A humanidade existe há 300.000 anos. Nos primeiros 299.800 anos os humanos viveram duas Eras, a Era dos Caçadores-Coletores e a Era Agrícola. Os últimos 200 anos, constituem um ciclo curto, que já está se encerrando, chamado: “A Era da Maionese”. Você está no fim da Era da Maionese Industrializada. A próxima Era, a que está perto de se iniciar, será chocante, um futuro que pode ser bem diferente daquele que está na sua cabeça, guiando os seus planos.
O ser humano avalia o mundo olhando pelo retrovisor, com base nos últimos 50 anos, em que ocorreu a vida de seus de pais e avós. O viajante da maionese tem escassa percepção para tempo mais longo que o de uma vida. Ele não costuma confrontar como era o normal antes, durante os anos anteriores à maionese industrializada. Isso seria importante, pois há muita crença herdada de tempos passados, tempos rurais, que não encaixam direito no mundo urbano de hoje em dia.
Como era antes? Até uns 200 anos atrás, a vida era vivida no campo. Em 1800, havia 1 bilhão de humanos, dos quais 93% viviam felizes no campo. Como era o trabalho nesta época? Para explicar, vou recorrer a um dos maiores especialistas na história do trabalho humano, o italiano Domenico de Masi.
Li seus principais livros, inclusive o mais conhecido deles: “O Ócio Criativo”. Ele define o trabalho de uma forma curiosa, dizendo que: “O trabalho é um vício recente.”
Na Era Pré-Industrial, explica De Masi em seu livro “O Futuro do Trabalho”, a nobreza não trabalhava, ao contrário dos ricos de hoje em dia. A plebe trabalhava, mas não como os escravos modernos. O trabalho no campo ocupava não mais que quatro ou cinco horas por dia, bem divididas. Eram umas horinhas no início da manhã e outras no fim da tarde, horas em que o Sol incomodava menos. Além disso, os camponeses ficavam inativos muitos meses por ano (durante o inverno). O tempo livre era preenchido em um número enorme de festas, antes pagãs, depois cristãs.
A procriação era um investimento atraente em termos de trabalho e previdência. Filhos eram o plano de previdência dos pais e, também, empregados de confiança para ampliar a renda do núcleo familiar. Os pais não se preocupavam com o futuro dos filhos, que não precisavam arrumar emprego para sair de casa. Quando se casavam, os filhos construíam suas habitações ali por perto, onde iam morar e constituir família. Os que não tinham como ajudar no trabalho, seja por deficiência física ou psicológica, encontravam amparo em alguma casa do extenso clã familiar.
Assim, o trabalho e a família eram interligados, além de proporcionar vidas em harmonia com a natureza em um ambiente rural. O desemprego não era problema no campo.
Após 1800, no início da atual Era da Maionese, a era urbana, os economistas criaram a taxa de desemprego urbano. Isso ocorreu em uma época em que predominava o desemprego voluntário. Ninguém queria trabalhar nas cidades. Poucos eram os que se submetiam a trabalhar 8, 10, 15 horas por dia, em troca de uma vida insalubre em cidades pestilentas, lotadas de ratos e condições de higiene impensáveis nos dias de hoje.
A metodologia de apuração do desemprego ainda é a mesma desses tempos antigos, razão pela qual as pessoas estranham os baixos patamares das taxas de desemprego. No Brasil, o IBGE viaja na maionese considerando desempregado apenas quem procurou e não achou emprego nos últimos 30 dias. A estatística oficial do IBGE fala em 14 milhões de desempregados. Não inclui os desalentados que cansaram de procurar emprego (6 milhões). Não inclui também os que vivem de bicos, os que o IBGE classifica em subocupados (7 milhões) e subutilizados (32 milhões). Somando todos, chega-se mais próximo de um quadro real de desemprego, um total de 60 milhões de pessoas em situação de trabalho precário. É mais que a população somada de 3 países vizinhos, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Já em 1999, Domenico de Masi alertava para fatos que detectava em pesquisas, tais como empresas com mais de 500 empregados expandindo sua produção em 18%, enquanto reduziam o número de trabalhadores em 22%. Ele tentou abrir os olhos das pessoas para uma realidade em que o mundo das máquinas mudava mais rápido do que os hábitos, mentalidades e normas. Ele fala de um sistema econômico incapaz de fazer frente não só à destruição dos empregos, como também à destruição do meio-ambiente, que ameaça a vida no planeta.
Nos próximos vídeos desta série, vou falar das mudanças que já ocorreram, que as pessoas pouco ouvem falar. São muitos os sinais do fim da Era da Maionese, que está se aproximando. Hora de olhar para o horizonte, mas com olhos de cisne negro do Nassim Taleb e não com um olho no retrovisor, conforme a maioria faz.
Garanto a você que se acompanhar os vídeos deste canal vai ter a oportunidade de tomar conhecimento de muitos fatos que você não vai ver em lugar nenhum, só aqui.
“A nossa sociedade pós-industrial, que começou depois da 2ª Guerra Mundial, nasceu sem um modelo de referência. Sem modelo de referência, para nós é difícil entender o que é bonito, o que é feio, o que é bom, o que é mau, o que é verdadeiro, o que é mentira, o que é masculino, o que é feminino.” (Domenico de Masi)