O Senado convocou o Diretor-Geral da PF para esclarecer truculência política contra o youtuber português Sérgio Tavares, detido para interrogatório no aeroporto de Guarulhos no dia do evento de Bolsonaro na Paulista em 25 de fevereiro, que ele veio cobrir. Houve o depoimento no dia 19 de março. A PF embromou os senadores e não explicou o inexplicável. No dia seguinte, o que saiu nos jornais? Nada. Silêncio total. Silêncio preocupante para a democracia.
O depoimento no Senado me lembrou o Chacrinha, o bordão deste antigo apresentador de TV, o velho guerreiro, que fez sucesso por 30 anos. Ele dizia o seguinte: vídeo. “Eu vim para confundir, não vim para explicar.” No programa Buzina do Chacrinha ele carregava uma buzina pendurada no pescoço que ele apertava quando o cantor desafinava. Esse depoimento da PF merecia buzinada do início ao fim, fon fon.
Retido pela PF por pelo menos três horas, Sérgio Tavares, até então era um completo desconhecido no Brasil. Ao desembarcar, foi retido na Delegacia da PF no aeroporto por três horas, algo típico de uma polícia política, já que o motivo do achaque teria sido ele ter falado alguma coisa que o STF não gosta de ouvir. Será que o canal dele vinha sendo monitorado por algum poder paralelo? Será que a PF virou instrumento desse poder?
Liberado em seguida. O português foi para a Paulista e acabou no palanque lá no alto, onde contou o que aconteceu para o povo nas ruas e prometeu denunciar o Brasil por perseguir as pessoas por crimes de opinião, como se fosse uma república de bananas. O desconhecido ficou famoso graças à lambança da PF.
Ao perceber a besteira que fez, o tiro no pé, o vexame internacional iminente, a Polícia Federal cometeu outro erro. Mentiu em uma Nota Oficial, em que tentou disfarçar, dizendo que o motivo da retenção do gajo, que chamou de “indivíduo”, seria algo corriqueiro, relacionado com verificação de visto para trabalhar no Brasil como jornalista. Fon Fon
Mentira. Exigência deste visto é só para permanência superior a 90 dias, o que a PF sabia muito bem que não se aplicava ao caso do português.
A PF que a gente se orgulhava parece que entrou de férias. Tirou um visto para viajar na maionese. Só pode.
Sérgio Tavares atua como mídia independente e como correspondente de veículos de imprensa na Europa. Era de se esperar que seus colegas brasileiros, os principais profissionais de jornais e televisões, manifestassem um vigoroso repúdio a esse atentado à liberdade de imprensa. Era de se esperar que nossos jornalistas exigissem do governo brasileiro desculpas públicas pelo erro cometido contra um colega.
Porém, o que se viu foi o contrário. Mostrei em um vídeo que somente a TV Bandeirantes noticiou a retenção do português no aeroporto, com a ênfase de um jornalismo de verdade, um jornalismo digno. Os demais grandes veículos, jornais e TVs, ignoraram o assunto ou apenas se limitaram a registrar a ocorrência, ainda por cima usando títulos minimizando o fato.
Por que isso? Será que é porque o português defende posições políticas de direita? Será que Bolsonaro está coberto de razão quando diz que a nossa mídia escolheu um lado?
Após o depoimento no Senado em 19 de março, nada, o silêncio da mídia… um silêncio incompreensível em uma democracia. Acompanhe este canal, porque só aqui sua atenção é despertada para a importância do que não se vê. Sempre repito que se você quer chegar na verdade, procure o que deveria ver, mas não vê.
O Senador Eduardo Girão, indignado com o episódio, cumpriu seu papel como senador, o papel de fiscalizar o Poder Executivo. Ele tem se destacado por sua coragem de se opor ao abuso de poder, à perseguição política e à censura às redes sociais.
Ele queria a presença no Senado do Ministro da Justiça para dar explicações. Pressionado, aceitou apresentar requerimento convocando o Diretor-Geral da PF. No entanto, quem veio na terça-feira 19 de março foi um representante subalterno, o Sr. Rodrigo de Melo Teixeira – Diretor de Polícia Administrativa – DPA/PF. Fon Fon
Qual foi a primeira coisa que Rodrigo disse (minuto 11:30)?
Vídeo seguido de fon fon
Traduzindo, ele disse: o motivo foi técnico. Para o bom entendedor, meia palavra basta. Sua missão no Senado seria seguir tapando o sol com a peneira, tal como a PF havia tentado fazer naquela Nota Oficial.
O valente Senador Eduardo Girão, autor do requerimento de convocação, abriu a sessão solicitando de Rodrigo dados concretos (minuto 17:30) sobre a frequência com que vem sendo feita esse tipo de abordagem a estrangeiros e qual o seu respaldo legal. Perguntou sobre a necessidade de visto de trabalho que constava da nota oficial da PF. Perguntou se existe uma estrutura da PF monitorando as pessoas, brasileiros e estrangeiros. E mais. Se essa estrutura de monitoramento estaria subordinada a algum ministro do STF. Olha só o que ele perguntou. Eduardo Girão é valente mesmo.
Rodrigo negou (minuto 25:30). Disse que a PF não tem nenhuma ferramenta de investigação política, mas… mas tem apenas um sistema de monitoramento de fontes abertas, como redes sociais. Um sistema com uns alertas, uns 143.000 alertas, que são luzinhas amarelas, que podem gerar ordem de entrevistar o estrangeiro em aeroporto. Ou seja, não tem, mas tem. Você entendeu? Não? Nem eu. Fon Fon
Rodrigo não trouxe nenhum dado concreto, nenhuma estatística sobre esses 143.000 alertas, seus motivos e fontes, que podem até ser 99% oriundos de outros países. Rodrigo também não trouxe a informação mais essencial para defender a PF da suspeita de ter se transformado em polícia política. Não trouxe nenhuma das publicações do português que teriam dado origem ao alerta contra ele. Eu disse nenhuma. Fon Fon
Os parlamentares saíram da reunião frustrados, sem saber o que constava da rede social do Sr. Sérgio Tavares, que a PF supõe que seria ataque à honra de ministros do STF. Saíram sem saber quais seriam as supostas manifestações favoráveis de Sérgio Tavares ao que Rodrigo classificou como “movimento golpista de 8 de janeiro”.
Rodrigo, porém, confessou que a PF não tinha nada contra o português. O alerta não foi motivado por processo de algum ofendido aberto contra ele. Confessou, também, que as perguntas à Sérgio Tavares vieram de Brasília, não foram de iniciativa dos servidores do aeroporto, mas não esclareceu quem as elaborou, nem de quem partiu a ordem para incomodar o português.
Enfim, o delegado foi escalado para confundir, não foi para explicar. E acabou bem-sucedido como Chacrinha em sua missão no Senado.
Sabe o que é motivo de preocupação para todos aqueles que prezam a democracia? É o que estava estampado nos grandes jornais do dia seguinte. Sabe o quê? Nada. Nada sobre o depoimento no Senado Federal. Nem mesmo notinha só de registro para disfarçar, não passar em branco.
Estarrecedor o que está acontecendo no Brasil. Será que há um poder paralelo de algum mané sem noção, um autêntico viajante da maionese que está a controlar a mídia e a PF? O que você acha?