Oligarcas do Brasil – Quem são? Como vivem? O que querem?

Brasília, a capital federal do Brasil, é um meio-ambiente hostil, onde predadores agem livremente. Eles são animais integrantes da espécie dos oligarcas, um animal voraz, que ocupa o topo da cadeia alimentar mesmo sem frequentar a cadeia. No Maionese Repórter de hoje, você vai saber quem são os principais oligarcas, como vivem, o que querem, sua relação com o poder.

Os oligarcas russos surgiram nos anos 90, durante a transição do comunismo para o capitalismo na Rússia. Grandes estatais sofreram privatarias. Foram vendidas a preços muito baixos a um punhado de pessoas, menos de dez, que se transformaram nos primeiros oligarcas. Os negócios prosperaram em um clima de compadrio com o governo central, que passou a ser controlado por Vladimir Putin a partir do ano 2000. É esse compadrio com o poder central que caracteriza o sistema preferido dos oligarcas, que eu chamo de modelo russo.

Diferente da Rússia que personificou seus oligarcas, no Brasil, os oligarcas não são pessoas físicas, são pessoas jurídicas integradas em oligopólios. Os maiores são os Grupos Itaú e Bradesco. Os mais vorazes são as grandes empreiteiras alvo da Operação Lava-Jato. No Brasil, há oligarquias dominando tudo.

Bancos, telefonia, petroquímica, cimento, distribuição de gás e combustíveis, energia, aeroportos, pedágio em estradas, água e esgoto… O que todos esses setores têm em comum? A fragilidade da concorrência. Oligarca detesta concorrência. Tudo o que você compra em supermercado é fornecido por 30 grupos empresariais. Os dez maiores grupos concentram de 60 a 70% das compras de uma família.

Vamos ver agora a relação com o poder das oligarquias brasileiras. Tem viajante da maionese acreditando que quem manda no Brasil é quem financia as campanhas políticas. Isso é bobagem. As pessoas não têm noção do tamanho das coisas. O poder econômico está pouco se lixando para a política. Financiam campanhas por razões menores, a principal delas é por se tratar de um investimento barato. Os maiores oligarcas, os grandões, dão apoio a todos os candidatos com chance de alcançar o trono. Não importa o partido. Eles não têm lado.

Estaríamos melhor se nossas elites econômicas tivessem interesse em política, no futuro do país, com atitudes concretas em defesa da ocupação dos principais cargos por pessoas preparadas. Infelizmente, não é assim. Nossas elites econômicas só têm interesse no futuro de seus próprios negócios. Você não os vê reclamando do desastre administrativo que tem sido o Brasil nas últimas décadas.

O que querem os oligarcas do governo brasileiro? Não querem nada, só querem não ser incomodados na sua luta por duas coisas: pagar menos impostos e evitar concorrência. É só isso que eles querem do poder. Regalias tributárias e nenhuma concorrência para continuar explorando a população com o imposto privado – um sobrepreço que não poderiam cobrar se houvesse concorrência.

Alguns oligarcas querem mais. São ousados. Tal como ocorreu na Rússia, querem para eles as estradas, a telefonia, petroquímica, portos, aeroportos, água, luz, gás, metrô… Querem se dar bem botando as mãos em grandes negócios estatais, negócios cujos investimentos foram feitos pelo Estado. Alcançar esse objetivo depende de compadrio com o poder público, bem ao estilo dos russos. Para ter compadrio, precisa ter proximidade.

Como se consegue proximidade? Como agem os oligarcas em Brasília? A resposta pode ter sido dada pelo mais astuto e rico dos políticos da capital federal. Um empresário dono de 10% das terras do Distrito Federal. Do seu jeito, ele fala de Brasília como se fosse um balcão de negócios, movido pelo compadrio, pela aproximação com os integrantes dos cargos de poder. Preso por corrupção, Luiz Estevão descreveu o que acontece em Brasília com uma frase de impacto. Ele disse o seguinte:

– “Nesta cidade, de cada 100 caras, 90 são bandidos. E vivem de bandidagem, putaria e sacanagem. Vivem roubando, tomando dinheiro, cobrando comissão, entendeu? Fazendo negócio fajuto com o governo local, com o governo federal”.

É claro que há lobbies que são legítimos, uma coisa natural nas democracias, que está de acordo com a lei, mas até as leis são objeto de negócio em Brasília. O resultado disso é um país sem ordem. Há décadas, o Brasil é um país onde ordem não passa de um sonho, uma ilusão do cidadão que mandou escrever “ordem” na faixa central da bandeira brasileira.

Nossas elites privadas não apreciam regras; usam o dinheiro para impor regras que atendam a suas conveniências. Por isso, preferem um rei que seja frouxo, com um passado que o torne vulnerável. Preferem alguém medroso, incapaz de comprar briga com eles, preferem um Rei que quer agradar todo mundo. Não precisam fazer nada para ter isso, porque nossas elites que comandam a política querem o mesmo.

Os oligarcas dos partidos políticos, gente que domina o parlamento, também aprecia esse perfil, porque fica mais fácil obter poder. Por isso, os partidos preferem candidatos a Rei que sejam políticos profissionais com um histórico de compadrio, de conchavos, uma gente bem adaptada ao modelo russo.

Os economistas Tomas Casas e Guido Cozzi de uma universidade suíça criaram o Índice de Qualidade das Elites, um trabalho inovador para avaliar elites que dão mais para a sociedade do que tiram dela. O Brasil ficou muito mal, na posição 81 entre 151 países. Dos dez países da América Latina que participaram da pesquisa, só ficamos à frente de Argentina e Venezuela.

Sobre esta pesquisa, o economista Pedro Fernando Nery em sua coluna no Estadão, de 08/12/2020, afirmou que, no Brasil, a elite concentra seus esforços e recursos não em ser produtiva para o país, mas em conquistar favores e privilégios. Neste artigo, Pedro Nery fala dos mecanismos que permitem que os mais ricos paguem menos impostos que os mais pobres. Fala também da necessidade de abertura comercial do Brasil. Os oligarcas têm proteção tarifária contra produtos estrangeiros, têm regulações que criam barreiras à entrada de novas empresas no mercado.

Aqui no reino do céu o Maionese Repórter conversou com espíritos de luz. Apurou que nenhum oligarca vai conseguir entrar aqui quando chegar sua hora.

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