Oligarcas na Petroquímica – O ex-Presidente Ernesto Geisel revela o que faria

Durante a ditadura militar, o General Ernesto Geisel foi o condutor de um plano de sucesso para que o Brasil pudesse ter uma forte indústria petroquímica genuinamente nacional. Esteja onde estiver, com certeza o General está contrariado depois de assistir à destruição deste projeto pelos governos civis. Os vídeos anteriores esclarecem um pouco dessa história, embora só um pouco de como tudo aconteceu.

Depois do fim do regime militar, as principais empresas do setor petroquímico foram, aos poucos, indo parar nas mãos de oligarcas do Grupo Odebrecht. Foram muitas as tenebrosas transações, realizadas no sistema russo, que protege oligarcas, que foram abocanhando indústrias petroquímicas favorecidos por decisões de estatais como a Petrobras, sob os olhos, digamos, complacentes de todos os governantes civis que sucederam os militares.

Hoje, devido às consequências EXTERNAS sofridas pelo envolvimento com corrupção, eu disse EXTERNAS, lá no EXTERIOR, bem como brigas internas do Clã Odebrecht, entre pai e filho, há o risco dos oligarcas venderem tudo a preços de liquidação. Vem fácil, vai fácil. A petroquímica brasileira pode acabar desnacionalizada, em mãos estrangeiras.

Vejam o tamanho das coisas. Em 2021, o braço petroquímico do Grupo Odebrecht, a Braskem,  faturou no Brasil e nas suas unidades na Europa e EUA, perto de US$ 20 bilhões. É mais do que todo o Polo Petroquímico de Camaçari, que fatura coisa de US$ 15 bilhões.

Você viu alguém alertar para a gravidade deste problema, para as consequências para a nossa nação? Duvido. As pessoas sequer sabem que, dentro do Grupo Odebrecht, o ramo petroquímico se tornou muito maior do que o ramo empreiteira.

Em 2016, no decorrer da “Operação Lava-Jato”, os oligarcas admitiram seus crimes perante a justiça americana. Admitiram ter usado uma unidade de negócios oculta, um ‘Departamento de Suborno’, que pagou propina a funcionários de governo de vários países em três continentes. Concordaram em pagar uma multa de pelo menos US$ 3,5 bilhões.

No fim do mês passado, repito, no fim do mês passado, o Departamento do Tesouro americano ofereceu recompensa de até US$ 5 milhões a quem fornecer caminhos que levem à identificação do dinheiro de destinatários de subornos da Odebrecht e da Braskem. O Departamento de Justiça americano e o FBI estão caçando o dinheiro da corrupção. O subprocurador-geral americano afirmou: “Tal transgressão descarada exige uma forte resposta da aplicação da lei…”

No sistema econômico americano a justiça é implacável. Já no modelo russo, não existe consciência da necessidade de punir exemplarmente terroristas que cometem atentados contra o sistema capitalista, conforme ocorreu na petroquímica brasileira.

O site “OAntagonista”, ao divulgar a recompensa de 5 milhões de dólares, manifestou toda a sua indignação dizendo o seguinte:

– Nos EUA, os responsáveis pela cleptocracia brasileira estariam todos presos e com seus bens confiscados, e não livres para disputar eleições e perseguir juízes, procuradores e delegados.

Agora, a Revista Crusoe alerta para o golpe final. Ao invés de perseguir e punir, como fazem os americanos, por aqui querem fazer o contrário. Anular provas da lava jato, delações de 77 executivos do grupo, 400 políticos envolvidos e mais de 8 bilhões de reais a serem devolvidos aos cofres públicos.

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A verdade é que a cleptocracia brasileira é resultante da adoção do modelo russo, que é baseado no compadrio. A elite brasileira sempre preferiu a relação pessoal. Não suporta o mundo frio das normas impessoais. Gosta de burlar ou ignorar regras e, assim, não aprecia obediência a princípios sagrados que impulsionaram todas as economias que se desenvolveram. Os oligarcas brasileiros não hesitam quando vislumbram soluções como montar cartel, corromper, sonegar, comprar leis e decisões judiciais, além de ignorar acordos e contratos.

No regime militar, os militares impunham regras que tentavam proteger o sistema contra os cartéis, os aventureiros, os irresponsáveis e os corruptos. Foi só eles saírem, que o regime civil retornou ao sistema do compadrio, o modelo russo, que parece ser a vocação da elite brasileira.

Por falar nisso, você já viu algum integrante da elite brasileira vir a público reclamar de corrupção?

Usei como exemplo o polo petroquímico porque é um setor em que há provas cabais da existência do modelo russo no Brasil, de como ele funciona.

Lá no além, o criador do projeto petroquímico brasileiro, o General Ernesto Geisel está indignado com o que se passa. Ele aproveitou a oportunidade oferecida pelo Canal do Viajante da Maionese para dizer o que faria neste momento, depois de tudo o que se passou. Vamos ouvir.

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Quando assumimos o poder em 1964, o Brasil era um fazendão. Não havia oportunidades para o povo melhorar de vida. Só tinha emprego de salário mínimo. Nós trouxemos indústrias. Adotamos fórmulas nacionalistas que foram copiadas por China e Coréia, que cresceram. Quando deixamos o poder, a indústria representava quase 30% do PIB, hoje é 11%. O Brasil está voltando a ser um fazendão.

Depois que saímos do poder, os civis sabotaram o modelo que implantamos para a petroquímica. Lutei para que nenhum oligarca pudesse ser dono da Copene. A Copene foi parar em mãos inescrupulosas. Trocaram seu nome para Braskem. Esse processo foi marcado por favorecimentos, parte dos quais confirmados pelos próprios criminosos em delações premiadas.

Houvesse generais de fibra como na minha época, a Braskem teria suas ações desapropriadas sumariamente a bem do interesse público e seria condenada a pagar pesadas multas proporcionais aos danos causados à nação brasileira. No fim, os oligarcas sairiam no prejuízo. Vão sair bilionários.

Vão permitir a venda para o estrangeiro da nossa petroquímica construída com o suor do povo brasileiro. O Brasil abandonou o lema escrito na nossa bandeira. Não tem mais ordem, nem progresso.

Meu tempo aqui terminou. Brasileiros, não se deixem enganar. Não há diferença entre esses civis que ocuparam o poder desde que saímos. Todos eles usaram o poder apenas para fazer grandes negócios em prejuízo do interesse público.

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Bem, preciso esclarecer umas coisas antes de encerrar. Durante o governo Geisel, eu era estudante universitário. Os militares foram truculentos e cometeram crimes inaceitáveis. Nunca fui a favor de ditadura, nem desse sistema oligárquico, que sucedeu o regime militar. Estamos no século XXI. Está passando da hora de o governo brasileiro ser estatizado. Estatizado, o governo precisa ser estatizado. Falo isso há mais de dez anos.

O governo precisa deixar de ser instrumento a serviço dos oligarcas, como tem sido há 50 anos. O que aconteceu com a petroquímica brasileira é de estarrecer. Episódios inacreditáveis. Se tentar explicar o que houve para um americano, eles não são capazes de entender, nem aqui, nem na China. Vão dizer que é viagem na maionese.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!