II – Metas de Inflação – Tem como saber se funciona esse tratamento precoce de subir juros?

Este vídeo é o segundo da série sobre Metas de Inflação. Vou apresentar trechos da entrevista do economista Samuel Pessoa ao jornalista Fernando Mitre no programa Canal Livre da Rede Bandeirantes de 08/11/2021.

A política de Metas de Inflação que vem sendo aplicada no Brasil consiste em ir subindo os juros aos poucos, com reajustes periódicos ao longo de muitos meses. É natural haver dúvida sobre quando isso começa a surtir efeito. Será que alguém sabe? Vamos ouvir o que disse o economista Delfim Netto sobre o tempo que leva esse tratamento para fazer efeito e a reação de Samuel Pessoa.

Samuel Pessoa não contesta Delfim Netto sobre o prazo de pelo menos um ano para, talvez, começar a aparecer o efeito do juro alto. Secamente, ele assegura que não há outra alternativa e em seguida muda de assunto para contar a história da origem do sistema de metas de inflação, coisa que vamos ver no vídeo 4. Ao que parece, o tratamento precoce é um remédio tipo homeopatia, cujo natural é ir tomando, tomando e nunca sabe ao certo se e quando fará efeito.

No futuro, se a inflação cair, como vamos saber se foi por causa do tratamento precoce? Teria como saber? Vou mostrar a dificuldade que é prever a inflação, que ele achava que este ano seria de 3,5% e não 10%. Revelando uma sadia humildade, ele admite que se trata de um erro imenso cometido por ele e pela torcida do Flamengo.

Se a inflação é difícil de prever por conta de ser resultado de uma grande quantidade de fatores, então, no futuro, se ela cair, como é que vai ser possível verificar se a causa foi o tratamento precoce? Mesmo assim ele acredita na necessidade de subir o juro para 12% para evitar que a inflação chegue a 7% em 2022. Subiu inflação, tem que subir juro. Será que não há outra alternativa?

A inflação subiu no mundo todo, não foi só no Brasil. Se o tratamento precoce de subir juros é mesmo a única alternativa, quantos países ricos fizeram o que o Brasil está fazendo? Essa é uma pergunta que os jornalistas poderiam ter feito ao Samuel Pessoa, mas não fizeram.

No ano da pandemia de 2020, a inflação nos países ricos ficou em -3% na média, ou seja, houve deflação. Em 2021, disparou e vai ser a maior em 13 anos. As projeções indicam que deve ficar entre 5 e 6%. Todos os países foram afetados por esses choques de preços. Quantos seguiram essa máxima do Samuel Pessoa de que “subiu inflação, tem que subir juro”. Sabe quantos? Nenhum.

Na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que não vai subir juros nem mesmo no ano que vem. Nos EUA o juro subiu pela segunda vez este ano, mas só uma molécula, coisa de 0,25%.

Ninguém quis cloroquina, só o Brasil. Isso não é minha opinião, isso é um fato. No próximo vídeo, o vídeo 3, vou mostrar quem se dá bem com essa cloroquina.

Links para a entrevista do Samuel Pessoa ao Canal Livre. O tema “subida dos juros” está concentrado em 10 minutos na parte 1, do minuto 29 ao 40:

– parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=-4f4u8dkQwI

– parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=SUy_xLG3zQ8

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