II – Coronavac – Existe pesquisa de eficácia de vacina no Brasil?

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Minha resposta é não. A eficácia de 50% da Coronavac foi apurada em uma pesquisa superficial, cujo principal objetivo era burocrático: obter o registro rápido para iniciar a vacinação. Não estou criticando. Na época em que o estudo foi iniciado, em julho de 2020, o presidente dava declarações contra a aquisição de vacina chinesa sem ser contestado pelos militares. O ambiente era de incerteza. Arrancar o registro de um órgão do governo era uma questão de vida ou morte para os 20 milhões de idosos do Brasil, que compunham de 80 a 90% dos mortos pela doença na época.

– Ah, Marco Polo, mas eu li no jornal que foi feita uma pesquisa de Fase III que apurou 50% de eficácia da vacina do Butantan.

Esta pesquisa acompanhou 10 mil profissionais de saúde entre julho e dezembro de 2020 – metade tomou vacina, metade placebo. Esperaram até que 250 deles contraíssem covid, resultando em um placar final de 170 (placebo) x 85 (vacina). Foi daí que surgiu o papo de 50% de eficácia.

Entretanto, não foram pesquisados os efeitos adversos que interessam: necessidade de internação em hospital, em UTI e morte. Isso deveria ter sido pesquisado, ao menos, quando foi iniciada a vacinação em uma pesquisa de Fase IV. Entretanto, o Butantan não fez esta pesquisa (nenhuma foi registrada no Conep).

Respondendo a email que enviei, o Butantan disse para mim que só tem pesquisa de Fase IV para apurar quando a vacina NÃO funciona, ou seja, monitora apenas os raros efeitos colaterais de sua vacina – dor no braço, febre, essas coisas.

Você não vai achar sequer a pesquisa de Fase III no site do Butantan ou em qualquer outro no Brasil. Foi publicada em inglês. Especialistas dizem que não foi publicada, pois interpretam o termo publicado como sendo submetido à avaliação dos pares. Até onde sei, embora enviada ao cartório The Lancet em abril, a pesquisa ainda não foi aceita. Mas é melhor esquecer, porque não serve pra nada.

Segundo pesquisas feitas em outros países, a vacina Coronavac pode ser até mais eficaz que as outras para prevenir o que interessa. Especula-se, inclusive, que pode ser a que melhor se adaptaria a uma dose de reforço.

Enfim, embora a transparência seja ruim, ainda não há motivo para considerar a vacina inferior às demais.

Por isso, podem esquecer comparações da Coronavac com outras vacinas. A Coronavac pode ser até mais eficiente. Ninguém sabe. A pesquisa que apurou eficácia de 50%, foi feita com profissionais de saúde, que vivem no meio da infecção. As demais podem ter sido feitas com um perfil populacional diferente. As pesquisas são incomparáveis.

É tão difícil assim fazer a pesquisa que interessa? Não. Qualquer analista de dados poderia fazer. Nem precisa ser médico.

No Brasil, o arquivo de vacinados existe. Eu baixei os dados do DF e achei as minhas duas doses. O meu nome está codificado, mas dá pra achar cruzando dados que estão lá, como datas de vacinação, de nascimento e o CEP. Deve existir o arquivo de internados, pois a Fiocruz o utiliza em seus boletins, coisa que mostrei no vídeo anterior. Ninguém cruzou esses dois arquivos.

Li que a Coronavac pode se tornar a vacina mais aplicada no mundo até o final do ano, chegando a 3 bilhões de doses, segundo um twitter da empresa de análise de informações científicas Airfinity, baseada em Londres.

A falta de informação de qualidade sobre a eficácia das vacinas está induzindo uma profusão de viagens na maionese, com pessoas voltando para casa quando percebem que vão receber vacina que consideram ineficaz. Por isso, resolvi contar aqui o que descobri sobre o assunto.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!