantásticas para o seu tempo, que vieram a ser de aceitação geral.
Sua entrada para a galeria da maionese justificou-se quando, em 1948, convidou Hans Bethe para assinar o seu mais importante artigo, escrito com seu aluno Ralph Alpher, sem a participação de Bethe. Intitulado “A Origem dos Elementos Químicos“, ficou conhecido como “artigo αβγ” (alpher-bethe-gamow) – as letras iniciais do alfabeto grego e do sobrenome dos signatários do artigo – uma piada bem ao estilo do bem humorado Gamow.
Neste artigo, defendeu o big-bang, sugerindo que teria deixado uma pista, um fundo de radiação de micro-ondas com uma temperatura residual de corpo negro por volta de 5 graus kelvin (-268 ºC). Em 1948, não havia meios de conferir sequer a existência da radiação de fundo cósmico, somente descoberta por acaso em 1964, quando Arno Penzias e Robert Wilson procuravam a causa de um chiado de micro-ondas em antenas sensíveis construídas para radioastronomia pelo Bell Labs (depois de esgotarem a hipótese de cocô de pombos). Em 1992, o satélite COB confirmou o valor da radiação de fundo em 2,7 K, consagrando Gamow.
O insight de Gamow que considero o mais importante para merecer lugar de destaque na Galeria da Maionese não está relacionado com a física, nem cosmologia, mas com a genética. Em 1953, ainda em pé, apoiado com um braço em sua caixa de correio, Gamow leu a Nature contendo o famoso artigo de Watson e Crick da descoberta do DNA. Ali mesmo teve o insight dos tripletos, que era a solução do problema de como os 4 aminoácidos ACGT do código genético permitem identificar os 20 tipos de aminoácidos que compõem as proteínas que o DNA manda fabricar. O insight deu origem a um artigo que publicou na Nature de fevereiro de 1954.
Seu cérebro matemático iluminou-se ao cogitar que combinações três a três dos quatro aminoácidos ACGT, poderiam ser suficientes para formar um código identificador de cada um dos vinte aminoácidos que compõem as proteínas. Essas combinações três a três produzem 64 combinações possíveis, mais do que o necessário para identificar os 20 tipos de aminoácidos integrantes das proteínas que o DNA fabrica. Tomados dois a dois não daria certo, porque permitiriam identificar 16 tipos, número insuficiente por ser menor que 20.
GEORGE GAMOW nasceu em Odessa na Ucrânia em 4 de março de 1904. Morreu em 1968. Migrou para os EUA em 1934, onde consolidou sua carreira na Universidade George Washington, em que chegou a publicar um trabalho em parceria com o físico brasileiro Mário Schenberg.
Clicando na imagem abaixo, você vai para parte de um vídeo do Canal Mais Biologia, que explica os tripletos no momento em que o ribossomo os interpretam para produzir proteínas.