Será que a escada do conhecimento chegará ao fim, algum dia? A origem do universo é alvo de muitas teorias, enquanto há poucas para explicar a origem da vida. Há um contraste muito forte no ambiente científico da Cosmologia e da Biologia. Enquanto a Cosmologia acolhe mentes abertas, a Biologia castiga os que ousam apresentar novas teorias.
O matemático e físico britânico Lorde Kelvin, especialista em termodinâmica, ficou conhecido por criar a escala de temperatura, onde o zero absoluto acabou definido como zero Kelvin em sua homenagem. Ficou conhecido, também, por frases atribuídas a ele sobre o fim da física. No final do século XIX, ele teria recomendado aos jovens não se dedicarem à física, pois só restava acrescentar casas decimais a algumas constantes e resolver uns probleminhas secundários.
Olha, eu vi essa viagem na maionese em livros e revistas, inclusive em uma revista brasileira. Será que Lorde Kelvin disse isso mesmo? Eu sempre pesquiso antes de postar. O que descobri? O autor não foi Lorde Kelvin, mas sim Albert Michelson, o físico do famoso experimento Michelson-Morley de 1894, com o objetivo de testar se o éter existia ou não. Certa vez, Michelson declarou em Chicago:
– “Parece provável que a maioria dos grandes princípios fundamentais já foram firmemente estabelecidos… as verdades futuras da ciência física deverão ser buscadas na sexta casa decimal.”
Na verdade, a física estava começando e não acabando.
Este é o foco de interesse deste vídeo que é esse tipo de visão pretensiosa de cientista, quando exagera o tamanho do conhecimento humano proporcionado por descobertas da ciência. Essa visão pretensiosa não é incomum no meio científico mesmo nos tempos atuais.
É uma visão em que a escada do conhecimento… o que acontece com ela? Encolhe de forma extrema, fica pequena. E onde o cientista está nela? Está posicionado lá em cima, acreditando que só faltam poucos degraus para chegar ao topo do conhecimento.
Essa escada do conhecimento, para cada área da ciência, varia em número de degraus. Mais degraus, mais complexidade a ser desvendada. Por exemplo, o que você acha mais complexo, o cosmos ou uma bactéria? Qual escada é maior? Em que degrau estamos posicionados nela?
Muitos bioquímicos dizem que uma pequena célula pode ser considerada mais complexa do que as estruturas cósmicas. Por quê? O cosmos é regido por algumas leis relativamente simples, como gravitação, termodinâmica, interação eletromagnética, e outras leis, das quais emergem estruturas como galáxias, estrelas e planetas.
Uma célula, por sua vez, contém milhares de reações bioquímicas interligadas, circuitos de sinalização, mecanismos muito complexos de reparo, leitura e execução de informação genética, sistemas internos de transporte e de energia — tudo funcionando de forma coordenada e dinâmica em escalas de tempo que variam de nanossegundos a horas.
Você acha que subimos muito ou pouco na escada da Biologia, no grau de conhecimento da vida, suas origens e funcionamento? E na escada da Cosmologia, no conhecimento dos astros, das galáxias e do espaço sideral?
No caso da Cosmologia, a escada do conhecimento vamos supor que é uma escada com cem degraus. Quantos você acha que já subimos? Uns 30? O que você acha?
Já no caso da Biologia, da evolução do DNA e da vida, a escada parece bem maior, talvez tenha mil degraus, em que a ciência só começou a subir esta escada há umas poucas décadas, que foi quando o avanço da ciência permitiu. De lá para cá, conseguimos subir digamos uns 3 desses mil degraus, quase nada, embora a impressão seja a de que descobrimos muita coisa. E isso é verdade. Quando você sai da estaca zero, parece que foi longe, mas a quantidade de degraus é bem maior.
Os profissionais que lidam com mistérios da mente e da biologia costumam valorizar em excesso o que descobrem e quase não falam sobre o que não sabem.
Eu leio bastante sobre várias áreas da ciência com olhar de especialista em viagem na maionese. Concentro minha atenção sabe em quê? Em como os cientistas de cada área encaram os mistérios que a ciência ainda não tem respostas, não tem evidências, onde só há suposições.
Por exemplo, os cosmologistas não demonstram o menor pudor em admitir o que não sabem. Eles descobriram que as galáxias possuem 4 ou 5 vezes mais massa do que a matéria visível observada. Como sabem? Há um excesso de velocidade de rotação das estrelas mais distantes do centro das galáxias, que deveriam ser ejetadas para fora, mas não são. Então, concluíram pela existência de matéria escura, algo que gera gravidade, mas eles não sabem o que é essa matéria escura. O mesmo ocorreu com a energia escura, inventada para explicar a descoberta da expansão do universo. Essa turma que estuda o universo inventa muita teoria. A velocidade da luz pode ter variado com o tempo ou ser mais veloz nos grandes espaços vazios. São especulações teóricas bem interessantes.
Já na biologia, especialmente a biologia evolutiva, inventar teoria pode ser pecado. É um ramo da ciência que acredita que sabe muito mais do que é capaz de comprovar que sabe. Porém, não é só isso. A coisa é mais grave. É um ramo com dogmas severos. Há perseguição de quem ousa desafiar esses dogmas.
Parece vingança de um tempo em que a religião perseguia e punia os cientistas hereges que ousavam defender umas teorias diferentes, que a igreja não aprovava. Agora são os darwinistas que identificam hereges, quando apresentam ideias diferentes, quando inventam algum tipo de energia escura. É proibido, não pode ter nada escuro na biologia.
Qual a origem do dogma? Nos anos 40, uma turma de especialistas construiu a Síntese Evolutiva Moderna, uma reforma na Teoria de Darwin. Interpretaram a Bíblia da Origem das Espécies e isso deu origem a uma nova religião da evolução, cujo propósito principal era substituir Deus pelo acaso como explicação da vida. O que fizeram de mais relevante sem base científica?
Elevaram o status do mecanismo da seleção natural ao patamar de única explicação para a evolução, ao contrário do que Darwin registrou em seu livro “A Origem das Espécies”, onde especulava que a seleção natural era apenas uma de outras explicações para a evolução ainda não descobertas. Fizeram isso baseado em quê? Em meras suposições, quando a bioquímica engatinhava e a genética nem existia.
Quem foi vítima da perseguição dos neodarwinistas? Houve muitos casos, mas vou citar o caso do biólogo britânico Rupert Sheldrake, um respeitado pesquisador que achava impossível a seleção natural explicar fenômenos como a regeneração de membros nas salamandras ou até de qualquer parte do corpo nas planárias, um verme que, se fatiado em dez partes, emergem dez planárias. Sheldrake passou uma temporada na Índia, teve acesso à sabedoria milenar e voltou com umas ideias diferentes, que a evolução seria influenciada por campos de energia ainda desconhecidos, os campos morfogenéticos – uma espécie de energia escura que a cosmologia acha muito natural propor.
Mas… na biologia é diferente. Ele deixou de ser um cientista respeitado e foi sabe o quê? Excomungado. Seus trabalhos antes cobiçados pelas revistas científicas, passaram a ser rejeitados. Sua carreira sofreu muitos prejuízos.
Se você quiser saber mais sobre a carreira de Rupert Sheldrake, antes e depois de ser excomungado, assisti a um vídeo muito interessante que recomendo, feito pelo Canal Reflexo Interno. Para assistir, clique no quadradinho que vai aparecer aqui ao lado. O Reflexo Interno tem uns 150 vídeos sobre as descobertas de Rupert Sheldrake.
Em breve, aqui NESTE canal, vai ter vídeo sobre a ideia dos campos morfogenéticos. Uma ideia que pode ter origem na sabedoria milenar da Índia. Seria isso uma viagem na maionese? Ou seria algo que a ciência deveria levar a sério, buscar evidências? A cosmologia é mente aberta, não descarta nada, mas a biologia costuma ser um ambiente onde predominam mentes fechadas.