Nos anos 80, as lambanças no Brasil andavam na casa do milhão. Foram evoluindo nos anos 90 até a casa do bilhão (teve até festa para comemorar o primeiro bilhão). Na virada do século, as lambanças entraram em uma exponencial. Agora a pretensão é chegar na casa do trilhão!
Desde o início, Paulo Guedes só fala em trilhão. Ele continua atrás de fazer grandes negócios, só que agora em outro patamar, ele quer entrar na casa do trilhão. Começou querendo arranjar um trilhão em 20 anos com a reforma da previdência. Fez a reforma, mas a meta não foi atingida.
Depois, ele enxergou trilhão no valor dos imóveis federais registrados na contabilidade pública. De fato, tem mais de um trilhão registrado. Ele queria vender tudo, mas descobriu que não podia. Eram quartéis, universidades, parques públicos e aeroportos. Só vendeu os aeroportos.
Voltou à carga com a mesma conversa de todos os seus antecessores, a mesma intenção de fazer grandes negócios por meio de uma lambança que eles chamam de privatização. Fez alguns negócios, mas faltou apoio para prosseguir nesta modalidade de lambança.
Ao final de 2021, após 3 anos de governo, ele finalmente conseguiu atingir a meta de 1 trilhão. Este foi o valor dos juros da dívida pública pagos aos bancos e aos rentistas, conforme artigo do economista Paulo Kliass. Segundo o artigo, o valor dos juros pagos de R$ 1,1 trilhão foi superior aos 700 bilhões gastos com saúde e educação no mesmo período.
Ao contrário de Europa e América do Norte, que passaram a praticar juros próximos de zero, Paulo Guedes adora juros. Gosta de pagar e de receber também.
– Ah, Marco Polo, mas ele está pagando juros com dinheiro público…
Eu sei. Foi por conta de coisas assim que escrevi um artigo em OGLOBO em 2011, cujo título era “É preciso estatizar o governo”. O governo foi privatizado faz tempo, só não contaram para você. Virou um balcão de negócios, grandes negócios. Ninguém está a fim de trabalhar, de governar. E quando o governante da hora resolve fazer alguma coisa para se reeleger não encontra uma máquina pública em condições de fazer, pois a administração foi arrasada por décadas de ambiente corrupto que deram fim na meritocracia.
Escrevi esse artigo 3 anos antes da Lava-Jato, horrorizado com o tamanho dos escândalos que viraram rotina. Uma parte, só uma parte, foi revelada pela Operação Lava-Jato e confirmada em delações premiadas pelos beneficiários das lambanças, mas ficou por aí. Nada aconteceu. Não houve punições exemplares, tal como se espera de um país cucaracho.
Enquanto isso, em 25 anos, a China deixou de ser um país miserável. Tinha nada menos que 700 milhões de miseráveis. Hoje tem menos miseráveis que o Brasil. Tornou-se a segunda economia do planeta. Já o nosso continente prosseguiu do mesmo jeito, com uma participação marginal no PIB Global. E bota marginal nisso.
É isso que vou mostrar agora, por meio de um trabalho gráfico primoroso. É uma bola de futebol em que os gomos foram divididos proporcionalmente ao PIB de cada país, de cada continente. Os US$ 94 trilhões do PIB mundial foram divididos nesses gomos, sendo possível ver claramente o tamanho econômico da América do Sul.
Hoje o Brasil representa 1/10 da China, cabendo observar que nosso PIB era maior que o deles em 1995. Segundo esses dados, que são do FMI, nosso PIB representa 1,7% do PIB mundial, mas era bem maior em 1995, 2,5%. Não estamos indo bem.
Este canal tem vídeos expondo viagem na maionese em que revelo o motivo provável do sucesso de China e Japão, em contraposição a países cucarachos, como os da América do Sul, que não conseguem progredir. Aqui, a única indústria que cresce de forma exponencial é a indústria da lambança, além, claro, da máquina arrecadatória de juros pelos bancos.