Lula nas Arábias – Será que ele foi lá entregar a petroquímica brasileira para os árabes?

Você sabia que o Brasil já teve um modelo econômico parecido com o que deu certo na China? Isso foi vinte anos antes da China começar a decolar. Durante a ditatura militar, o Polo Petroquímico da Bahia foi implantado seguindo este modelo – um modelo tripartite, onde a multinacional trazia a tecnologia e ficava com 1/3 da empresa, outro terço era de um grupo privado brasileiro e o terço final do Estado – igual a China faz.

O projeto foi iniciado e concluído nos anos 70, conduzido pelo General Ernesto Geisel, primeiro como Presidente da Petrobras e depois como Presidente da República. Conto o que sei dessa história em três vídeos que fiz ano passado.

Infelizmente, os presidentes civis, todos eles, deram fim no modelo chinês e adotaram o modelo russo, um modelo baseado no compadrio, onde o Rei escolhe o predador vai ser agraciado para dominar o setor. Neste canal há vários vídeos explicando como é o modelo russo na economia. Foi com este modelo russo que o Polo Petroquímico da Bahia foi parar nas mãos da empresa Braskem do Grupo Odebrecht.

Este livro, da competente jornalista Malu Gaspar de OGLOBO, dedicou 10 de suas 600 páginas para contar a façanha da Odebrecht, como o grupo, sem ter dinheiro para comprar porcaria nenhuma, conseguiu se transformar em dono do Polo Petroquímico. Conseguiu graças ao compadrio do governo com Emílio Odebrecht, bem mais de Lula do que de FHC.

Só que a coisa não vai bem. Depois da Operação Lava-Jato, houve briga feia entre Emílio e seu filho Marcelo, o herdeiro, que tocava a empresa. Aquele que saiu da cadeia depois do acordo de delação premiada, em que 77 executivos da empresa contaram bastante coisa sobre o esquema em delação premiada.

Por conta da briga de família, houve a decisão de vender a Braskem, os 38% de participação. Mas os Odebrecht precisam da concordância da Petrobras, que tem 36% da empresa, quase a mesma participação.

O desastroso modelo russo pode ser o responsável pela desnacionalização do setor. Se estivesse vivo, o General Geisel teria retomado as ações da Braskem para indenizar os danos que a corrupção do Grupo Odebrecht causou ao país, inclusive a destruição de cinco bairros de Maceió, afetando 50 mil pessoas, por conta da mineração de sal-gema que fez a terra afundar.

Quem está de olho na Braskem e quer comprar a empresa? Os árabes. Ao invés de punidos, os Odebrecht podem se dar bem, sair lucrando bilhões de dólares.

Lula está aonde agora? Mal ficou bom da operação no quadril e viajou para onde? Para as arábias. Será que ele foi lá completar o serviço? Garantir o seu apoio aos árabes para que comprem a Braskem? Será que Bolsonaro foi lá por motivo parecido? A venda da Refinaria Landulfo Alves para os árabes – a nossa primeira refinaria de petróleo que fica ali pertinho do polo petroquímico. Dois eleitos que parecem opostos, mas só fazem o quê? Mais do mesmo que todos os outros fizeram.

Se você acha que há diferença entre os presidentes eleitos nessa nossa democracia muito estranha, você pode estar viajando na maionese. Todos eles são adeptos do modelo russo. Todos eles gostam mesmo sabe de quê? É de fazer grandes negócios com o patrimônio construído com dinheiro do povo, com o suor do povo, com tanto sacrifício, como foi o caso do Polo Petroquímico de Camaçari na Bahia e da sua primeira refinaria de petróleo. Não vou ficar surpreso se a venda da Braskem for anunciada em breve.

Este post tem 2 comentários

  1. Zé Caixeta

    Prezado Marco Polo, vou ficar de olho pra ver se a Braskem será de fato vendida aos árabes. Mas espero que vc esteja errado.

    1. Maionese Viajante

      De repente, eles já desistiram de comprar depois de ficar claro que o buraco é mais embaixo.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!