Médico pode viajar na maionese?

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Você acha que pode? O presidente do CFM – Conselho Federal de Medicina – disse que pode. Escreveu artigo em jornal defendendo que o médico teria autonomia para prescrever o remédio que bem entender, até mesmo remédios do tal tratamento precoce, o kit covid. Está certo isto? O que você acha?

O Presidente da Associação Médica Brasileira, o sensato médico César Eduardo Fernandes, disse o oposto. Na manhã de ontem, assisti uma entrevista que ele concedeu à GloboNews, que me inspirou a fazer este vídeo para esclarecer certas coisas deprimentes, típicas de países cucarachos.

Já havia visto outra entrevista dele, de 5 meses atrás, em que ele esclareceu a diferença entre autonomia e liberdade. O médico tem autonomia, não liberdade. Autonomia é para indicar este ou aquele remédio dentre aqueles referendados pela ciência. Por isso, ele recomenda aos médicos banir o tratamento precoce, o kit covid, por ser condenado pela ciência no mundo todo.

Até onde sei, se o médico quer transformar seus clientes em cobaia, ele não pode fazer isso sem controle do poder público. Há um órgão no Ministério da Saúde só para isso. Ele recebe os pedidos de pesquisas, deve analisar e conceder autorização para essas experiências com cobaias humanas. Chama-se Conep – Comissão de Ética em Pesquisa. Usar cobaia humana em medicina envolve questões éticas, sujeitas a controle do Estado, não é coisa que fica a critério de médico.

Por que será, então, que o tal presidente do Conselho Federal disse o que disse? Que médico pode indicar o remédio que bem entender?

Você sabe o que é um Conselho Federal? Para que serve? Esses conselhos federais são órgãos cartoriais. Sua presidência é alvo de cobiça em função do controle sobre verbas de caráter público, muita verba oriunda de taxas que podem impor aos profissionais, um pedágio cobrado todo ano em troca de autorização para que exerçam suas profissões. Não basta o diploma, tem que ter essa autorização.

Tudo isso é legal, baseado em leis que conseguiram aprovar no Congresso.

Sabe como é que esses conselhos começam a existir? Vou dar o exemplo com o Cref, o de Educação Física. Um grupo interessado no negócio vai até um deputado e pede para ser o patrono da categoria. De olho nos votos da categoria, o deputado assina um projeto de lei transferindo a eles a prerrogativa de regulamentar o exercício da profissão. Um poder enorme. Um cheque em branco. A lei acaba aprovada.

Então eles saem incluindo o que bem entendem na regulamentação. Por exemplo, até professor de dança eles exigiam que fosse formado em educação física. O Brasil cartorial é desse jeito. E ninguém faz nada.

Para chegar à presidência desse negócio de conselho, rola muita política. No de enfermagem, seu presidente foi preso em 2005, sob acusação de roubo e até mesmo de assassinato de seus colegas em uma briga pelo poder.

Recentemente, centenas de conceituados médicos tiveram que se posicionar contra o seu suposto representante máximo, o presidente do CFM, depois que ele chegou ao ponto de divulgar um vídeo contra a CPI, sob medida para o presidente da república negacionista, que postou este vídeo nas redes sociais.

Envergonhados, os médicos  assinaram manifesto de repúdio ao presidente do CFM, dizendo que ele não os representa. Olha só. Viagem na maionese contaminando a medicina com política, confundindo a cabeça da população que não sabe nada do que estou esclarecendo aqui.

Pra encerrar, ontem assisti ao Octávio Guedes da GloboNews perguntar ao sensato César Eduardo Fernandes se antes ele já tinha visto isso que está acontecendo atualmente na medicina brasileira.

O sensato César Eduardo Fernandes respondeu que a política é que tem que fazer concessões à ciência. Não o contrário, como se tem visto no Brasil durante a pandemia. Completou dizendo que jamais havia visto algo assim em seus 45 anos de exercício da medicina.

Quem está inscrito aqui no canal sabe que existem viagens na maionese coletivas. Agora sabe que existem viagens na maionese privativas de categorias profissionais, confundindo a população em um momento delicado de uma pandemia. Uma vergonha essas coisas. A sabedoria popular diz que se conselho fosse bom, não seria dado, mas vendido. Conselho seria algo vendido…

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