O Bóson de Maionese I – A 5ª Força

Segundo a física, existem 4 forças fundamentais: gravidade e eletromagnetismo e as forças fraca e forte, que atuam no interior de núcleos atômicos. Porém, a física do século XXI tem forças que não contaram para você. A 5ª força, por exemplo, é a força dos cortes orçamentários.

Os físicos conhecem a 5ª força melhor do que eu, que sou economista. Esta mesma 5ª força agiu em 2008 nos EUA, na crise do subprime. Ela exerce uma pressão tão forte, que é capaz de destruir máquinas gigantescas como foi o caso do Tevatron, um acelerador de partículas com anel de 6 km, que fica em Chicago, construído pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, hoje operado por um consórcio de Universidades, liderado pela Universidade de Chicago.

O Tevatron era o concorrente do LHC, Large Hadron Collider, do CERN, que fica entre a França e a Suíça, com um anel de 27 km enterrado no subsolo, a quase 200 metros da superfície. Os dois aceleradores, o americano e o europeu, estavam apostando corrida para ver quem descobria primeiro o Bóson de Maionese.

O que aconteceu com o Tevatron? Depois da crise americana de 2008, seu orçamento sofreu cortes e o Tevatron não resistiu. Fechou 3 anos depois, em setembro de 2011.

A 5ª força, a força dos cortes orçamentários, destruiu o Tevatron e também matou o seu sucessor que estava em fase de projeto, o Internacional Linear Collider. A confirmação do fato está na Wikipedia, pesquisando Tevatron e ILC, e também em matéria de Scientific American.

Agora vamos à situação financeira do acelerador de partículas europeu, o LHC. Em 2010, com o agravamento da crise econômica da Europa, os países membros do comitê de finanças aprovaram redução de orçamento para o CERN ao redor de 70 milhões de dólares anuais para o período de 5 anos, entre 2011 e 2015.

No dia em que o tamanho do corte foi definido, estava bem apreensivo o físico alemão Rolf-Dieter Heuer, o Diretor-Geral do Cern. Ele suspirou aliviado ao tomar conhecimento de que o corte havia sido de apenas 7% para o quinquênio de 2011 a 2015, conforme revela esta matéria. Entrevistado pela agência AFP, seu porta-voz James Gillies disse: “O Diretor-Geral está extremamente satisfeito com o resultado, dado o clima econômico”.

É claro que ele passou a temer que o LHC poderia acabar do mesmo jeito que o Tevatron acabou. Esse temor fez o CERN acordar e decidir que era hora de mostrar seu valor.

Dentro do CERN, o Diretor-Geral passou a cantar todo dia esta música  Brasil Pandeiro:

Chegou a hora dessa gente irradiada mostrar seu valor ôô

Eu fui ao Papa, fui pedir ao Padroeiro para me ajudar áá

Salve o Cern, os meus vinténs, pendura as contas, que eu quero ver

Eu quero ver o Tio Sam botar dinheiro pro bóson achar

 O Tio Sam está querendo estragar a nossa empreita-adá

Anda dizendo que o Te-va-tron vai encontrar…

Vai entrar no cuzcuz, acarajé e vai se lascar

Na Casa Branca já bateu o desespero de iô iô e iá iá…

Para justificar o bilhão de dólares anuais usado para sustentar suas despesas de manutenção e seus 2 mil pesquisadores  nada melhor do que descobrir algo fenomenal, como partículas abençoadas por Deus – algo como o Bóson de Higgs, que o concorrente Tevatron não conseguira durante o seu tempo de vida.

No próximo post, você vai ver que o Tevatron morreu em 2011, mas seu fantasma continuou a assombrar o CERN em 2012.

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