Dan Ariely – Fake News dá resultado?

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Teriam as fake news influência sobre a mente das pessoas a ponto de modificar suas crenças? O que diz quem entende do assunto? Neste canal, publiquei dois vídeos de neurocientistas: Robert Sapolsky e Tali Sharot. Eles sugerem que não é por aí. Eles mostram que o fator emocional predomina sobre o racional.

Agora, você vai conhecer o resultado de análises feitas por um experiente pesquisador do comportamento e da irracionalidade humana, que investigou o tema fake news.

Ele é Dan Ariely, 57 anos, dez livros publicados, o último deles, com o título “Desinformação”. Lançado há pouco no Brasil, investigou o que faz uma pessoa racional acreditar em fake news, teorias da conspiração e outras viagens na maionese.

Li seu livro de 2008 chamado “Previsivelmente Irracional”, um best-seller em que ele apresenta experiências muito bem boladas sobre a irracionalidade do ser humano diante de situações do dia a dia.

Dan Ariely se formou em física e matemática na Universidade de Tel Aviv, em Israel, mas migrou de área e de país. Foi para os EUA, onde estudou psicologia e economia comportamental na Universidade Duke, nos EUA, onde fez carreira: mestrado, doutorado e se tornou professor.

Nesta mesma universidade, obteve um segundo doutorado em Administração de Empresas a pedido de Daniel Kahneman, também israelense-americano, Prêmio Nobel de Economia de 2002 por seu trabalho que desmontou a suposição de racionalidade das decisões humanas, suposição que está na base da teoria econômica. Morreu este ano aos 90 anos. Kahneman ficou conhecido como o “avô da economia comportamental”, mesma área em que Dan Ariely também atua. Será que ele levará o Nobel este ano? Eu aposto que será um dos cotados.

Até o momento, ele só ganhou o Prêmio Ignobel de 2008, um prêmio satírico, concedido anualmente desde 1991, organizado por uma revista de humor científico (Annals of Improbable Research). Ganhou por quê? No seu livro, ele apresentou estudo demonstrando que placebos caros são mais eficientes do que placebos baratos. Ele fez suas cobaias acreditarem que estavam participando de uma pesquisa real, de um novo analgésico fabricado na China – o Veladone R-x. O remédio funcionou bem melhor no grupo que acreditava que seu preço era 5 vezes maior.

Mas o que ele descobriu de interessante neste seu novo livro sobre fake news?

Ele apresentou um estudo que usou como cobaias republicanos conservadores, por serem propensos a negar as mudanças climáticas. Metade do grupo recebeu para ler artigo defendendo o aumento da regulação e da intervenção governamental como condição indispensável para a diminuição da emissão de gases do efeito estufa. A outra metade recebeu outro texto, que apontava como solução: o contrário, menos regulação, menos intervenção estatal e mais iniciativas do livre mercado.

Após as leituras, perguntaram a todos o que achavam do consenso científico de que as mudanças climáticas, provocadas pelo homem, aumentarão em 4,4 graus a temperatura da Terra ainda neste século.

Olha o contraste das respostas. No primeiro grupo, só 22% concordaram, enquanto no segundo grupo o percentual aumentou para 55% dos que estavam concordando com a ciência. Veja bem, foi feita a mesma pergunta para quem partilhava as mesmas convicções e houve diferença significativa nas respostas das duas metades do grupo.

O estudo usou estratégia semelhante nos questionamentos a outro grupo de perfil democrata, obtendo resultado parecido.

O mesmo se aplica ao negacionismo da Covid. Para muitos, é mais fácil negar a gravidade do vírus do que aceitar não sair de casa, usar máscara, fechar escolas, comércio, tomar vacinas… Enfim, lidar com as restrições impostas pelo poder público para segurar o contágio, de maneira a evitar sobrecarga nos hospitais, que ficariam lotados com pessoas morrendo na porta sem atendimento.

Qual a conclusão? O negacionista não é anti-ciência, como se acredita. Não é bem assim. Muitos concordam com a ciência, desde que a solução do problema não bata de frente com crenças mais básicas, que eles não pretendem abrir mão.

A inteligente estratégia de obter respostas é fundamental para avaliar as crenças com mais precisão. O estudo mostra que a verdade depende do contexto da pergunta.

Aliás, quem se importa com a verdade? No século XXI, as pessoas passaram a se informar de maneira superficial. É um paradoxo. Aumentam as fontes de informação, enquanto diminui o interesse em se informar, e até a capacidade de compreensão do que se lê. As pessoas preferem seguir a manada. Se todos fazem isso, acaba o receio de parecer ridículo quando se propaga fake news.

No Brasil querem culpar as redes sociais por motivos diferentes. A esquerda porque está perdendo eleitores. A mídia porque perdeu audiência e credibilidade. Os seres supremos surtaram porque são odiados pelo povo, não podem andar na rua. O que fazer? Ora, ora, botar a culpa nas fake news, nas redes sociais.  Mas o problema deles não são as mentiras… são as verdades sobre o que eles vêm fazendo, verdades que circulam nas redes sociais, coisas terríveis para a democracia que a mídia passa pano e o Senado também.

E vou encerrar por aqui, porque não quero que mandem o Youtube fechar o meu canal.

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!