Embora seja uma história recente, ninguém conhece a história da extinção do pássaro mais abundante do planeta, nem tampouco a forma como Deus pode ter castigado o homem por essa maldade. Aqui você vai conhecer essa história. Quem acompanha este canal sabe até como são contados os pássaros selvagens.
Aqui, há um interessante vídeo sobre censo das aves. Cientistas australianos encontraram uma forma engenhosa de estimar o número de pássaros de cada espécie, inferido com base em registros de praticantes de avistamento de pássaros. Os cientistas concluíram que o pardal é a mais abundante das aves selvagens, com 1,6 bilhão de pássaros espalhados por vários continentes. Umas poucas espécies, meia dúzia, seriam espécies muito abundantes, presentes em mais de um continente, enquanto a grande maioria estaria restrita a nichos, ocupando áreas limitadas.
O campeão pardal perderia para o pombo passageiro, que vivia na região da Cordilheira dos Apalaches, que corta o leste dos EUA de norte a sul, do Maine à Geórgia. A quantidade destes pombos foi estimada entre 3 e 5 bilhões, mesmo assim o bicho teve um final trágico e rápido. Foi extinto totalmente há cem anos pelo homem, que matava não só para comer, mas também para vender e por pura maldade.
Além de redes, os caçadores usavam tiros de espingardas do tipo que espalha chumbo e matava cinquenta animais com um só tiro. De 1870 a 1900, em trinta anos, os americanos deram fim no seu pombo passageiro. Em 1896, o bando restante composto por 250 mil pássaros foi dizimado por caçadores que estavam cientes de que aquele era o último bando da espécie. A cultura ocidental da época não tinha a menor preocupação em preservar coisa alguma da natureza.
Embora fossem bilhões, é intrigante que algumas centenas não tenham sobrado em algum recanto do país, um recanto mais isolado do homem. Um estudo publicado na revista Science levantou a hipótese de que o pombo passageiro estava adaptado para viver em grupos grandes, mas não em populações pequenas. A ação humana ocorreu tão rapidamente que o animal não teve tempo de se adaptar, segundo Beth Shapiro, professora de biologia evolutiva na Universidade da Califórnia (UC) em Santa Cruz. Pra piorar, o bicho não se reproduz em cativeiro, por isso, não teve jeito, foi extinção total.
Não entendo nada de religião, mas sei que os Estados Unidos até hoje é, disparado, o país desenvolvido com maior percentagem de crentes. Pode ser que interpretações de textos do Antigo Testamento tenham contribuído para uma viagem na maionese cultural, cuja crença era a de que tudo o que havia na natureza era um presente de Deus para o homem desfrutar como bem entendesse.
O Salmo 115, por exemplo, é um dos mais populares salmos de louvor, frequentemente entoado em cultos e celebrações. O versículo 16 diz o seguinte: “O céu é do Senhor, porém a terra Ele deu aos filhos dos homens”.
E deu a terra para quê? No livro do Gênesis há uma passagem cuja origem remonta ao século VI A.C. Deus teria dito que era para o homem exercer domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo o animal que se movesse sobre a terra. Interpretado literalmente, o texto dá a entender que era para o homem “subjugar” e “dominar” os animais.
Ó, o que eu suponho é que esse tipo de interpretação atraiu mais ainda a cólera de Deus. Ele decidiu castigar os homens da região, retirando um recurso natural muito importante para eles: as árvores de onde tiravam a madeira tão preciosa para construção de suas casas. Qual árvore? A castanheira americana.
Havia quatro bilhões dessas árvores – mais ou menos o mesmo número de pombos exterminados, olha só. Uma árvore de rápido crescimento, que chegava a trinta metros de altura, tinha relativa resistência ao fogo e, além da madeira, produzia castanhas em larga escala, um dos principais alimentos do pombo-passageiro.
Milhares de celeiros, cabanas e igrejas feitas de castanha ainda estão de pé; um escritor em 1915 estimou que era a espécie de árvore mais cortada da América.
Qual foi a praga enviada por Deus? Foi um fungo. Entre 1900 e 1904, comerciantes importaram do Japão umas castanheiras para lucrar com o seu comércio. Só que essas árvores japonesas chegaram em Nova York com um fungo letal que devastou as castanheiras americanas. Foi um dos maiores desastres florestais presenciados pelo homem no planeta.
Ainda surgem brotos dos troncos, mas também acabam infectados. A boa notícia é que os avanços da genética identificaram meios de alterar o DNA desses brotos para que adquiram resistência aos fungos. Há possibilidade de recuperação da floresta, mas é complicado trazer de volta os pombos a partir do sequenciamento de seu DNA. Existe projeto, mas uma coisa é inserir um gene, outra coisa bem diferente é trabalhar com um genoma completo.
O detalhe que produz viagem na maionese é a coincidência dos números e datas. Quatro bilhões de pombos desapareceram em trinta anos. Logo em seguida, quatro bilhões de árvores também ficaram imprestáveis no mesmo período de trinta anos. Seria coincidência ou castigo de Deus? O que você acha?