Banqueiros x Supremos

Os EUA estão punindo os exportadores brasileiros com tarifas bem mais altas do que as aplicadas aos demais países por conta de o governo brasileiro estar financiando com dinheiro público ditadores inimigos dos EUA, como os de Venezuela e Cuba, além de se aliar a Rússia, China, Irã e até ao Hamaz. Esse governo sem noção vai produzir um estrago na economia, muito desemprego por conta de suas relações com o que há de pior no mundo.

A paciência dos americanos chegou ao fim durante o encontro dos Brics no mês passado, quando o Presidente Lula repetiu de novo algo que incomoda demais os americanos. Falou de novo contra o uso do dólar como moeda mundial, algo que seria arrasador para a economia americana, principalmente agora, que está correndo risco de uma crise sem precedentes devido ao excesso de endividamento.

Além das tarifas, os EUA começaram a aplicar outras sanções, a Lei Magnitsky ao Ministro do STF Alexandre de Moraes e a cassação de vistos de outros ministros e de envolvidos no Programa Mais Médicos, que financia a ditadura cubana, que recebe a maior parte dos salários de milhares de médicos cubanos que foram importados para atuar no Brasil.

Os americanos esperavam do Brasil uma reação às sanções. Esperavam o combate aos usurpadores do poder. Qual foi a reação do Congresso, das instituições brasileiras? Nenhuma. Qual foi a reação do poder econômico, dos grandes oligarcas? Nenhuma.

Eles não querem briga com o governo, nem com os supremos. Eles se acostumaram a ver seus lobbies atendidos para evitar o peso dos impostos e da concorrência. Quem sofre é o povo, obrigado a pagar um imposto privado. Você sabia que paga isso? Um sobrepreço que só pode ser cobrado em um ambiente de falta de concorrência, que é o que prevalece no Brasil para os principais produtos e serviços consumidos pelo povo.

Isso que o Brasil vive é um modelo econômico parecido com o da Rússia: o modelo russo, alvo de vários vídeos aqui neste canal, em que mostro como a coisa funciona. Qual a diferença entre Brasil e Rússia? É um detalhe.

Na Rússia, o modelo funciona com um governo forte, em que o ditador enriquece apoiando oligarcas escolhidos por ele. Muitos viraram donos das antigas estatais, recebidas de presente do governo. O oligarca que se volta contra, pode acabar condenado ao suicídio.

No Brasil, o modelo funciona com um governo fraco, em que os chefes de poder ou seus parentes são pessoas vulneráveis pela corrupção, ou seja, pessoas que não podem contrariar os interesses de ninguém poderoso, inclusive dos oligarcas, que exploram o povo.

O governo Trump, ao que parece, está começando a entender o modelo russo tupiniquim. Ontem, o Vice-Ministro das Relações Exteriores dos EUA, Christopher Landau, revelou no Twitter:

  • o seu espanto com o fato de um único ministro do Supremo Tribunal ter usurpado o poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros poderes, ou suas famílias, com prisão, encarceramento ou outras penalidades;
  • ele diz que a situação é um beco sem saída, onde o usurpador se acoberta pelo Estado de Direito e os outros poderes insistem em se considerar impotentes;
  • termina lembrando que não há caso parecido no mundo, precedente na história da humanidade, em que um único juiz não eleito tenha assumido o controle do destino de sua nação.

Em um país normal, capitalista, democrático, nada pode interferir se um banco adotar como critério não aceitar como clientes pessoas sancionadas pela Ofac – Office of Foreign Assets Control, a agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável por administrar a extensão de sanções como as da Lei Magnitsky. Ninguém levaria a sério uma tentativa de interferência por um supremo.

Mas o Brasil é uma democracia fajuta, típica de república de bananas. A prova disso é que hoje as ações de bancos brasileiros despencaram, após o ministro do STF Flávio Dino sinalizar a possibilidade de punir bancos que aplicarem sanções financeiras contra Alexandre de Moraes, seu colega de toga. Banco do Brasil -6,0%, Santander -4,9%, Itaú,  Bradesco e BTG caíram ao redor de -3,5%.

A democracia brasileira foi transformada sabe em quê? Em uma medo cracia, conforme vídeo que produzi há dois anos sobre a cassação de mandato do deputado federal Deltan Dallagnol, uma atrocidade das mais absurdas que já presenciei, o uso da justiça para um ato de vingança contra o líder de uma equipe que enfrentou corajosamente os maiores corruptos do Brasil. Ele renunciou ao cargo e se elegeu o deputado mais votado do Estado do Paraná. Mesmo aclamado pelas urnas, acabou vítima do modelo russo.

Até os maiores oligarcas do Brasil, os banqueiros, têm medo. Eles têm lucros crescentes, exorbitantes, há 30 anos, lucratividade recorde mundial. Esfolam o povo, cobrando juros no cartão de crédito de 600% ao ano, muitas vezes superiores ao que a máfia italiana consegue cobrar (entre 80 e 120% ao ano). Neste link do Banco Central, você confere quanto os bancos estão cobrando. Eles apresentam o dado em ordem crescente. Tem que descer até o final da tabela para achar as taxas dos maiores bancos.

Os banqueiros agora vão ser obrigados a duelar com os supremos. Se cederem, os grandes bancos brasileiros vão encolher, virar tamboretes, tamboretes que só podem operar internamente. Com isso, vão acabar desaparecendo, substituídos por grandes bancos americanos.

Quem são esses banqueiros brasileiros? Acho que todos já morreram. As ações passaram para os herdeiros. E o que fazem da vida esses herdeiros tão ricos?

Não sei. Tem esse aqui, Walter Salles, cineasta, herdeiro do Banco Itaú, que brinca de fazer filmes que agradam ao governo, filmes como este último que ganhou Oscar, que contribuiu para as lendas dos supremos, contribuiu para ligar a imagem de Bolsonaro a de cruéis generais da ditadura militar.

Este vídeo aqui do canal fala de uma sugestão de roteiro de filme sobre golpe de estado em uma república de bananas da América Latina, encaminhado a Steven Spielberg. Agora me ocorreu sugerir a ele um vídeo sobre a vida desses herdeiros, como Walter Salles. Até produzi uma sugestão de capa.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!