8 bilhões de habitantes é muito?

  • Categoria do post:Vida
  • Comentários do post:0 comentário

População mundial atingiu 7,8 bilhões no final de 2021, com aumento de 1%. É muito? Pouco? Seria uma quantidade absurda o total de humanos? E o 1% de crescimento é muito? Pouco? Aqui você vai obter respostas.

Este vídeo do Museu Americano de História Natural mostra a evolução da população humana desde 100.000 a.c. No início, a linha com a quantidade de gente fica perto de zero, porque a população não crescia. Cada pontinho amarelo que vai aparecer mais adiante no mapa, representa um milhão de habitantes.

Até 10 mil a.c., não tem pontinhos amarelos, porque a quantidade de humanos era menor que 1 milhão. Daí em diante, com o surgimento da agricultura, a população reuniu condições de crescer e se aglomerar.  No ano um, atingiu 170 milhões, são 170 pontinhos amarelos que aparecem no mapa. Quase todos estão localizados na Europa, Índia e China.

No ano 1000, população chegou a 250 milhões. Em 1500, quando o Brasil foi descoberto, alcançou a 420 milhões. Em 1800, chegou a 1 bilhão e disparou para quase 8 bilhões em apenas 200 anos, graças aos avanços da medicina e da ciência.

Anos atrás, durante uma viagem de avião, um colega que estava na janela olhou para baixo, viu muita área rural desabitada e comentou comigo que o planeta ainda tinha muito espaço a ser ocupado por seres humanos. Ouvi e preferi não falar nada. Em geral, as pessoas subestimam a dimensão do impacto causado pela raça humana no planeta. Por conta disso, resolvi produzir este vídeo para responder à pergunta se 8 bilhões é muito e se 1% de crescimento anual é muito.

Vou começar falando de um famoso economista que, em 1798, alertou a humanidade para a gravidade do problema da explosão demográfica. O aristocrata inglês Thomas Robert Malthus vivia em uma ilha, a Inglaterra. Ele demonstrou a necessidade de controle da procriação humana para evitar a miséria e a fome. Afinal, ele vivia em uma ilha. Hoje temos consciência que o planeta Terra também é uma ilha. Entupir a ilha de gente não é algo racional.

Isso é uma coisa bem óbvia, mas o ser humano não consegue entender. Após os alertas de Malthus, a população humana pisou no acelerador e saltou de 1 para quase 8 bilhões de viajantes da maionese. Os alertas foram ignorados.

A frase de Malthus que acabou ganhando fama foi:

– a população cresce em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos cresce em progressão aritmética.

Por conta desta frase, dizem que Malthus errou. Suas previsões teriam falhado, só porque a população inglesa continuou crescendo em progressão geométrica e ainda assim não morreu de fome. Quando ouço algo assim, também prefiro permanecer em silêncio.

Basta um número para comprovar que Malthus estava certo. Se, desde o ano zero, a população tivesse crescido à taxa de 1% ao ano, os mesmos 1% que cresceu ano passado, sabe quantos seríamos no momento atual? A população estaria na casa do quatrilhão. É um número tão grande que, para entender, precisa ser expresso em termos relativos. Dividindo o planeta em quadrados de um metro, daria mais de cem pessoas espremidas em cada metro, inclusive sobre os mares.

Hoje, a taxa de crescimento da população brasileira é pouco inferior a 1% ao ano, mas já foi o triplo nos anos 60, o suficiente para dobrar a população a cada 25 anos. Um horror. Malthus tinha plena noção do tamanho do problema da explosão demográfica.

Para obter uma panorâmica da real dimensão da população humana atual, vamos recuar no tempo até 100.000 anos atrás, antes da interferência humana complicar o meio ambiente. Vou usar dados de Our World In Data (Nosso Mundo em Dados) uma publicação digital da Universidade de Oxford. Eles estimaram que a biomassa dos mamíferos terrestres selvagens era de 20 milhões de toneladas de carbono. Não sei por que complicaram a medida, usando o carbono, que representa 15% do nosso peso. Seria mais simples ter usado o peso real dos animais. Mas isso não altera as conclusões que é possível chegar.

Essas 20 milhões de toneladas de vida selvagem que existiam há 100 mil anos se transformaram em apenas 3 milhões nos tempos atuais. Uma queda violenta.

Desconfia-se que o estrago foi produzido pelo homem. Vamos olhar o que aconteceu com a megafauna de mamíferos e marsupiais. Oxford considerou megafauna os animais com peso acima de 44 kg. Nos últimos 50 mil anos, o desastre foi maior na Austrália, que perdeu 14 de seus 16 animais. Na América do Sul a extinção atingiu 34 de 47 espécies. Na América do Norte, foram 50 de 60 espécies, que desapareceram.

Quanto da vida selvagem representa a biomassa de humanos e dos animais que ele cria para comer? Agora é que você vai começar a ter a real dimensão do significado dos quase 8 bilhões de seres humanos que estão por aí, vagando pelo planeta, viajando na maionese, levando vírus para aqui e para ali.

Os 20 milhões de carbono que havia há 100.000 anos atrás são essa barrinha à esquerda, que representa toda a vida selvagem. À direita estão os 3 milhões hoje restantes, esmagados por 60 milhões de toneladas de humanos e mais 100 milhões de toneladas de gado usado como alimento pelo homem.

Restaram na indefesa natureza só 3 milhões de toneladas de bichos ainda não eliminados pelo homem, que é responsável pelo surgimento de 100 milhões de toneladas de gado que não existiam. Os mamíferos domésticos se tornaram mais de 30 vezes a massa de mamíferos selvagens. A natureza sofreu muito com tamanhas alterações.

Para empatar em peso com a vida selvagem, a humanidade teria que ser reduzida em 93%. Ou seja, teríamos que ser reduzidos de 8 bilhões para 500 milhões de habitantes e ainda assim seríamos uma superpopulação, um desequilíbrio natural.

Infelizmente, a visão do viajante da maionese é uma visão egoísta. Só alcança o decurso de uma vida, a da sua própria. O que vai acontecer depois não é problema dele. E quem pensa diferente é classificado como pessimista.

Há 50 anos atrás, o  desastre da superpopulação estava presente na mídia e era alvo de enorme preocupação dos cientistas, tal como ocorre hoje com o meio-ambiente. Embora esses dois problemas estejam interligados, o tema superpopulação foi esquecido e abandonado. Uma pena, porque é impossível resolver um problema sem resolver o outro.

Bem, para concluir, vamos à resposta à pergunta original: 8 bilhões de habitantes é número excessivo, insuportável para um planeta do tamanho da Terra. E os atuais 1% ao ano de crescimento da população é um desastre insustentável a longo prazo.

– Ah, Marco Polo, mas qual é a solução?

– Olha, antes de tudo, seria necessário que as pessoas soubessem o tamanho do problema. Não sabem. Continuam seguindo em frente, fazendo planos, tendo como paradigma a vida dos pais e avós, imitando, viajando na maionese, como se nada estivesse acontecendo, ignorando a violenta mudança do planeta, que já está em andamento.  

– Um sinal claro de que a humanidade não se deu conta ainda, é o papo dos economistas falando na TV da importância de crescer, crescer, de mais crescimento do PIB. O único deles que entendeu que não é por aí foi quem? Malthus, Thomas Robert Malthus, o único que anteviu o que iria acontecer 200 anos depois.

No vídeo, mostro cenas do filme “Soylent Green” de 1973 estrelado por Charlton Heston , Leigh Taylor-Young e Edward G. Robinson em seu último papel no cinema. O filme é uma antevisão do futuro, 50 anos adiante, sabe quando??? Em 2022!!!! Ambientado em uma Nova York com 40 milhões de habitantes (hoje tem quase 20 milhões).

O filme combina os gêneros policial e ficção científica. A investigação do assassinato de um rico empresário em um futuro distópico, de oceanos moribundos e efeito estufa, resultando em poluição, miséria, superpopulação, eutanásia e recursos esgotados. Em 1973, ganhou o Prêmio Nebula de Melhor Apresentação Dramática e o Prêmio Saturno de Melhor Filme de Ficção Científica.

“Soylent Green” é um biscoito anunciado como sendo feito de plâncton oceânico.  Como resultado dos gargalos de distribuição, as massas famintas se revoltam e são brutalmente removidas das ruas por meio de “Scoops” – veículos policiais de controle de multidões que literalmente recolhem os manifestantes da rua com grandes pás hidráulicas.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!