O maior erro de Einstein foi seu maior acerto?

Hoje vou falar do maior gênio da história humana, Einstein. Como ele era humano, também viajava na maionese e às vezes escorregava nela, conforme você vai conferir. Mas, quando o cara é genial, ele consegue acertar até mesmo quando comete seu maior erro, a constante cosmológica.

Em 1917, Einstein introduziu a constante cosmológica nas equações da sua Teoria Geral da Relatividade concluída há dois anos. E para que ele fez esta modificação? A teoria original previa um universo em expansão, que podia ser permanente ou temporária, dependendo da força da gravidade conseguir reverter essa expansão, transformando-a em contração. E por que Einstein estava incomodado com isso? Porque a ideia do Big-Bang ainda nem existia. A teoria já tinha um excesso de maionese para tempos tão primitivos.

Nos primeiros 20 anos do século XX, o avanço tecnológico da humanidade era mínimo. Não havia antibióticos. Não havia televisão, nem viagens de avião. Os automóveis estavam começando a ocupar o espaço das carroças.

No céu, ninguém sabia o que eram as nebulosas e pontos luminosos. As galáxias ainda não haviam sido descobertas. Não se sabia a distância de nada, a não ser de umas poucas estrelas mais próximas. Havia controvérsias se o que se via no céu estava dentro ou fora da nossa galáxia. Era desconhecido o mecanismo de geração da energia das estrelas. A idade do universo era estimada em apenas alguns milhões de anos .

Em abril de 1920, entrou para a história da cosmologia um debate entre dois grandes astrônomos da época, Herbert Curtis e Harlow Shapley. Uma das questões era a natureza das nebulosas. Curtis dizia que eram galáxias comparáveis à nossa em dimensão e número de estrelas. Shapley defendia o oposto: as nebulosas seriam algo situado dentro da nossa galáxia. A disputa não deu em nada, porque ninguém sabia nada ao certo. Era um debate entre dois viajantes da maionese.

Voltando à Einstein. A sua constante cosmológica, representada pela letra grega lambda , foi criada para que as equações passassem a acomodar mais um tipo de universo, o estático e infinito, que era o tipo da moda da época, que prevalecia nas crenças de 9 entre 10 astrônomos. Λ acrescentava uma força repulsiva, o contrário da gravidade.

Passou o tempo. Em 1929, Edwin Powell Hubble, o astrônomo americano do Observatório Mount Wilson, na Califórnia, o mesmo que emprestou seu nome ao famoso Telescópio Hubble, fez descobertas fantásticas sobre as distâncias siderais e a expansão do universo.

Na galáxia de Andrômeda, Hubble descobriu estrelas variáveis cefeidas, uma estrela gigante que pulsa em ciclos, diminuindo e voltando a aumentar de magnitude em períodos curtos, de dias, o que permite sua identificação. São estrelas jovens, que preferem viver 10 anos a 1000, do que 1000 anos a 10. Elas consomem rápido todo o hidrogênio gostosão e passam a ter que se intoxicar com o indigesto hélio, o que as faz inchar e contrair.

O brilho aparente da cefeida permite estimar a sua distância.  Pela primeira vez na história da astronomia foi possível descobrir distâncias siderais e saber que os pontos luminosos eram mesmo galáxias como a nossa, só que muito distantes.

O passo seguinte foi medir o desvio para o vermelho da luz que vinha das estrelas e galáxias, o efeito Doppler. Assim como o som de uma buzina vai aumentando quando ela se aproxima de nós e fica mais baixo quando o carro se afasta, o mesmo ocorre com a luz.

Hubble notou que somente uma meia dúzia de galáxias tinham desvio para o azul e se aproximavam de nós. Todas as demais tinham desvio para o vermelho e estavam se afastando. Notou também que o desvio era maior quanto mais distante estivesse a galáxia. Isso significava que o universo estava em expansão.

Einstein percebeu, então, que a constante cosmológica tinha sido a maior mancada de sua vida. Não fosse seu apego à maionese de um universo estático e infinito, sua Teoria da Relatividade Geral, na versão original, revelava a expansão do universo 15 anos antes da descoberta por Hubble!

Porém, o tempo passou e chegamos a 1998, quando observações de supernovas do tipo Ia indicavam que a expansão estava acelerando ao invés do contrário, conforme se pensava até então.

A descoberta rendeu o Nobel de Física de 2011 a Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess.

Ninguém sabe o motivo da aceleração, que foi atribuída a uma energia escura. Quando cientista fala em qualquer coisa escura, matéria escura, energia escura, ele quer dizer que ninguém sabe o que é.

Aí, alguém lembrou de quê? Da constante cosmológica de Einstein, que poderia ser uma explicação possível para a aceleração da expansão do universo.

Assim, o maior erro de Einstein pode ter se transformado em seu maior acerto!! O cara era genial a ponto de acertar em cheio até mesmo quando errava. A maionese de Einstein era saborosa, digna do maior gênio da história da humanidade.

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