Domingo, estou pedalando no centro da capital federal, Brasília, para mostrar a vocês as grades que simbolizam o clima que vivemos de Medocracia. À esquerda estão as torres gêmeas do Congresso Nacional. Essa descida vai dar direto na Praça dos Três Poderes, onde tem esse ponto de ônibus que atende aos funcionários públicos, inclusive do Supremo Tribunal Federal que você vê ao fundo.
Atrás do prédio, eles mandaram bloquear uma escada de acesso ao ponto de ônibus, um absurdo. Desci da bicicleta para mostrar a estrutura de bloqueio. É uma escada que permite vencer este desnível de uns 4 ou 5 metros. Vou usar o Google Maps para mostrar como é lá embaixo, como é importante esta escada para os funcionários que usam ônibus.
Aqui é a via S2. Este prédio enorme é o anexo do STF. Ao fundo o prédio do Congresso. À esquerda o prédio do Tribunal de Contas da União. Mais ao fundo, o Anexo IV, este prédio amarelo onde ficam os gabinetes dos deputados.
Agora vou percorrer essas grades duplas para tentar entrar na Praça dos Três Poderes e chegar mais perto do Supremo. Aqui dá para entrar, passando por estes três policiais militares que estão lá para monitorar manifestantes. Eles me disseram que tem outra equipe lá dentro, atenta a um monte de câmeras espalhadas para todos os lados.
Estou pedalando agora em direção ao Supremo, vemos turistas e grades duplas bloqueando a passagem. Não dá para chegar perto da estátua que a cabeleireira Débora Rodrigues foi presa por ter escrito algo com baton.
Agora vou conferir a segurança nos outros poderes. Guardando a entrada do Palácio do Planalto, havia apenas dois dragões da independência, uma guarda simbólica criada em 1808.
No prédio amarelo do Anexo IV, nenhum guarda. No Anexo III, a entrada principal da Câmara dos Deputados, tinha um guarda da Polícia Legislativa. Nenhuma viatura ou grupo ostensivo da polícia militar, conforme havia no Supremo.
Será que a justiça divina é que obriga esses seres supremos a viver atrás das grades? Olha, eu não vou falar mais deles. Confesso: tenho medo deles. Dou muito valor à minha liberdade e tranquilidade.
Hoje é manhã de domingo, 16 de novembro. Estou pedalando satisfeito da vida, voltando pra casa. Posso pedalar nas ruas de Brasília sem receio de ser reconhecido e tomar uma pedrada na minha careca. Tem gente que não pode.
Posso parar para tomar chopp em um barzinho cheio de gente e pagar a conta com meu cartão de crédito VISA. Tem gente que não pode.
Posso pegar avião de carreira para chegar na praia em Santa Catarina, no Nordeste ou até em Miami. Tem gente que não pode.
Nunca recebi dinheiro sujo, dinheiro de banqueiro, oriundo do maior desfalque deste século. Posso dormir com a consciência limpa. Tem gente que não pode.
Uso a minha criatividade para produzir vídeos, não para produzir provas de crimes inexistentes.