A teoria de Darwin está assentada em quatro hipóteses. As duas mais conhecidas e pouco controversas são:
Ancestrais comuns – Os primatas homem e macaco descendem de um mesmo ancestral comum, assim como todos os animais e plantas.
Seleção natural – Os mais aptos a gerar descendentes serão predominantes. Os menos aptos acabam extintos.
Todavia, há outros dois pilares que não tem o mesmo grau de consenso, cujos alicerces nunca foram firmes e alguns balançam à medida em que novas descobertas vão acontecendo:
Mutações no DNA – as mutações nos genes são raras, ocorrem por acaso e podem acabar se fixando nas populações, quando apresentam vantagens seletivas;
O pilar malthusiano – os animais se reproduzem a taxas positivas, o que leva suas populações a crescer em excesso, mas isso não ocorre por haver um equilíbrio entre predadores e presas, cujo crescimento é controlado pela fome e inimigos naturais.
Esta última hipótese, o pilar malthusiano, defende que as espécies sobrevivem no limite, em uma luta renhida contra a escassez de alimento e contra predadores. Ela diz que todos os animais deveriam viver na penúria, ser todos magrinhos, esfomeados e exaustos de tanta luta renhida pela vida.
Os pardais que você vê na natureza parecem assim? Cansados, exaustos? Cheios de ferimentos? Ou você costuma vê-los alegres, felizes, saltitantes, cantando e de bucho cheio?
O pardal voa. Pode escapar de predadores e percorrer longas distâncias em busca de alimento. Pode, também, proteger melhor o seu ninho, construído no alto de árvores ou em pedreiras.
Mas vamos testar a hipótese com viagens na maionese. Vamos supor que só um de cada 50 casais de pardais consegue fazer vingar seus 4 ovos e proteger seus filhotes até que se reproduzam. Os demais manteriam o equilíbrio previsto. Então, no primeiro ano, o número total vai aumentar de 100 para 102 pardais. No segundo, serão 104, seguindo crescimento de 2% ao ano.
Se isso prosseguir, o que acontece? Eu vou te dizer o que acontece. Em menos de 3000 anos, haveria tanto pardal que o peso total deles somado seria superior ao da massa da crosta terrestre. E olha, 3000 anos não é nada no tempo geológico, especialmente para passarinhos que existem há mais de 50 milhões de anos.
Veja bem, são 10 mil espécies de aves. Cada uma teve 50 milhões de anos para lotar o planeta e bagunçar a natureza. Porém, não há indícios no registro fóssil de que algo assim tenha ocorrido.
Prevaleceu esse equilíbrio delicado do pilar malthusiano de crescimento zero. Não pode ser 0,1%, não pode ser diferente de zero, porque qualquer número diferente de zero acarreta lotação do planeta ou extinção. Eu diria que esse equilíbrio é milagroso. Você acredita em milagres? Se não acredita, tem modelos matemáticos explicando esse equilíbrio como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Nenhum desses modelos matemáticos foi testado porque ninguém sabe se os pardais estão aumentando ou diminuindo. Comprovar a hipótese do pilar malthusiano não é fácil, porque ainda é muito difícil pesquisar populações selvagens fora do cativeiro.
A Scientific American deste mês trouxe uma interessante estimativa de biólogos australianos viajantes da maionese. Eles concluíram que 90% das 10 mil espécies de pássaros tem menos de 10 milhões de indivíduos. No entanto, há 4 delas que superaram a casa do bilhão. O campeão é o pardal com 1 bilhão e meio, seguido do estorninho, da gaivota e da andorinha.
E o peixe? Alguns põem milhões de ovos e, para manter o equilíbrio milagroso, tem que sobrar vivos apenas 2.