A acusação de abuso de poder econômico em uma eleição aplica-se apenas quando o dinheiro é necessário para obter vantagem competitiva sobre os oponentes. A lei foi pensada para evitar o que ocorre em municípios e estados pequenos, mas não em um Estado grande como o Paraná para um cargo como o de Senador. Menos ainda contra alguém como Sérgio Moro, uma figura lendária no Paraná, conhecido por todos no Brasil, com popularidade suficiente para ser eleito presidente da república sem precisar gastar um centavo. Isso aterroriza os oligarcas brasileiros.
Você sabe o que é a tentativa de aplicar essa tese ao Sérgio Moro? Sabe o que é? É uma tremenda viagem na maionese, um atentado à inteligência dos paranaenses, à vontade do povo expressa nas urnas. Um ataque à democracia. Deveria ter sido negado o pedido de abertura do processo. O pedido, isso sim, é tentativa de abuso de poder por parte dos dois partidos autores da ação, um deles é o partido do presidente da república – o vingativo.
Não dá para explicar a um americano que ele está sendo processado porque gastou, por exemplo, com segurança, uma acusação das mais absurdas, mas que está no processo. O juiz botou na cadeia bandidos poderosos, recebe ameaça do PCC e não pode se proteger sem ser acusado de abuso? Como é que um americano vai entender essa maluquice?
– Ah, mas ele gastou muito mais que seus adversários?
– Não. Gastou o mesmo de seus dois principais concorrentes, que perderam.
Incluíram no processo contra ele até mesmo gastos que não tinham nada a ver com sua campanha ao Senado. Incluíram gastos de pré-campanha da candidatura à Presidência da República pelo partido Podemos, que ele acabou desistindo para concorrer ao Senado por outro partido.
Se fosse nos Estados Unidos, caberia processo contra os autores da acusação, que seriam considerados litigantes de má fé. Sabe quem são eles? Você sabe quais são os interesses envolvidos?
Sabe quem assumiria o lugar de Sérgio Moro no Senado? O concorrente dele que perdeu a eleição, que ficou em segundo lugar. Ele é Paulo Martins, do PL, um dos dois partidos autores das acusações. Paulo Martins assumiria o mandato de Sérgio Moro até ser realizada nova eleição – beneficiado direto. E mais. Sabe como esse Paulo Martins ingressou no parlamento em 2016? Ele era o 4º suplente.
Tomou posse em 2016, após o afastamento de dois titulares; o impedimento do primeiro suplente, que estava preso; e a licença do segundo-suplente, nomeado secretário no governo do Paraná. O perdedor quer repetir a proeza de assumir mandato sem ter votos.
O outro interessado é o partido do atual presidente, que Moro sentenciou à prisão. Entendeu? Lula já confessou que seu objetivo era ferrar com Sérgio Moro. Ele usou outro termo parecido, um termo chulo, que não quero repetir.
Coitado de Sérgio Moro. Processado por inimigos poderosos, um deles querendo vingança, o outro querendo a vaga dele no Senado.
Aqui no Brasil, o relator gastou 200 páginas para votar à favor de Moro. Isso foi um erro. Quanto mais escreve, mais legitima um processo que não deveria existir. Um desperdício de tempo, um apego à discussão de formalidades, ao invés de considerar a lógica do mundo real. Bastava uma página denunciando que o processo não devia ter sido aceito.
Agora vou falar de uma consequência da maior gravidade para a democracia, provocada por este processo ter passado a existir. O parlamentar passa a ter medo de ser condenado. Sérgio Moro foi constrangido no exercício de seu mandato por receio de ser cassado. No jornal de hoje, 2 de abril, o brilhante colunista político Luiz Carlos Azedo diz que ele passou de herói da Lava-Jato a zumbi no Senado.
Até agora, foi um Senador apagado, que se humilhou diante de Flávio Dino na sabatina e chegou a procurar Alexandre de Moraes por motivo não divulgado. Ingênuo para o nível da nossa política, ele foi usado por quem só desejava usufruir da sua popularidade. Abriu mão do emprego de juiz para ser ministro, se ferrou, e agora corre o risco de perder o mandato de Senador. Suspeito que não sossegar até ver ele preso ou exilado.
Se conseguir escapar do TRE do Paraná, o processo pode subir para o TSE e acabar no STF de Gilmar Mendes, outro inimigo declarado dele. Já acusou Sérgio Moro de um monte de coisas graves sem base. Não preciso explicar o que isso significa. O mandato dele está irremediavelmente comprometido. Ele está nas mãos de seus inimigos. No Senado, vai continuar apagado, derrotado pelo lado negro da força. O mesmo que ocorreu com seu colega Deltan Dallagnol, o deputado mais votado do Paraná. Os votos dos paranaenses para Senador e Deputado foram parar na lata de lixo.