Democracia foi inventada por uns gregos há uns 2 mil e quinhentos anos atrás. Será que a viagem na maionese destes gregos produziu sistema político suficientemente bom para perdurar até o século XXI? O que você acha?
Aqui você vai saber o que acham os habitantes dos principais países sobre a sua própria democracia. Você vai ver o resultado de uma das mais importantes pesquisas sobre a democracia no mundo. Bem reveladora, inclusive capaz de explicar o que aconteceu no Brasil nas eleições de 2018 e o que pode acontecer nas eleições deste ano. Dividida em Volume 1 e Volume 2, com seus dados publicados em separado.
O autor principal da pesquisa, o francês Dominique Reynié, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, veio ao Brasil apresentar os resultados. Porém, apesar disso e da relevância das descobertas da pesquisa, quase nada saiu na mídia sobre o assunto.
A pesquisa foi realizada em 42 países. São 34 da Europa e outros 8 países relevantes, como EUA, Canadá, Brasil, Israel, Japão, Ucrânia, Austrália e Nova Zelândia. Entrevistaram mil pessoas em cada país usando a internet, on line, com 35 perguntas. Três faixas de idade, 30% entre 16 e 34 anos, 45% na faixa 35 a 60 e 25% acima de 60 anos.
Qual foi o principal resultado?
Metade dos entrevistados respondeu que a democracia funciona mal em seu país. Veja os percentuais de alguns países e grupos de países.

No Brasil os insatisfeitos com a democracia chegaram a 77%. O Brasil só foi superado pela Croácia com 81%, país da Europa Oriental, região onde a insatisfação com a democracia é bem alta, média de 65%. Já nos países desenvolvidos, a média de insatisfeitos não pode ser considerada baixa, é de 35%. Os extremos estão na Itália com 67% e Espanha com 61% de insatisfeitos. A democracia no mundo não vai bem.
O Professor Dominique Reynié demonstrou especial preocupação com as respostas dos mais jovens, os mais insatisfeitos com o sistema. Ele destacou uma pergunta que ele classificou como brutal.
– Indique se seria bom ou ruim “Ser um país liderado por uma pessoa forte que não se preocupe com o parlamento nem com as eleições”.
Ou seja, a pergunta é se acha bom ou ruim ser governado por um ditador. No geral, 31% acham bom. Porém, houve uma diferença significativa entre jovens e idosos. O percentual dos que acham ditadura coisa boa foi de 38% na faixa mais jovem e vai decaindo até 23% para os idosos. A pesquisa não verificou os motivos, porém sabe-se que os mais jovens são os mais prejudicados pelo desemprego.

No Brasil, o percentual de aceitação de ditador foi de 36%, superior à média mundial. Este percentual é suficiente para mandar para o segundo turno um defensor de governo forte. Possivelmente isso se explica por uma democracia fraca. Pela desconfiança do povo em suas principais instituições. Veja o que mostrou a pesquisa. Mais de 90% da população não confia no governo, não confia no parlamento e nem nos partidos políticos. O poder judiciário também foi mal com quase 70% de desconfiança.

Repare no gráfico da pesquisa que os militares são dignos de confiança para 70%, cabendo lembrar que a pesquisa no Brasil foi feita no período da eleição de 2018, em setembro e outubro.
Agora vamos à pergunta crucial da pesquisa para o Brasil. Que tal um país dirigido pelo exército? Nesta pergunta, o Brasil foi campeão disparado. Nenhum país chegou perto. Nada menos que 45% dos entrevistados responderam que seria bom ou muito bom ser dirigido pelo exército.

Isso só pode ser explicado por um anseio muito grande por ordem neste país tão solapado por abusos por parte dos poderosos.
A conclusão é óbvia. A eleição de um governo militar em 2018 não pode ser considerada algo surpreendente, como muitos acreditam.
O ambiente em 2018 já era bastante favorável ao surgimento de um candidato apoiado pelas Forças Armadas, como foi o caso de Bolsonaro. O anseio por ordem havia crescido o suficiente para ocorrer o que ocorreu: o uso da via eleitoral para os militares voltarem ao poder.
Em 2022, o Brasil caminha para a eleição da desordem. Uma eleição em que os dois candidatos favoritos não preenchem requisitos para ocupar cargo público. Nenhum dos dois.
O que lidera as pesquisas é ficha suja, por ter sido condenado e preso por corrupção. Em 2010, o Brasil aprovou a Lei da Ficha Limpa originada de um projeto de lei de iniciativa popular idealizado pelo juiz Márlon Reis. Ou seja, é uma lei do povo. Foi o povo que fez, com mais de um milhão e meio de assinaturas. O povo exigiu e conseguiu sua aprovação pelo Congresso. Ficha suja não pode ocupar cargo público.
O outro, o atual ocupante do cargo, ele mesmo, com suas palavras, atitudes e transtornos, produziu provas cabais de que não tem a menor condição de ocupar qualquer cargo público, muito menos o cargo de presidente da república.
É por conta disso que o Brasil é um país cucaracho. Nossas elites enxergam tudo isso, mas não reagem. O Brasil é um navio errante, um Titanic viajando em direção a um iceberg feito de maionese.
Bem, por falar em viagem, chegou a hora de apresentar para vocês uma viagem na maionese que saiu aqui da minha cabeça. Uma hipótese para ver a opinião de vocês. Afinal, o objetivo deste canal é combater as certezas e fomentar as dúvidas.
Vamos supor que os militares tenham atualizado essa pesquisa que apresentei aqui e verificado que o povo continua com uma ânsia enorme de ordem neste país. Vamos supor que os generais consigam um consenso entre eles da necessidade de dar um basta. Vamos supor que eles decidam fazer algo para corrigir os rumos do país.
Vamos supor que uma junta militar decide suspender as eleições por 2 anos e assumir o poder para recolocar o país no caminho da ordem. Eles preparam um vídeo e mostram na televisão montes de exemplos de abusos do Congresso e do Judiciário para justificar a intervenção. Vocês acham que a população vai ficar revoltada ou vai saudar com entusiasmo a intervenção militar?

Agradeço ao carioca Jayme Drummond, do Canal Carioca NoMundo, pelas imagens filmadas do B Hotel em Brasília. Ele atua há 30 anos no setor de hospitalidade como empresário, professor e consultor. https://www.youtube.com/c/CariocaNomundo