Mark Manson – Um Buda ao contrário?

Nova York é onde vive Mark Manson, um jovem playboy americano que começou a ficar rico aos 32 anos com este seu primeiro livro de 2016, que entrou para a lista dos mais vendidos no mundo, superando a casa dos 14 milhões de exemplares, sendo 1 milhão no Brasil segundo a Publishnews. Ele diz que é um livro de autoajuda para quem detesta livros de autoajuda.

Neste vídeo, vou falar do capítulo 6, cujo título é “Você está errado em tudo (eu também)”. Dos 9 capítulos do livro, este capítulo 6 é o que mais tem a ver com a teoria da viagem na maionese.

Antes, vou falar um pouco de Mark Manson e da brasileira com a qual ele se casou.

Quem é Mark Manson? Ele seguiu trajetória parecida com a de Buda, só que na direção contrária. Vou explicar.

O Buda era um príncipe no Nepal, que recebeu educação moderna, como essa que é dada pelos pais dos dias atuais. Ele tinha tudo o que queria, vivia no bem bom, sem sair do cercadinho em volta do palácio, onde sua família o protegia demais. Um dia, Buda resolveu largar tudo e fugir. Fugir para quê?  Para conhecer o sofrimento humano, coisa que parecia não existir no cercadinho.

Assim como Buda, Mark Manson também recebeu educação moderna. Um dia, ele também resolveu largar tudo para trás, mas foi para curtir a vida adoidado viajando pelo mundo. Ele conheceu 50 países, inclusive o Brasil.

Mark Manson é um cara observador. Ele aprendeu muito sobre a vida com os próprios erros. Tornou-se, talvez, o principal filósofo do século XXI. Seus livros transmitem sabedoria de um jeito agradável de ler, como se fosse uma conversa de bar. 

Depois de ficar rico com a própria sabedoria, ele passou a curtir a vida de outra forma. Não é mais adoidado. Ele gasta o seu tempo ajudando os outros, ensinando as pessoas a não cometer os erros que ele cometeu, evitando que sofram usando o método mais doloroso de aprendizado, aquele que todo o mundo usa: o da tentativa e erro.

Olha ele aí dando curso, ensinando o valor da resiliência.

No Brasil, antes de fazer sucesso, Mark Manson conheceu uma brasileira e se casou com ela, a Fernanda Neute, que tinha perfil e história de vida muito semelhante a dele. Nos agradecimentos do livro, Mark Manson revela que, antes de ficar pronto, o texto estava uma bagunça e ele precisava de ajuda para transformar em algo compreensível. Fernanda o ajudou com seu feedback, sempre dizendo ‘não’ quando ele mais precisava de um ‘não’.

Ela também é uma pessoa que vale à pena acompanhar nas redes sociais. Olha ela aí oferecendo dicas preciosas para planejar a vida.

Bem, agora vamos ao capítulo 6 do livro.

O capítulo é sobre a tendência do ser humano de viajar na maionese, de arrumar explicação para qualquer coisa na velocidade da luz, explicação em que ele passa a acreditar, vira uma crença, que vai sendo reforçada até se transformar em certeza, muita certeza, certeza tão grande que passa a servir de base para a pessoa decidir seus caminhos.

O próprio Mark Manson passou por coisa assim antes de amadurecer e entender que o caminho para aproveitar a vida e ser feliz de verdade era muito diferente daquele que ele havia escolhido. Em determinado momento, Mark olhou para trás, fez uma autoavaliação e percebeu que estava muito errado. Vejam o que ele diz:

– “Passei boa parte da vida equivocado em relação a mim mesmo, aos outros, à sociedade, à cultura, ao mundo, ao universo – a tudo. … Assim como Mark de Hoje pode olhar para trás e ver cada defeito e erro do Mark do Passado, um dia, o Mark do Futuro vai olhar para as ideias do Mark de Hoje (incluindo este livro) e perceber falhas semelhantes. … Quando aprendemos algo novo, não passamos de errados a certos. Passamos de errados a um pouco menos errados.”

Mark achava que a felicidade era determinada pelo destino, que o amor era algo que simplesmente acontecia, que não exigia esforço e empenho.

Destino? Você acredita em destino? Acredita que coisas boas na sua vida vão surgir por magia? Sem empenho e esforço? Muita gente, como Mark, embarca nessa crença tola, desperdiçando tempo de vida com essa viagem na maionese.

Neste capítulo 6, Mark fala de experiências científicas demonstrando que a mente humana é rápida em criar e acreditar em um monte de bobagens irreais. O ser humano é muito bom em se autoconvencer e acaba obcecado por suas certezas a respeito da vida, tanto que acaba não vivendo.

Ele prossegue com três afirmações que este canal da maionese assinaria embaixo:

  1. A certeza é inimiga do crescimento. É necessário aceitar que há imperfeições nos nossos valores e crenças.
  2. Ao invés de lutar em uma vida repleta de certezas, devemos sempre alimentar as dúvidas em todos os campos, em nossas crenças e nossos sentimentos.
  3. Em vez de tentarmos estar certos o tempo todo, que tal enxergar o oposto? Que tal aceitar que estamos errados o tempo todo? Porque estamos mesmo.

Mark conclui que o cérebro é uma máquina de gerar significados, de analisar efeitos e concluir suas causas, se apegando a crenças que o torna tendencioso. No fim, mesmo quando surgem evidências que contradizem nossas crenças, preferimos ignorá-las e manter estas crenças.

Mark Manson criou a Lei da Evasão de Manson. O que diz esta Lei? Ela trata da resistência a mudanças nas próprias crenças, crenças que acabam confundidas com a sua identidade, um detalhe importante. Ou seja, o sujeito passa a achar que o que ele é tem a ver com o que ele acredita. O que diz a Lei da Evasão de Manson?

– “Quanto mais alguma coisa ameaça sua identidade, mais você a evitará.”

– “Ou seja, quanto mais alguma coisa ameaça mudar a visão que você tem de si mesmo, sua autoavaliação de sucesso ou fracasso, sua autoavaliação em relação aos próprios valores, mais você evitará fazê-la.”

No capítulo 2 do livro, Mark conta sua versão do motivo pelo qual o Buda resolveu fazer sua própria autoavaliação. Como ele fez isso? Ele sentou embaixo de uma árvore por 49 dias, atingiu o Nirvava e levantou iluminado.

Olha só. Há mais coisas em comum entre Mark e Buda. Percebeu? Mark ficou rico depois de uma autoavaliação, enquanto Buda também ficou rico em luz, saiu iluminado da sua autoavaliação, encontrou o Nirvana.

Parece que o segredo de Mark e do Buda foi uma autoavaliação bem-sucedida. Porém preciso fazer um alerta: não tente fazer autoavaliação em casa. Você pode se machucar.

Não tem perigo de dar certo sem um detalhe importante. Para dar certo, ANTES, você precisa ser portador da virtude da humildade. Sem humildade, você não consegue fazer autoavaliação. Vai prosseguir botando defeito em tudo, em todos, neste meu vídeo, permanecendo fiel a certezas que você cultiva há anos. A humildade é básica para poder lançar um olhar crítico sobre nós mesmos, nossos comportamentos e atitudes perante a vida e perante os outros.

A má notícia é que essa humildade, no grau em que é necessária para fazer autoavaliação, só costuma surgir depois que você está na lama, deprimido, após perceber que suas certezas o levaram para o buraco. Recomendo treinar humildade.

A frase que mais gosto no livro é uma das que mais contribuiu para a inspiração que me levou a criar este Canal do Viajante da Maionese:

– “Bem, eu sempre estou errado em relação a tudo, e é por isso que minha vida está em constante melhora.”

Mark aprendeu que ter dúvidas não é sinal de fraqueza. Ao contrário. Quanto mais tolo, mais certezas o sujeito carrega, mais frases feitas ele repete, mais regras gerais ele inventa. Os sábios, as pessoas iluminadas, cem por cento delas possuem a virtude da humildade, o pré-requisito mais importante para avaliar qualquer coisa, inclusive a si próprio.

Este post tem 2 comentários

  1. Zé Caixeta

    Excelente. Autoavaliar presume humildade. A autocrítica é muito produtiva, acho. – “Bem, eu sempre estou errado em relação a tudo, e é por isso que minha vida está em constante melhora.”. Estou de acordo, muito de acordo. Valeu, Comandante MP!

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