Nobel de Economia – A importância das Instituições

Os três ganhadores do Nobel de Economia foram hábeis em demonstrar a existência de vínculo entre prosperidade e o que chamaram de instituições inclusivas. O que são instituições inclusivas? São instituições do governo, do congresso e do judiciário, quando funcionam como deveriam funcionar, na direção do interesse público.

Uma das evidências apresentadas é a cidade de Nogales, uma cidade dividida por um muro com muito arame farpado. A parte norte fica no Arizona, Estados Unidos. A parte sul, em Sonora, um dos 31 estados do México.

As duas populações têm origens semelhantes, ancestrais comuns, a mesma comida e preferências musicais. No entanto, ao norte, padrão de vida americano. Ao sul, os mexicanos são pobres, há muito crime, muita corrupção, máfias, oligarcas, essas coisas típicas de países latino americanos.

A diferença decisiva não é, portanto, geografia ou cultura, mas instituições. As pessoas que vivem ao norte da cerca vivem no sistema americano, onde há o respeito a regras que proporcionam um ambiente econômico onde pessoas e empresas competem em igualdade de condições. Naturalmente, para isso se manter, tem que ter uma justiça confiável, que é a base de tudo que funciona em qualquer parte do mundo.

A cidade dividida de Nogales não é uma exceção. Os laureados pelo Nobel mostraram que a realidade de Nogales faz parte de um padrão no mundo.

Quando as instituições inclusivas conseguem funcionar direito?

É quando se tem um congresso preocupado em fiscalizar o executivo, ao invés de um congresso que só pensa em botar as mãos no orçamento público em benefício próprio. É quando o presidente é capacitado, instruído, cheio de vontade de atuar em benefício do povo, ao invés de só pensar em tenebrosas transações com coisas do estado. É quando juízes e tribunais obedecem às leis, ao invés de usar o poder para censurar, para perseguir quem eles não gostam ou para soltar culpados e condenar inocentes por crimes inexistentes.

– Ah, Marco Polo, mas isso parece óbvio. Os países que se desenvolveram são aqueles com um Estado que funciona minimamente. Os caras ganharam o Nobel só por isso?

Ó, não concordo não. O óbvio parece óbvio, mas não é. O trabalho deles foi um trabalho importante. A população da América Latina, por exemplo, sequer compreende a importância das instituições, da necessidade de proteger as instituições contra a ação nefasta de grupos políticos que só pensam em aparelhar as instituições. Não é por ignorância que viajam na maionese, mas uma questão cultural.

Aqui em Brasília conheço um bocado de gente instruída, que ocupou cargos importantes e não sabe desse óbvio. Não sabe nem o que é democracia. Confunde democracia com ter eleições, com a figura do presidente, o salvador da pátria que o povo pode colocar no trono de tempos em tempos. Olha o tamanho do absurdo: essa gente acha certo quando os poderosos usam o Estado para perseguir inimigos, desde que estes inimigos seja gente que eles detestam.

O brasileiro não entende que o importante na democracia são instituições fortes, que é a forma de defender o ambiente econômico sabe de quem? Dos eleitos pelo povo.

A maior ameaça à democracia vem do povo, quando erra e escolhe presidente analfabeto, ladrão, muito ladrão, com transtornos mentais ou presidente tão despreparado que vira meme nas redes sociais, vira piada. Hitler e Putin chegaram ao poder pelas vias democráticas, você sabia? Há inúmeros exemplos como o desses dois mundo afora, inclusive nos países desenvolvidos.

Os nobéis gostam de exaltar o modelo americano. O problema é que a democracia nos Estados Unidos está correndo risco seja qual for o vencedor das eleições no mês que vem.

Aqui neste canal fiz um vídeo mostrando o incômodo de Donald Trump com as instituições americanas quando ocupou o cargo de presidente. Ele diz que não conseguia fazer o que queria por causa das instituições. Ainda bem! Ainda bem para a saúde da humanidade. Um perigo botar um cara como ele no comando de um país com armas nucleares.

Já o partido da adversária de Trump, Kamala, o partido democrata, também pode ser um perigo para a democracia. Eles andam reclamando da Suprema Corte americana, querendo mudar as coisas que são como são há 200 anos. Sabe qual é a queixa principal? É a corte ter deixado de interferir nas eleições, ter deixado Trump ser candidato. Será que eles querem um supremo obediente?

Seja qual for o resultado das eleições americanas, a democracia no país mais democrático do mundo correrá sério risco sabe de quê? De imitar o Brasil, detonando suas instituições.

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