Bernhard Riemann – A mente por trás da Teoria da Relatividade

Bernhard Riemann foi um gigante da matemática. Sua obra é a base de fundamentação da teoria da relatividade. Quando precisou mexer com a quarta dimensão, Einstein teve a sorte de ter um amigo matemático que lhe indicou a obra de Riemann.

Bernhard Riemann foi o pai da geometria em quatro dimensões. Por falar em pai, vamos a um teste de múltipla escolha. Qual a ocupação do pai de Riemann? Todas as opções são de pais de cientistas famosos de Göttingen, cidade alemã onde Riemann estudou e construiu sua carreira em meados do século XIX, quando a ciência engatinhava. Naqueles tempos, cientista geralmente vinha de uma família rica, que tinha o suficiente para custear os estudos. Leia as opções e tente acertar quem foi o pai de Riemann:

  1. Jurista e professor de direito nas Universidades de Munique e Kiel;
  2. Cientista que inventou instrumentos cirúrgicos de odontologia;
  3. Próspero empresário do ramo de vidros;
  4. Professor de embriologia da Universidade de Breslau;
  5. Médico, administrador de hospitais e autor de livros de medicina;
  6. Pastor luterano muito pobre de uma zona rural isolada do norte da Alemanha.

Se você chutou a última opção, acertou! Riemann nasceu na pobreza em 1826 em Breselenz, uma vila rural alemã, hoje com menos de 100 habitantes.

Ele foi o segundo filho de uma família muito pobre.  Assistiu à morte de quatro dos cinco irmãos, todos já adultos, mortes causadas provavelmente por sequelas da desnutrição na infância. Sua mãe morreu antes dele completar 20 anos e o pai antes dos 30 anos.

As opções de múltipla escolha que apresentei são de pessoas reais, pais de filhos brilhantes, que ganharam prêmios Nobel, todos eles viveram em  Göttingen, cidade que tem mais prêmios Nobel que Brasil e Argentina juntos. A Argentina tem 5, o Brasil nenhum e Göttingen tem meia dúzia. Riemann morreu em 1866, antes de existir Prêmio Nobel, que começou a ser distribuído em 1901.

Michio Kaku, o físico teórico com vários programas no Canal Discovery, dedicou o capítulo 2 de seu livro Hiperespaço a Bernhard Riemann. O que ele diz? Disse que Riemann era a pessoa mais improvável para desencadear uma revolução profunda no pensamento matemático e físico. Por que isso?

Além das sequelas da pobreza, como a saúde debilitada pela tuberculose, Riemann era patologicamente tímido, tinha pavor de falar em público. Porém, desde cedo apresentou fantástica habilidade para a matemática, possivelmente um dom. Um dom desses inexplicáveis considerando o ambiente em que ele teve origem.

Seu pai fez sacrifício e deu um jeito de enviá-lo para a Universidade de Göttingen, a 200 km de distância, universidade que naquela época ainda não era a potência que viria a ser décadas depois. Leal à sua família, Riemann chegou a se matricular em teologia, que parecia ser o caminho mais rápido para ajudar o pai, pastor luterano. A ideia era conquistar um posto remunerado como pastor para ajudar nas finanças da família.

Michio Kaku comentou essa viagem na maionese. Ele disse que seria difícil imaginar quadro mais improvável do que o tímido Riemann proferindo sermões inflamados, condenando o pecado, expulsando demônios…

Em Göttingen, o talento matemático prevaleceu. Riemann obteve permissão de seu pai para poder se dedicar inteiramente à matemática. Teve como professor orientador nada menos que Carl Friedrich Gauss, considerado um dos maiores matemáticos de todos os tempos, uma lista que também inclui Arquimedes e Newton.

Ainda segundo Michio Kaku, Gauss apreciava desafiar a matemática euclidiana, que dominava o mundo há 2.000 anos. Muito conservador, nunca publicou trabalhos sobre dimensões múltiplas, temendo a repercussão sobre sua imagem. Aí o que ele fez? Pediu a seu aluno Riemann para preparar uma apresentação oral, de maneira a testar se Riemann era capaz de desenvolver uma alternativa à geometria euclidiana.

Capaz ele era. Só não era capaz de falar em público. Riemann ficou apavorado. A apresentação seria para todos os professores da universidade. Acabou por ter um esgotamento nervoso que ele levou meses para se recuperar, mas se recuperou.

Em 1854, então com 28 anos, ele venceu suas limitações. Foi uma das mais importantes conferências públicas da história da matemática, segundo Michio Kaku. O rompimento dos limites da matemática euclidiana se espalhou rapidamente por toda a Europa. Sua palestra foi traduzida e publicada em várias línguas. Um feito que Gauss gostaria de ter sido o autor, mas lhe faltou a ousadia.

O que Riemann conseguiu? Foi nomeado “Privatdozent” (conferencista não-remunerado), que naquele tempo era o primeiro degrau da escalada acadêmica. Seus sucessos não se traduziram em dinheiro. Somente cinco anos depois, aos 33 anos, ele conseguiu algo melhor na universidade, o cargo de professor titular, ocupando o lugar que foi de Gauss. Os anos de pobreza de Riemann tinham terminado.

Ele se casou aos 35 com Elise Koch de Körchow, com quem teve uma filha e viveu muito feliz. Porém, quatro anos depois, aos 39 anos, Riemann morreu de tuberculose na Itália, na última das viagens que fez tentando fugir do clima frio e úmido da Alemanha que tanto prejuízo causava à sua saúde.

Hoje em dia temos condições de viver mais e melhor do que os reis do século XIX, graças à ciência. Nossa saúde e conforto, nossa vida moderna, é resultado do trabalho de cientistas. A maioria das grandes descobertas foi feita por homens como Riemann, homens de fibra, hoje cada vez mais raros.

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