A imagem de abertura deste vídeo é de um filme sobre ballet, um filme de 2010 com Natalie Portman, chamado Cisne Negro, tendo como tema o ballet “O Lago dos Cisnes”. Este mês de maio, passei um final de semana em Goiânia, onde aproveitei para assistir “O Lago dos Cisnes” no Teatro Escola Basileu França.
Fiquei espantado com a qualidade do espetáculo. No palco, bailarinos da Suécia, Chile, Goiás e Rio de Janeiro, que se revezaram nos papéis principais. O Teatro Escola existe há mais de 50 anos, bancado pelo Estado de Goiás, dedicado a várias atividades artísticas, inclusive o ballet.
O Governador Ronaldo Caiado investiu sabe quanto? Foram 50 milhões de reais na reforma do complexo Basileu França. Qual governador investiu tamanha soma em arte? Nenhum. Olha como ficou o teatro. Um primor!
E os resultados da administração da escola são de cair o queixo! O destaque foi o jovem bailarino João Pedro aluno do Basileu França. Olha ele aí entrando tenso no palco, onde concorreu no Prix de Lausanne. Ficou entre os 20 finalistas de 12 países diferentes! Sabe o que é isso? É nada menos que a principal competição de balé do mundo! Acontece anualmente na cidade de Lausanne, na Suíça.
Sabe em que lugar ele ficou? Conquistou o 1º lugar. O primeiro lugar! E não é só. Além do prêmio principal, João Pedro também levou o prêmio de mais votado pelo público.
Não foi uma vitória isolada. Este foi o 16º prêmio internacional de ballet do Basileu França. O trabalho em Goiânia tem produzido resultados expressivos. Três alunos ganharam contratos profissionais na Europa e outros nove ganharam bolsas de estudo em tradicionais escolas de balé da Alemanha, França, Inglaterra e dos Estados Unidos.
E como se saiu o Basileu França na principal competição nacional?
Ano passado, 13 mil bailarinos competiram no Festival de Dança de Joinville, um dos maiores do mundo, você sabia? O grupo do Basileu França dominou o evento. Levou o principal prêmio de Melhor Companhia. Conquistou 12 dos 46 prêmios, sendo sete vezes primeiro lugar, dois segundos e dois terceiros, além de um prêmio especial.
E assim, a cada festival, Goiânia vem sendo destaque, superando por larga margem companhias de ballet de grandes capitais como Rio, São Paulo e Brasília.
Mas o que é o ballet? O ballet conta uma história por meio da dança. Você já deve ter reparado que as histórias famosas são sempre as mesmas: O Lago dos Cisnes, Giselle, O Quebra-Nozes, Dom Quixote, Coppélia… As músicas originais são mantidas, mas as histórias são alteradas, especialmente o final. Cada apresentação viaja na maionese de um jeito diferente.
O Lago dos Cisnes é uma obra clássica de Tchaikovsky que foi apresentada pela primeira vez há 150 anos no Teatro Bolshoi, em Moscou. A rivalidade entre os cisnes branco e negro, Odette e Odile, é o que compõe a trama da mais clássica e popular peça de ballet. O vilão da história é o bruxo malvado Rothbart, que tinha a mania de transformar jovens donzelas em cisnes – um feitiço que funcionava só durante o dia.
Vou tentar contar o que entendi da história que esse ballet conta. Posso estar errado, não entendo nada de ballet.
Entediado, o príncipe resolveu caçar no lago. Ele apontou sua besta para um cisne branco que, de repente, à luz do luar, se transformou em uma princesa. O príncipe foi quem levou uma flechada de cupido. Se apaixonou na hora. Ele planejou romper o encantamento, escolhendo Odette como esposa durante o baile real. Mas o feiticeiro Rothbart disfarçou sua filha, a fogosa Odile, para parecer a pacata Odette, só que vestida de negro. Durante o baile, o príncipe bebeu umas doses a mais e achou que Odile era Odette.
Quando o príncipe percebeu o erro, não tinha mais jeito. O príncipe já tinha… fechado negócio com o cisne errado. O encanto não podia mais ser quebrado. E agora?
A obra original tinha final infeliz. A princesa se atira no lago para se libertar do feitiço. O príncipe fica desesperado e resolve fazer o mesmo. Ao provar o seu verdadeiro amor, o sacrifício do príncipe faz o bruxo perder seus poderes e morrer. O casal, então, se liberta do encanto e, ao amanhecer foram avistados seus espíritos felizes por poder viver seu amor dançando ballet na eternidade.
No Brasil, onde o ballet é mais desenvolvido? São Paulo? Brasília? Rio? Nada disso. Em primeiro lugar está Joinville, onde fica a única filial do Ballet Bolshoi fora da Rússia. O festival de Joinville existe há décadas e costuma frequentar o Livro dos Recordes, o Guinness Book, como o maior evento de ballet do mundo em número de participantes. Em 2023, a 40ª edição teve 13 mil dançarinos que vieram de 25 estados, e de países como Estados Unidos e França. A companhia de Joinville não participa do festival.
Depois de Joinville, o segundo lugar, acredite se quiser, é a capital de Goiás, estado considerado o Texas Brasileiro, um lugar de brutos, dominado pela pecuária e grandes propriedades do agronegócio.
Quem é o responsável por manter o Basileu França com tanta competência? É o governador de Goiás Ronaldo Caiado, que tem o apoio de 86% dos goianos e planeja disputar a Presidência da República. Parece um bruto pecuarista, mas mexe com coisas delicadas. O governador Caiado é ortopedista, formado no Rio, com especialização em Paris. Sabe em quê? Em cirurgia de coluna. Pode haver algo mais delicado?
Até seus adversários políticos o consideram brilhante como cirurgião. Ele já tratou de políticos experientes como Miro Teixeira e consertou a coluna até de inimigos políticos do PT, como Milton Temer, hoje no PSOL, você sabia?
Caiado faz caridade. Por 23 anos, ele tratou moradores da comunidade agrícola de Bonfim de Feira, uma pequena cidade próxima à Feira de Santana na Bahia, terra natal de sua esposa Gracinha Caiado, onde ele tem ou tinha uma propriedade rural. Alguns dos pacientes ele levou para Goiânia para tratar ou operar.
— Ele pode ser o diabo aí fora, mas aqui na comunidade é Deus. Vinha para cá e atendia 40, 50 pessoas até as duas horas da madrugada. — disse o pedreiro André Luiz Santana ao jornal OGLOBO.
O ballet político do Brasil está precisando demais de um pecuarista bruto e delicado como Caiado, sabe por quê? Precisa de um bruto para dar fim no Rothbart, no ‘roubar’, que está destruindo o nosso reino há décadas. Precisa de um delicado para dar fim no feitiço da polarização entre o cisne vermelho e o amarelo. Aliás, eu desconfio que só um pecuarista tarimbado é que vai botar tudo que é bicho para dançar a sua música, especialmente o gado e os jumentos.