O Maionese Repórter traz uma série de vídeos sobre o Cazaquistão, o maior e mais desenvolvido país da Ásia Central, onde foi construída Astana, uma cidade planejada para ser a capital do país, imitando Brasília. Você vai conhecer a história recente do Cazaquistão bem parecida com a do Brasilistão – países muito distantes que há 30 anos usam o mesmo modelo econômico: o modelo russo. Você vai saber como é o modelo russo, um modelo baseado no compadrio do governo com oligarcas. Você vai conhecer Tokayev, o presidente intelectual que se voltou contra este modelo que escraviza o povo cazaque.
Muitos reis preferem adotar o modelo russo de governo por tornar tudo mais fácil. Ao assumir o poder, o rei tem que optar entre duas formas de governar. A primeira é combater os oligopólios que exploram a população com preços abusivos e favorecimentos fiscais, coisas que dependem do consentimento do poder central. O rei pode dar um basta nisso. Pode adotar medidas para abrir o mercado para concorrentes. Pode editar decretos acabando com a farra fiscal.
Só que, fazer isso, significa entrar em guerra contra as principais forças econômicas do país, que detestam concorrência e detestam pagar impostos.
A segunda possibilidade é se aliar a essas forças. Se quiser ficar muito rico, o rei nem precisa roubar, basta aceitar receber contribuições generosas em troca de deixar os oligopólios em paz. Nem precisa pedir suborno, porque eles se adiantam e oferecem de bom grado.
Conhecendo a natureza humana, a natureza ególatra do ser humano, qual das duas possibilidades você acha que é mais provável de acontecer?
Veja bem, nenhum país progride sem combater os oligopólios. Por quê? Porque eles sugam tudo para eles. Quando você paga suas contas de água/esgoto, luz, gás, telefone, banda larga, juros, gasolina ou quando precisa de cimento, plástico, remédio e muitas outros produtos, você paga um sobrepreço por conta de não haver concorrência, tipo um imposto privado, que vai para o bolso sabe de quem? Dos oligarcas que controlam os oligopólios.
Além de beneficiados por favorecimentos fiscais que drenam a arrecadação de impostos do país, esses oligarcas aplicam seus lucros no exterior, drenando mais recursos ainda. Recursos que deixam de ser investidos no país, o que mata o futuro do país.
Enquanto Cazaquistão ficou 30 anos sob o domínio de um rei ególatra, o Brasilistão teve três reis ególatras FHC, Lula e Bolsonaro. Do ponto de vista econômico, não faz a menor diferença para o país os reis que largam para lá os oligarcas, deixaram intocados os privilégios dos oligarcas.
Mas… surgiu uma esperança. Aonde? No Cazaquistão. Já com 83 anos, com a aproximação da morte, o ditador ególatra do Cazaquistão transferiu o poder para um intelectual, Tokayev, que deu uma guinada que surpreendeu a todos. Ele deu declarações públicas de quem está disposto a dar fim no modelo russo. Parece que ele deseja libertar o país dos oligarcas. Nos próximos vídeos o Maionese Repórter vai mostrar o que o Cazaquistão tem a ensinar ao Brasilistão, para evitar que afunde de vez. Você vai captar a diferença que é ter no poder alguém com estudo, que aprecia princípios e pensa no futuro, não no próprio, mas no futuro do país.
Para começar, para você ter uma ideia do que é o Cazaquistão, vou resumir em dois minutos uma reportagem de uma hora da Agência Brasil sobre o Cazaquistão, um trabalho surpreendente, muito bom, embora de 5 anos atrás. O link para o vídeo completo você encontra no site deste canal.
Nos próximos episódios, vídeos, o Maionese Repórter vai mostrar como é a vida no mais isolado dos grandes países – vou mostrar a passagem do trono do ditador para o corajoso Tokayev.
Mas não vou falar só de política e economia. O Cazaquistão não é um país atrasado como seus vizinhos. Tem muita coisa interessante, a começar por um cazaque que encanta o mundo, por ser o dono da melhor voz de todos os tempos. Você vai conhecer, também, a tenista cazaque que teve a ousadia de vencer em Wimbledon ano passado.
Vou deixar para o último episódio desta série uma ideia luminosa do Cazaquistão que pode ser usada pelo Brasilistão dar fim na polarização da eleição. Se livrar de vez desses candidatos populistas, que acabam eleitos mesmo rejeitados pela maioria da população. Você vai ver como é que resolve isso aprimorando as regras da democracia, sem precisar invadir prédios públicos.