A China começou sua decolagem há apenas 25 anos, quando era um país de maioria miserável. Em 1994, o Brasil tinha PIB equivalente ao da China, mas população 7 vezes menor. As exportações chinesas eram pouca coisa superior e hoje são 10 vezes maiores. Como foi feito este milagre?
De alguma forma, o sistema político chinês solucionou um problema típico das democracias ocidentais: o baixo nível dos ocupantes dos principais cargos públicos.
De 1993 pra cá, a China teve 3 comandantes, todos engenheiros. Os dois primeiros engenheiros elétricos e o atual, que assumiu em 2013, é engenheiro químico formado em Pequim, na mesma universidade de seu antecessor. O que faziam antes esses 3 comandantes?
Nenhum era político, nem parente de político. Jiang Zemin trabalhou em várias fábricas como engenheiro e chefiou institutos de pesquisa tecnológica em várias partes da China. Hu Jintao trabalhou para o ministério de água e energia na construção de Três Gargantas, a maior hidrelétrica do mundo. O atual Xi Jinping, depois de formado em 1979, trabalhou por três anos como secretário do ministro da defesa.
No mesmo período, de 1993 pra cá, o Brasil também teve 3 comandantes eleitos. O primeiro era político profissional, filho de político (FHC), o seguinte (Lula) também era político profissional e mandou no país por 3 mandatos e meio. O atual (Bolsonaro), também atuava há 28 anos como político e seus três filhos também são políticos.
Assim, já vemos uma diferença importante. China presidida por técnicos, engenheiros, Brasil sob o domínio de políticos profissionais. Claro que presidente é importante, mas sozinho não faz milagre. Tem o parlamento, que também manda, e tem o resto da administração pública.
Na China, de 1990 pra cá, a maioria dos líderes políticos é de cientistas e engenheiros. Se for para comparar, nem vou falar do Brasil. Nos EUA, se pedir a algum americano para dizer o nome de cientista ou engenheiro ocupando cargo importante, ele não vai se lembrar de nenhum nome.
Em nenhum lugar do mundo você vê tanta admiração e respeito do povo por seus cientistas e engenheiros como na China. Os chineses preferem eleger e nomear pessoas com formação científica ou de engenharia. Eles ocupam 80% dos principais postos no governo.
De onde estou tirando essas informações tão difíceis de obter? Na internet, achei um documento cujo preço baixou de 45 para 25 dólares, assinado pelos professores americanos Li Cheng e Lynn White, intitulado “Transformação da Elite e Mudança Moderna na China Continental e Taiwan: Dados Empíricos e a Teoria da Tecnocracia”.
Com este título pomposo e enorme, o documento descreve a dominação da política chinesa por cientistas e engenheiros, os quais também são encontrados em todos os níveis do governo chinês.
O estudo mostra que membros do Comitê Central, prefeitos e secretários do Partido em cidades com mais de um milhão de habitantes, governadores e secretários provinciais são 80% compostos por profissionais com diploma em ciências ou engenharia. A tecnocracia está enraizada na cultura política da China.
O segredo da China é trivial: gente inteligente no comando. Gente inteligente sabe o valor da ciência, da pesquisa científica, da organização e estabilidade das regras. Vou falar dessas regras em um futuro post. Antecipo que, pelos pontos estruturais dessas regras, os chineses aprenderam a separar o que havia de bom e de ruim no capitalismo e no comunismo. Com isso, se tornaram imbatíveis.
Para saber mais:
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49877017
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49877815
https://gineersnow.com/leadership/chinese-government-dominated-scientists-engineers
https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD?end=2020&locations=BR-CN&start=1994&view=chart
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