Uma mudança radical está ocorrendo nas crenças dos cientistas sobre o mistério da vida. Eles estão abandonando a crença em Darwin, nas mutações ao acaso. Estão começando a cogitar hipóteses até então consideradas esotéricas.
Em um artigo na Scientific American de outubro de 2016, o físico inglês Paul Davies falou sobre o assunto. Quem é Paul Davies? Está com 76 anos. É um dos mais premiados nomes da física por seus livros de divulgação científica para leigos. Eu li os principais. Recomendo todos. Ele é muito bom. Um físico convencional que não é adepto de nenhuma teoria lambuzada de maionese, posso te garantir isso. Se você está interessado na origem da vida, recomendo este aqui, “O Quinto Milagre”, publicado pela Companhia das Letras.
– Ah, mas como é isso, físico trata de física, não de biologia. Não é assim. Físicos adoram os mistérios da existência humana. Vários dos principais físicos escreveram livros e artigos sobre a origem da vida.
Neste artigo na Scientific American, Paul Davies lembrou dos seus tempos de faculdade, na década de 60. Nesta época, ele revela o que se pensava sobre a origem da vida.
– “quase todos os cientistas acreditavam que estávamos sozinhos no universo. A busca por vida inteligente além da Terra parecia ridícula.”
O motivo da crença era a complexidade das imensas moléculas presentes na vida. Não só a molécula do DNA, mas também das proteínas. Nenhuma dessas moléculas existe na natureza. É o DNA que produz proteínas, mas sem proteínas o DNA não sobrevive. É uma história do tipo quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha.
Mas essa história é pinto, perto da que vou contar. A história da complexidade da vida.
Vamos começar com as proteínas, que são moléculas enormes, feitas de outras moléculas, os chamados aminoácidos, que são feitos de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre. Os 20 aminoácidos usados pela vida têm… acho que entre 13 e 25 átomos.
As menores proteínas são enormes, feitas de 50 aminoácidos, ou seja, por volta de mil átomos. No corpo humano, as maiores proteínas podem ter 30.000 aminoácidos. Sabe quantas proteínas diferentes existem no corpo humano? Umas cem mil.
Ninguém sabe quantas proteínas funcionais existem, mas o número delas, embora grande, torna-se mínimo quando comparado com o total das que podem existir. Por isso, seu surgimento por acaso é algo bem improvável mesmo considerando a seleção natural Darwin.
Se o surgimento de uma única proteína funcional, por obra do acaso, já é algo difícil de acontecer, o DNA é praticamente impossível. O DNA contém nada menos que as instruções necessárias para produzir proteínas e organizá-las para que constituam um ser vivo. Todos os cientistas reconhecem que sua complexidade é tão gigantesca que justifica a crença de que seu surgimento é um acidente único no universo.
Assim, era perfeitamente natural a crença dos cientistas dos anos 60, de que estamos sozinhos no universo, que a origem da vida é um milagre – palavras de Francis Crick, o descobridor do DNA (que acreditava em uma origem extraterrestre para a vida na Terra).
O físico inglês Fred Hoyle, aliás, Sir Fred Hoyle, um dos maiores nomes da Física do século XX, em seu livro “O Universo Inteligente”, comparou a probabilidade do surgimento AO ACASO da vida mais simples ao surgimento de um Boeing 747 montado a partir de um tornado varrendo um ferro-velho.
A frase ficou conhecida como “A Falácia de Hoyle”, que tem até verbete na Wikipedia criado por darwinistas inconformados com o uso da complexidade pelos criacionistas e religiosos para sustentar uma origem divina para a vida, cabendo esclarecer que Hoyle não tinha a menor intenção de colaborar com religiosos, ele era ateu.
Embora os argumentos dos darwinistas sejam consistentes, eles não refutam a hipótese. Apenas contribuem para reduzir o tamanho das probabilidades calculadas por Hoyle. Ou seja, a chance da vida passar a existir pelos processos darwinistas permanece sendo altamente improvável no tempo de existência seja Terra ou do Universo.
Os leigos acham que a ciência avançou muito no conhecimento do DNA. Isso não é verdade. É como se o caminho do conhecimento nesta área da origem da vida fosse do tamanho do diâmetro da Terra e a ciência teria percorrido apenas uma meia dúzia de milímetros neste caminho do conhecimento.
Em seu Artigo de 2016, o físico Paul Davies concorda. Ele diz o seguinte:
– “Estamos hoje praticamente na mesma escuridão sobre os caminhos da não vida para a vida, como estava Charles Darwin.”
– “Não conhecemos o processo que transformou uma miscelânea de elementos químicos numa célula viva, de uma complexidade incrível, é impossível calcular a probabilidade de que a vida tenha realmente surgido.”
Ele diz mais:
-“ Outro argumento comum é que o universo é tão imenso, que simplesmente tem de haver vida em algum outro lugar. Mas o que esta afirmação significa?”
Ele prossegue falando das probabilidades contrárias à formação até de uma simples molécula orgânica, acidentalmente. Se o caminho da química para a biologia for longo e complexo, é bem provável que menos de um em um trilhão de planetas consiga desenvolver vida, ele complementa. No entanto, os cientistas atuais mudaram suas crenças, passaram a acreditar no contrário.
O ateu Paul Davies fala que vários dos mais eminentes cientistas passaram a afirmar que o universo está fervilhando de vida e, pelo menos parte dela, vida inteligente. O biólogo Christian de Duve foi ainda mais além, chamando a vida de uma “necessidade cósmica”.
Essas novas afirmações de que a vida está completamente disseminada se fundamentou na hipótese de que a biologia não é o resultado de reações químicas aleatórias. Mas o produto de algum tipo de auto-organização direcional que favorece o estado de vida sobre os demais. Uma espécie de princípio da vida que age na natureza. Pode ser que esse princípio exista, mas se existir nenhuma evidência foi encontrada.
A situação guarda semelhança com a da matéria escura. Quando os físicos perceberam que a estrutura das galáxias requer mais gravidade para se manter do que a produzida pela matéria visível, eles não tiveram dúvidas de recorrer à matéria escura, algo que nenhum cientista sabe o que é.
Agora, estão começando a fazer o mesmo na biologia. Postulando a existência de algo que não sabem o que é, mas que esse algo induz à criação da vida e, também, vou repetir as palavras de Paul Davies: uma auto-organização direcional que favorece o estado de vida.