PT vence na Austrália e vai dobrar a população ativa em 4 anos

  • Categoria do post:Vida
  • Comentários do post:0 comentário

Em maio, na Austrália, o partido trabalhista venceu a eleição, o PT australiano. Foi eleito primeiro-ministro Anthony Albanese. Olha ele aí saltitante, indo fazer importante comunicado ao povo. Ele disse que vai transformar a Austrália em uma potência industrial, uma nova China. Quer ser concorrente direto da China e vender produtos para o mundo todo. Se a vizinha China conseguiu virar potência em 25 anos, por que a Austrália não pode?

O que tem a China que a Austrália não tem? Trabalhadores. Então, precisamos abrir as fronteiras para ter trabalhadores e virar potência igual à China. Este é o diagnóstico do partido trabalhista.

Para alcançar esse objetivo o plano é dobrar a população ativa australiana, que é de 13,6 milhões de trabalhadores. Isso mesmo. Ele é do PT, partido do trabalhador. Ele quer importar trabalhadores até dobrar o número deles em 4 anos. A Austrália é um país de imigrantes. Metade da sua população é de estrangeiros ou filhos de estrangeiros. Está acostumada com isso.

O gráfico mostra os países recordistas em imigrantes. Só Singapura ganha da Austrália, onde 30% do povo veio de fora.

Os australianos não ficaram empolgados. Na verdade, ficaram furiosos. Afinal, está difícil conseguir emprego. Se dobrar o número de pessoas em busca de trabalho, então o salário vai cair de uma forma geral. Um horror. Mal assumiu o cargo e a população já está querendo o impeachment do petista australiano.

Agora, vamos comparar a Austrália com o Brasil. Preste bastante atenção porque este vídeo traz informações que podem ser importantes para decisões envolvendo o seu futuro. Aproveite a oportunidade, porque tem coisas que você só vai ver aqui.

A Austrália tem economia que, atualmente, é do tamanho da brasileira. Olha só esses números do Banco Mundial. O PIB australiano era a metade do brasileiro em 2010, coisa de US$ 1,1 trilhão, enquanto o do Brasil era US$ 2,2 trilhões. No entanto, nos dez anos seguintes, enquanto o PIB australiano subiu um pouco, para US$ 1,5 trilhão em 2021, o PIB brasileiro caiu para US$ 1,6 trilhão – já está quase o mesmo da Austrália. Boa parte da queda foi por conta da redução do poder aquisitivo da moeda brasileira frente ao dólar. O PIB é medido em dólares. Governo fraco produz moeda fraca e isso faz o nosso PIB desvalorizar.

O Brasil não tem o problema da Austrália. Aqui o que não falta é gente. O Brasil até tentou seguir os passos da China durante o regime militar, mas em seguida retornou ao modelo russo e, desde então, vai de mal a pior. Fiz vários vídeos mostrando como é esse modelo, baseado em oligarquias e no compadrio.

Agora vamos comparar as duas situações, do Brasil e da Austrália. Quantos trabalhadores brasileiros vão entrar no mercado de trabalho nos próximos 4 anos, sem contar os imigrantes, só os nativos. Vamos ver quantos nasciam há 20 anos atrás, coisa que vai dar uma ideia de quantos estão entrando agora no mercado de trabalho. Vamos ao site do IBGE verificar essa informação.

Olha só. O gráfico só vai até 2003, quando nasceram 3,4 milhões de brasileiros. Esses nascidos lá atrás estão fazendo 20 anos agora. Então, em quatro anos, vão entrar quatro vezes 3,4 milhões, o que dá 13,6 milhões. Olha só, o mesmo número da população ativa australiana! Que coincidência!

Agora vou contar a verdade para vocês. Era fake news esse pronunciamento do primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese. Não existiu. Foi só uma viagem na maionese que inventei para chamar sua atenção para o tamanho do problema que o Brasil tem que enfrentar. O Brasil vai ganhar uma Austrália inteira de população ativa nos próximos 4 anos, tendo uma economia de tamanho igual, que não comporta tanta gente. Isso é o que eu queria enfatizar, entendeu?

No Brasil, vai ter eleição esta semana. Nenhum candidato à presidência toca neste problema. O Brasil vai ganhar uma Austrália de jovens trabalhadores no mandato do próximo presidente e ninguém está preocupado com isso.

– Ah, Marco Polo, mas você só está contando os jovens que entram na economia, não está contando os velhos que saem, os que morrem e abrem vagas no mercado de trabalho.

Sim, isso mesmo. Esta é uma conta com duas pontas. Só estou contando a ponta garantida, a que está entrando no mercado de trabalho agora. Gente que nasceu há 20 anos e agora está por aí procurando emprego. Não vão desaparecer, porque não é possível desnascer.

Já a outra ponta, dos que morrem, não é garantido que esta ponta produza vagas de emprego. Por quê? Porque vagas estão desaparecendo por conta da tecnologia e ninguém sabe quantas vagas estão sumindo.

As estatísticas mostram que o país não consegue gerar empregos suficientes para absorver a diferença entre os que 3,4 milhões que entram todo ano no mercado de trabalho e os 1,3 milhão que morrem. Seria necessário gerar 2 milhões de vagas por ano. O IBGE mostra que, no século XXI, isso só ocorreu em 2011.

Enquanto uma ponta segue produzindo mais de 3 milhões buscando emprego todos os anos, a outra ponta, a da oferta, está minguando. Isso é um problema gravíssimo, embora não seja um problema novo. O sociólogo Domenico de Masi, autor de o “Ócio Criativo” e de “O Futuro do Trabalho”, vem alertando há 20 anos que as grandes corporações europeias estão aumentando a produção com menos empregados. Demitindo e produzindo mais. Aqui no Canal fiz um vídeo sobre o que ele vem dizendo há anos, chamado “A Era da Maionese”.

O sistema econômico corre risco de entrar em colapso e todo mundo segue a vida como se nada de importante estivesse acontecendo. Por que é assim? A teoria da maionese é capaz de explicar.

O ser humano, em geral, ele não consegue lidar com o que nunca viu. Tende a fortalecer a crença de que o futuro dos seus filhos será parecido com o dele e o dos seus pais. Não percebe ou não quer perceber que o mundo do emprego está mudando em alta velocidade. O ser humano ultrapassa na contramão porque nunca morreu fazendo isso. Ele olha para a frente usando o retrovisor.

Eu sei o que você está pensando: – este Marco Polo é um tremendo pessimista. Eu queria te dizer uma coisa para você pensar:

– Todo otimista um dia vai descobrir que era um pessimista mal-informado.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!