Pasquale Bacco é o médico italiano, arrependido. Aos 50 anos, ele se tornou negacionista da pior espécie até que um dia aconteceu uma morte. A morte às vezes tem o poder de trazer de volta a razão. Bacco se tornou um dos principais líderes do movimento antivacina da Itália até assistir à morte por coronavírus de um fã de 29 anos, que não se vacinou.
Sentindo-se culpado, Pasquale Bacco não suportou e decidiu contar toda a história, assim como os bastidores do ambiente negacionista.
Como tudo começou? No início da pandemia, quando o vírus chegou na Europa, começou seu estrago pela Itália, matando 500 pessoas por dia. Pasquale Bacco dizia que o covid não tinha matado ninguém, que estavam vazios os caixões nos caminhões que o exército enviou para auxiliar a cidade de Bérgamo. Esses caminhões transitando nas ruas chamaram a atenção do mundo todo. Vamos assistir.
Com um discurso dessa natureza, cuja verdade dependia do conluio de centenas de militares, era para alguém ter chamado o hospital psiquiátrico para internar Pasquale Bacco em camisa de força. Você não concorda comigo? Por que será que, ao invés de internado, ele era ovacionado, aclamado pelo povo?
Será que o componente medo, o pavor da morte, embota o cérebro humano, atiça a crença em viagens na maionese? Pasquale Bacco ia para praças públicas onde passou a propagar ideias negacionista cada vez menos críveis, mesmo assim era aplaudido.
O crescimento do negacionismo na Itália transformou Pasquale Bacco em uma figura pública de interesse político. Seu palco se deslocou das ruas para a Câmera dos Deputados, onde, em outubro de 2020, ele disse que nunca haveria uma segunda onda porque já teria ocorrido imunidade de rebanho.
Eu peço sua atenção para reparar bem como ele fala, sua entonação, sua segurança, a credibilidade que ele transmite mesmo falando asneiras. Ele é capaz de enganar com facilidade. Veja como ele parece transformar absurdos nas mais cristalinas verdades.
Primeira mentira: defesa de remédios que não funcionam:
– Eliminamos completamente os medicamentos que hoje levam a uma recuperação imediata. Como a heparina, os anti-inflamatórios, a hidroxicloroquina, que foi demonizada por uma revista médica que tinha reputação, mas que também a perdeu: The Lancet
Segunda mentira: ataque a seus colegas médicos que teriam matado pessoas armados de oxigênio puro:
– Nós tratamos com o contrário, demos ventilação profunda. Eu não sei se vocês entendem exatamente o que é a ventilação profunda. Queimamos os pulmões, porque o oxigênio que introduzimos no aparelho respiratório é a causa da trombose pulmonar que tinham. Não podiam utilizar. Ou seja, este oxigênio nem sequer podia ser utilizado. Era oxigênio puro. O verbo correto é disparar. Disparamos oxigênio nos pulmões. Nós os queimamos. Matamos as pessoas. Nisso tudo, os médicos, também meus colegas, se converteram em um instrumento da morte. Em comparação, o pior filme de terror seria como um filme infantil.
Terceira mentira: ineficácia do distanciamento social:
– E quanto ao terrorismo, o confinamento e todas as mentiras… Colegas suecos riram de nós. E com razão, porque lhes dizemos que como não fizeram confinamento teriam mais mortos, mas isso é mentira! Uma mentira mundial.
Quarta mentira: complô dos meios de comunicação vendidos:
– Propaganda de meios de comunicação vendidos. Nós somos valentes quando decidimos pela verdade. Não devemos ter medo. O terrorismo continua agora.
Quinta mentira: Não existe transmissão de vírus por assintomáticos:
– No princípio, brincavam com o vírus, a pneumonia, e todas essas mentiras. Agora brincam com a mentira dos doentes assintomáticos. Quando a medicina nos diz que um doente tem sintomas. Não existe doente que não tenha sintomas. Se eu não tenho sintomas, que categoria de enfermo sou eu?
Agora que você conheceu bem a história da fase negacionista de Pasquale Bacco, vamos ver no próximo vídeo não apenas seu retorno ao normal, mas muito mais importante, o que havia por trás da indústria do negacionismo. A política, o dinheiro, a vaidade de ser capaz de incitar as massas na direção que você deseja.
04/03/2022: Entrevista de Pasquale Bacco à OGLOBO: