Você tem ideia da dimensão da tragédia do coronavírus para os idosos? Viu dados sobre o extermínio de idosos pelo coronavírus? Acredito que não. A mídia só divulga o que falam para ela e o povo da área de saúde é muito ruim com números. Aqui, e só aqui neste canal, você vai encontrar uma panorâmica da tragédia do coronavírus para os idosos do Brasil e do mundo.
Na Europa, 90% das mortes ocorreram com idosos. Nos Estados Unidos foram 80%. No Brasil, no ano passado, foram 70%, mas este número caiu em 2021, enquanto houve aumento inexplicável nas mortes entre jovens. Comento essas estatísticas nacionais no post sobre o Butantan.
Os números mostram que o Brasil é um dos piores países do mundo, infelizmente, tendo o coronavírus provocado a morte de 330 mil idosos, cerca de 1,8% do total. Vou repetir, 1,8%, que é muita coisa. A média dos Estados Unidos e Europa é de 0,7%. Se estivéssemos nesta média, seriam 200 mil mortes que teriam sido evitadas.
Produzi uma tabela com um ranking mundial.
Entre os 15 piores países, há 11 da América Latina – uma tragédia de desempenho. Ocupam as 5 piores posições o Peru, Paraguai, Colômbia, Brasil e México, que perderam entre 1,5% e 2% de seus idosos com mais de 65 anos.
A tabela tem 99 países. Excluí os países com menos de 3 milhões de habitantes, menos de 10.000 casos e 900 mortes. Os critérios e demais explicações estão na planilha cujo link segue abaixo.
O líder Peru, aparece com 5%. O país fez uma revisão em junho que aumentou o número de mortes por coronavírus em 110 mil, indo de 68 mil para 180 mil. No entanto, mesmo se desconsiderar este aumento, ainda assim o Peru seria o líder com 2,1%.
Na parte de cima do Ranking, você não verá as cores azul e vermelha que usei para Ásia e Indochina, países orientais, cujas perdas de vidas foram incomparavelmente menores. Considerando o total de mortos, a China diz que foram menos de cinco mil, Japão 15 mil, Filipinas, que tem metade da população do Brasil, teve 27 mil mortos, Coréia do Sul 2 mil mortos de 50 milhões de habitantes.
Obtive o número de idosos acima de 65 anos no site Our World In Data, uma organização não governamental do Reino Unido, ligada à Universidade de Oxford. O problema para a minha abordagem é a dificuldade para obter a idade dos mortos.
Tive o cuidado de conferir os 8,6% de idosos do Brasil informados nos dados de Oxford que usei. O mesmo número foi projetado pelo IBGE em 9,8%. Se tivesse usado este último, o Brasil teria caído apenas uma posição no ranking.
Extrapolei para países vizinhos o percentual de idosos mortos que achei na internet para alguns países, como 53% na África do Sul, 60% no Brasil, 78% na Romênia, 79% nos EUA, 82% no Reino Unido e mais de 90% na Itália, França, Holanda, Coréia do Sul, Bélgica, Japão, Austrália e Canadá.
Esses números mostram que o percentual é alto nos países ricos e vai baixando à medida em que a renda piora.
RANKING POR CONTINENTE (EM MIL)

A tabela acima mostra o resultado para os 99 países aglutinado por continente. Repare a disparidade no percentual de idosos, que varia de 3,7% na África para 20,6% na União Europeia.
Esses números mostram que é bobagem usar a população total no denominador. Tem que retirar os jovens. Eu comparei idosos mortos com idosos totais. Encolhi o denominador em 30 vezes ou até mais no caso de países árabes e africanos, alguns dos quais tem menos de 3% de população idosa.
O primeiro país rico da tabela é a Bélgica (20º), seguida de EUA (25º) e Reino Unido (27º) e Itália na 29ª posição.
O ranking relativo tem sido feito comparando as mortes por coronavírus com a população total. O ranking de hoje, 22/07/2021, do Wordometers, quando ajustado para mortos por milhão, mostra o México em 22º lugar, enquanto no meu ranking está em 5º. Esse número de mortos por milhão não significa nada isoladamente, enquanto o meu número mostra de forma clara a dimensão do extermínio de idosos em cada país.
Se gostar de mexer com planilhas, a minha permite alterar as premissas de cada país ou de bloco de países, por exemplo reduzir ou aumentar os percentuais para analisar ver os resultados.
Se não extrapolar nas suas mexidas, vai ver que a triste realidade que mostro aqui não tem como ser alterada. O problema não está nos dados, mas na realidade.
Para concluir, o que estou mostrando aqui? Ora, estou mostrando que, mesmo dispondo do percentual de idosos mortos apenas para um punhado de países foi possível construir um ranking capaz de mostrar a realidade de forma bem mais efetiva do que usando as mortes por milhão divulgadas pela mídia.
Link para a planilha sem a macro CTRL Q:
https://maioneses.com/wp-content/uploads/2021/07/UPLOAD-SEM-MACRO.xlsx
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