Democracia – Insatisfação crescente de 1995 a 2020

A insatisfação da população com suas democracias foi tema alvo da Universidade de Cambridge, por meio de seu Centro para o Futuro da Democracia, que não fez pesquisa, mas uma meta-análise que analisou ao redor de 3.500 pesquisas realizadas em 154 países.

De quando eram essas pesquisas? Foram várias em cada ano, em cada país, feitas entre 1995 e 2020, com um total de 4 milhões de entrevistados, com foco em perguntas simples sobre a satisfação com a democracia. Perguntas do tipo você está satisfeito com a democracia em seu país?

Qual a conclusão? A insatisfação é crescente ao longo dos últimos anos, de forma geral nos principais países.

No vídeo anterior, mostrei uma pesquisa estática, uma fotografia de um determinado momento recente. Agora, vou mostrar como a insatisfação com a democracia está evoluindo no tempo em 154 países totalizando 2,4 bilhões de habitantes.

As pessoas em geral, incluindo especialistas em política, estão começando a acordar para a constatação de níveis perigosos de insatisfação com a democracia no mundo. Uma insatisfação que aumentou muito na última década e agora atingiu o ponto mais alto já registrado nos Estados Unidos e nas principais democracias da Europa Ocidental.

O gráfico mostra que, a partir da crise econômica de 2008 nos EUA, e de 2011 na Europa, a insatisfação, que estava ao redor de 42%, foi crescente, atingindo mais de 50% da população em 2015 e seguiu crescendo até atingir níveis recordes ao redor de 58% em 2020.

Vamos ver como foi a evolução do quadro na Europa e Estados Unidos.

No Estados Unidos, até a crise de 2008, as pesquisas revelavam que a insatisfação não preocupava, uma vez que os insatisfeitos estavam ao redor de 25% dos pesquisados. No entanto, esta taxa foi subindo até ultrapassar os 50% de insatisfeitos em 2020.

Na Europa, os índices vinham melhorando até 2008, quando os insatisfeitos representavam 35%. Tal como nos Estados Unidos, a crise impulsionou o crescimento para perto de 60% de insatisfeitos na Europa Ocidental.

Nos países cucarachos a insatisfação sempre foi elevada.

No Brasil, o patamar de insatisfação é dos mais altos do mundo, ao redor de 75%.

No entanto, caiu para menos de 50% entre 2003 e 2010, período do governo Lula. O relatório, inclusive, mostra um gráfico associando a queda na insatisfação ao governo Lula. Este é um sinal claro de que a condição econômica influenciou o resultado no Brasil, pois foi um período de prosperidade, em que havia emprego e salário crescendo. Porém, a democracia brasileira piorou muito neste período, com o escândalo político do mensalão, seguido de corrupção generalizada em grau nunca antes visto na história deste país.

Bem, vamos voltar ao trabalho de Cambridge. No início do texto do trabalho, os pesquisadores de Cambridge deram a entender que o objetivo do relatório não era explicar a causa do aumento na insatisfação. Mas ninguém aguenta a tentação de viajar na maionese, de arrumar uma explicação para tudo, nem mesmo os ingleses especialistas de Cambridge. O que eles dizem na conclusão?

A satisfação está declinando em muitas das democracias nos países mais populosos, como Estados Unidos, França, Reino Unido e Brasil, sejam as democracias maduras, sejam as emergentes. Eles dizem que a culpa não é dos pesquisados que teriam expectativas irreais sobre o sistema político. Nada disso.

A culpa é das instituições democráticas que funcionam mal, produzem resultados abaixo do suficiente para seguir tendo legitimidade. Os ingleses são elegantes, não costumam pegar duro nas palavras, mas falam que faltam coisas importantes nas democracias, como probidade no cargo e respeito ao Estado de direito. Falta respeito e moralidade aos políticos.

Dizem, por fim, que falta competência, capacidade de resposta às necessidades da população, como garantir a segurança econômica e financeira, bem como falta preocupação em elevar o nível de vida da maior parte da sociedade. Este nível de vida está em queda livre, cada vez mais no mundo todo.

No próximo vídeo sobre Democracia, pretendo mostrar os perigos que ela corre não só em países cucarachos como o Brasil, mas também nos principais países da Europa Ocidental e América do Norte.

Vou mostrar como é possível, mesmo nos dias de hoje, o triunfo de um tipo asqueroso como Hitler. Quem era Hitler quando chegou ao poder pelo voto? Ele era um ex-militar de baixo escalão, um sujeito bizarro, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido por seus discursos ferozes contra minorias, contra os comunistas, pacifistas, feministas e gays. Era contra a imprensa, a mídia e a Liga das Nações, que veio a ser a ONU, a Organização das Nações Unidas. Ele era um maníaco que acreditava em tudo que é teoria da conspiração.

Você acha que um sujeito tosco, com essas viagens na maionese, nos dias atuais, pode acabar eleito pelo voto popular?  O que você acha?

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!