Ligado à CNA, Roberto Brant foi deputado federal constituinte por Minas Gerais e ministro da previdência. Neste canal, há outro vídeo baseado em sua coluna, de 15 de fevereiro.
Hoje, 2 de maio de 2022, Roberto Brant está fazendo 80 anos. Parabéns! Espero que Roberto Brant continue nos presenteando com artigos como este de 25 de abril de 2022, em que, do alto de sua vasta experiência política, ele faz um alerta importante:
– “Se o Brasil não mudar radicalmente a forma de eleger seus deputados, nenhum governo vai governar para os brasileiros.” … Ele completa: “Fica o aviso de quem já viu muita coisa e acha que estamos muito próximos de algo que desconhecemos.”
Ao que parece, Roberto Brant está enxergando cisnes negros nadando no Lago Paranoá. A sabedoria de muitas décadas de vida política o faz antever o que não está no campo de visão de pessoas comuns. Pessoas comuns são condicionadas a olhar para a frente com base no retrovisor, com base no que já viram. Não conseguem ver o que nunca viram.
Em seu diagnóstico, ele diz que o sistema político e eleitoral do Brasil é o mais caótico e disfuncional dentre os sistemas democráticos dos principais países. Os partidos, um monte deles, 25, não escolhem seus candidatos pela afinidade de ideias, mas pelo potencial de votos. Ele diz que a eleição para deputado é uma forma de enganar a população, porque os votos vão para os partidos. O eleitor vota em A e acaba elegendo B, que pensa o contrário de A.
O presidente, eleito com mais de 50 milhões de votos, é de um partido que não tem mais que 10% da Câmara dos Deputados. Para governar precisa cooptar até formar maioria. Começa aí o comércio parlamentar, cujas moedas são nomeações e verbas, se possível secretas.
Os temas que seriam naturais para um governo eleito, como políticas públicas, crescimento da economia, emprego, proteção social, tudo isso são palavras estranhas NESTE MERCADO SOMBRIO e, às vezes, clandestino.
Roberto Brant acrescenta que as reformas no sistema político que precisam ser feitas jamais serão propostas pelo próprio Congresso. Roberto Brant teme o dia em que o povo perceba isso e entre em desespero. Ele vê risco de colapso para a nossa frágil e recente democracia. Eu escuto Roberto Brant porque ele sabe o que diz, não é um viajante da maionese.
A minha visão da realidade atual é parecida. As pessoas ficam discutindo poças d’água, ao invés de enxergar o mar. Ficam comparando candidatos, gastando tempo à toa. Não percebem que todos os governos civis foram uma nulidade. Todos iguais. Nada fizeram para resolver os principais problemas da população. Nada fizeram para dar um basta nos oligarcas.
Vamos viajar na maionese aqui comigo. Imagine você se o Brasil tivesse governo. Se o governo fizesse funcionar saúde e educação de boa qualidade e gratuita, como em alguns países europeus, como a França. Quanto sobraria de dinheiro no bolso de famílias que pagam planos de saúde e escolas? Uma quantidade enorme de recursos para gastar com outras coisas, movimentar a economia. E se os juros fossem normais? As pessoas teriam como montar seus negócios, criar riqueza, como é natural em países desenvolvidos.
Ao invés disso, todos os governos fizeram uma coisa só: grandes negócios com o patrimônio público, muitos deles você nem ficou sabendo. Muitos deles tenebrosas transações.
Bem, deixa eu parar. Já estou começando a viajar na maionese além da conta. Preciso parar por aqui, porque daqui a pouco vai abrir o eixão; é esta avenida aqui atrás de mim, que corta Brasília e fecha para os carros aos domingos cedo e reabre às 18 horas, conhecida como eixão do lazer.
Minha intenção neste vídeo é apenas prestar uma homenagem a Roberto Brant, a quem só conheço por meio da leitura de seus artigos. Meus parabéns mais uma vez, feliz aniversário em seus 80 anos bem vividos!