Pasquale Bacco – Uma análise de suas revelações

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Qual a revelação mais chocante de Pasquale Bacco? Para vocês provavelmente vai ser aquela sobre o dinheiro envolvido nesta indústria. Os interesses financeiros de espertalhões que ganhavam dinheiro com a viagem na maionese dos italianos negacionistas.

Para mim, que sou interessado em entender o comportamento de quem abandona a racionalidade para viajar na maionese, o que mais me impressionou foi a reação ao discurso de Pasquale Bacco por parte de seus seguidores. A reação já depois dele, pentito, arrependido, quando ele se dirigiu ao seu público para falar o contrário do que falava.

– “… quando subi ao palco pela última vez, no Circus Maximus, eu já estava em crise. Na frente de 15.000 pessoas eu falei que vacinas imunizam, que a gente não podia ficar falando o contrário. Mas as pessoas ficaram exultantes, ainda me aplaudiram, teve gente que tocou minhas pernas e chorou. Eu disse o contrário do que pensavam, eles não ouviram. Um deus falou. Bacco não pode ser um herege, que nos traiu.”

Raciocinem aqui comigo. Essa gente que cismou de acreditar numa direção, não conseguiu entender o que ouviu quando o que foi dito por Bacco era o contrário do que esperavam ouvir. Ignoraram o que Bacco falou. Continuaram o tratando como a um Deus, aplaudiram e choraram ao tocar suas pernas. Essa gente não é capaz de pensar, não é capaz de ouvir, eles agem como uma manada.

Em outro trecho da entrevista, Pasquale Bacco revela algo nessa mesma direção. A adrenalina que impera em um lugar lotado de gente, uma manada ansiosa por aplaudir todo o tipo de absurdo que você está ali para dizer.

– “Acho que aqueles de nós que subimos naqueles palcos têm alguns mortos na consciência. Temos sido grandes covardes, todos nós antivacinas. Fomos às praças e quando falávamos sabíamos que as pessoas queriam ouvir coisas fortes. Então você provoca cada vez mais. Nas vacinas tem água do esgoto, os caixões em Bérgamo estavam todos vazios, com a Covid ninguém morreu… Nós éramos uns grandes sacanas, não escondo, essa é a verdade.”

O que acho relevante nessa história é responder à pergunta: Por que as pessoas embarcavam facilmente em ideias completamente absurdas. Para essas ideias serem consistentes exigiriam o conluio de milhares a milhões de pessoas para esconder a verdade.

Vou citar algumas dessas crenças loucas:

1) complô caixões vazios – envolvendo centenas de soldados do exército italiano, que desfilou pelas ruas de Bergamo no início da pandemia com dezenas de caixões de mortos por coronavírus, escondendo da população que os caixões estariam vazios;

2) complô cloroquina – envolvendo milhões de médicos no mundo inteiro, todos os laboratórios, todas as agências de saúde dos principais países para esconder da população remédios baratos salvadores, como a cloroquina;

3) complô governos – envolvendo maquiavélicos governos, quase todos os governos, para vacinar toda a população, com uma vacina do mal, capaz de causar trombose, AVC e até introduzir chips para propósitos comunistas.

Você acha que alguém é capaz de convencer pessoas a acreditar em sandices, em teorias da conspiração como estas, que requerem a cooperação e o silêncio de centenas, milhares ou milhões? Pior ainda, convencer não por meio de pesquisas e informações confiáveis, mas através de discursos inflamados em praças públicas e vídeos de WhatsApp?

Eu acho que sim. A ciência é algo que se desenvolveu há 200 anos. Menos de 1% da população tem contato com ela, tem capacidade de entender como a ciência se expressa, como funciona, suas mazelas, os textos dos estudos. As pessoas ficam perdidas em um mar de informação. Não tem como discernir onde está a verdade.

O ser humano existe não há 200 anos, mas há 300 mil anos. Ele evoluiu escolhendo acreditar em outro ser humano que fala com ele, alguém próximo, que fala sobre coisas que estão próximas. São seres emocionais, que querem amar e odiar. Não dá para fazer nada disso com um vírus, que não conseguem nem mesmo ver.

Aterrorizado pela morte, por um inimigo invisível, tão pequeno que não pode ser visto sequer em um microscópio ótico – uma das saídas palatáveis é qual? Negar sua existência, é substituir o inimigo invisível por outro palpável, que ele conhece e tem motivos para suspeitar, como é o caso de inimigos humanos, gente dos grandes laboratórios e seus interesses lucrativos perversos. Gente de governo. Ser humano é programado para arrumar motivo para amar e odiar pessoas, não para entender a ciência.

Você pode estar pensando que a ignorância explicaria a credulidade, mas isso não é correto. O medo, o comportamento tribal de manada, de seguir grupos, ou mesmo razões emocionais que só fazem sentido para a própria pessoa, podem explicar por que o cérebro passa a ignorar seu lado racional, a lógica racional.

Pasquale Bacco se sente culpado, deseja ser perdoado, mas só pelas pessoas que acreditaram nele. Ele não quer ser perdoado pelo sistema. Pela pena de suspensão de 6 meses do exercício da profissão de médico. Ele sabe que merece esta pena. De certa forma, o arrependimento o fez agir com nobreza de novo.

Peço a você que reflita ao julgar o semelhante que está embarcado em viagem na maionese. Tenha compreensão. Não é uma doença, pode ter cura, embora tudo seja muito difícil. Não adianta tentar convencer, mostrar a verdade, apresentar fatos irrefutáveis. Evite isso. Se quiser tentar algo, faça apenas perguntas, tais como: – quais os fatos que te levaram a acreditar nisso? 

Não aceite resposta sob a forma de vídeos ou textos que eles captam nos grupos que os influenciam, aos quais estão ligados emocionalmente. Textos e vídeos iguaizinhos aos propagados por Pasquale Bacco.

Concentre-se em tentar fazer perguntas ao próprio embarcado em viagem na maionese. Isso pode fazê-lo voltar a pensar. A perceber que não tinha nada de concreto para convencer a si próprio das “verdades” que passou a propagar.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!