Dois dias depois do meu último vídeo sobre o cientista cognitivo Dan Ariely, outro cientista cognitivo dos mais importantes do mundo, o americano Steven Pinker, esteve aonde? No Rio de Janeiro no sábado 29 de junho participando do Congresso Brain 2024: Cérebro, Comportamento e Emoções, onde falou sobre suas descobertas. Olha ele aí entre os muitos convidados internacionais. Quem é ele? Ele já foi considerado, mais de uma vez, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Ele é professor da Universidade Harvard, um especialista na investigação da racionalidade humana, com diversos livros publicados.
Vou destacar aqui as respostas que ele encontrou para a pergunta: por que as pessoas acreditam em Fake News?
Se os seres supremos, ao invés de ir àquele congresso do compadrio em Portugal, daquele Ministro do STF… aquele cujo verbo favorito não é prender. Não vou falar qual é o verbo que ele aprecia porque ele mandou prender um senador da república que brincou com isso.
Se esses ministros tivessem ido ao Congresso Brain no Rio de Janeiro, teriam aprendido que é inútil ficar perseguindo as redes sociais, tentando censurar youtubers. A culpa das pessoas seguirem apoiando políticos que eles não gostam não é das fake news.
Steven Pinker falou coisa parecia. Ouça o que ele disse ao jornal Estadão:
O que ele diz está alinhado com outros três vídeos deste canal, onde mostro especialistas em cognição concluindo que o motor das crenças das pessoas é um motor movido muito mais pela emoção do que pela razão. Pinker fala em tribalismo, as pessoas vivendo em bolhas nas redes sociais que são uma máquina de reforçar o tribalismo.
Acreditar apenas em coisas para as quais há evidências. Isso deveria ser o natural da raça sapiens. Porém, Steven Pinker diz que isso é contraintuitivo para a natureza humana.
Ele chegou à conclusão de que a ideia mais radical na história humana é admitir que você pode estar errado. Ele diz que essa ideia deveria ser uma lição para os jovens:
– “Você deve deixar os fatos dizerem o que é certo e errado. Esta é uma ideia muito estranha, exótica, não natural, mas é uma ideia importante, e acho que temos que apoiar a ideia de que somos ignorantes sobre a maioria das coisas.”
Admitir que se pode estar errado é a ideia básica deste canal, que foi criado para combater as certezas. E aqui no canal, o vídeo mais importante nessa direção trata do capítulo VI do livro de Mark Manson, o maior filósofo do século XXI, o playboy filósofo que fala para os jovens, com linguagem típica de uma conversa de bar. Qual o título do capítulo?
– “Você está errado em tudo. (Eu também).”
Sobre o negacionismo científico, ele diz que a maioria dos cientistas tem a teoria errada sobre por que as pessoas negam a ciência. Eles acham que são ignorantes aqueles que negam a mudança climática, vacinas ou a evolução humana. Isso foi testado. O que ele diz: “Na verdade, testes de alfabetização científica, como ‘o que é maior: um átomo ou um elétron?’, os negacionistas vão ter as mesmas pontuações do que aqueles que acreditam na ciência.”
É mais ou menos o mesmo que este canal atesta. O sujeito viaja na maionese porque é da natureza humana viajar na maionese, o tribalismo de Pinker. Não é por causa de fake news, nem de ignorância, mas sim por esse tribalismo, que pega o emocional da pessoa em relação ao pertencimento a um grupo alinhado com ideias semelhantes.
Para terminar, Steven Pinker explicou por que canais como o meu jamais vão fazer sucesso. Ele diz que não terão muitos seguidores nas redes sociais os canais baseados em racionalidade, que mostram as fontes das informações, fontes confiáveis, como é o caso deste canal do viajante da maionese. Ele disse o seguinte:
– A mídia social não é um lugar para argumentos racionais. Não é um fórum de raciocínio científico baseado em evidências ou argumentos lógicos; é uma corrida de ratos de quem recebeu mais “curtidas”. Na busca por mais curtidas e “visualizações”, quanto mais escandalosas forem as postagens, mais curtidas você receberá. Esqueça a razoabilidade de seus argumentos ou a factibilidade de suas evidências. Todos eles são derrotados pela força das crenças de alguém, combinadas com linguagem chula e ataque implacável.
Eu sempre soube disso desde o início. No vídeo de apresentação do canal, eu destaco que aqui é lugar para poucos, os poucos que têm mente aberta e interesse no mundo das ideias. Um público bem pequeno, restrito, de pessoas que preferem pensar, a propagar.