Nesta semana, a Tesla, montadora pioneira no segmento de carros elétricos, entrou para o seleto clube de empresas avaliadas em US$ 1 trilhão depois que suas ações dispararam 12,7% na Nasdaq na segunda-feira. A Tesla passou a integrar o seleto clube que inclui Apple, Microsoft, Amazon e Google.
O motivo foi o anúncio da maior encomenda de todas: 100 mil veículos para entregar em 14 meses. Quem comprou foi a Hertz, locadora de automóveis. O negócio tem o valor de US$ 4,2 bilhões, envolvendo o modelo 3 da Tesla, representando um quinto da frota mundial da Hertz. A locadora também construirá uma rede de estações de recarga para abastecimento dos veículos elétricos.
Elon Musk tem participação de 23% na Tesla. Suas ações passaram a valer US$ 230 bilhões.
Em 2019, antes da pandemia, a Tesla teve receita de US$ 25 bilhões e vendeu 367 mil veículos. O mercado financeiro é viajante da maionese. Como é que pode valer um trilhão uma companhia que fatura 2,5% disso? Está nos planos explicar isso em breve. Inscreva-se no YouTube e no site para ser avisado dos posts e vídeos.
Enquanto a Tesla sonha em vender 1 milhão de veículos por ano, a Toyota vendeu 10 milhões em 2019 e seu faturamento foi dez vezes maior, de US$ 281,2 bilhões. Porém, a Tesla vale mais que a Toyota por conta das expectativas futuras de um mundo financeiro impregnado de maionese.
Com base nestes números que citei, vou partir para uma sessão viagem na maionese, baseada em hipóteses sem nenhum respaldo nos fatos conhecidos.
Suponhamos que todos os envolvidos acreditavam que o negócio da compra dos cem mil veículos tinha grande chance de provocar uma alta substancial na cotação da Tesla, superior a 10% conforme ocorreu, o que proporcionaria a Elon Musk aumentar sua fortuna em US$ 25 bilhões.
Assim, o simples anúncio do negócio produziria dinheiro suficiente na Bolsa para cobrir o custo de US$ 4 bilhões dos 100 mil carros contratados pela Hertz e ainda sobrariam US$ 21 bilhões de aumento na fortuna de Elon Musk.
Se você fosse Elon Musk, você seria capaz de combinar com a Hertz de pagar por fora o custo dos carros contratados e ainda dar uma gorjeta de um bilhão de dólares para os executivos da Hertz responsáveis pela decisão de fazer negócio com a Tesla ao invés da Toyota?
Se você não entendeu, eu vou repetir de outro jeito. Um simples anúncio de negócio de US$ 4 bilhões foi suficiente para aumentar a fortuna pessoal de Elon Musk em US$ 25 bilhões da noite para o dia, dinheiro suficiente para dar de presente os cem mil carros, mais uma gorjeta de US$ 1 bilhão e ainda manter sua fortuna aumentada em US$ 20 bilhões.
Claro que isso que estou falando é só viagem na maionese. Não ocorreu. Não é um fato. Mas… não deixa de ser uma hipótese viável em um mundo abarrotado de dinheiro em que os ativos financeiros superam em centenas de vezes os ativos reais. Também devo falar disso em breve.
Ah, eu sei que, ao ler o título, você viajou na maionese, esperando que eu falasse de alguma fórmula mágica para se dar bem, ganhar 1 bilhão fácil. O problema é que o rio corre para o mar. Para ganhar uma gorjeta bilionária e mais uns carros elétricos você precisaria ocupar cargo que lhe proporcionasse poder de decisão em uma grande empresa como a Hertz.