Um canhão lança elétrons em direção a uma placa detectora. No meio do caminho, foi colocada uma barreira com uma fenda. Os elétrons se comportam como balas de canhão, exatamente o esperado pelo senso comum. Até aqui, tudo normal, né?
E se a barreira tiver duas fendas, o que acontece? Ora, ora, é óbvio que os impactos vão formar duas listras. Só que não. Aparece um monte delas. O alvo parece uma zebra com um monte de listras. E a zebra se repete mesmo quando os cientistas lançam os elétrons um de cada vez.
Tentando descobrir o que está acontecendo, os cientistas acrescentaram um detector para saber por qual fenda o elétron passava. Tiveram uma surpresa! O padrão zebra desapareceu e foi substituído pelo padrão balas de canhão.
O que faz esses elétrons se comportarem de um jeito ou de outro? Os cientistas descobriram algo surpreendente. Se há meios deles saberem por qual fenda o elétron passou, surge o padrão com duas listras. Se não há meios de saber, aparece o padrão zebra. Se botarem um detector que identifique por onde metade dos elétrons passa, então vai aparecer um padrão misto, metade duas listras, metade zebra.
Os cientistas cogitaram que a causa desse comportamento poderia estar relacionada com as perturbações nas partículas causadas pelo ato de observar. Mas já foi comprovado que esta hipótese está errada. Não vou mostrar como foi para não encompridar o vídeo.
Os cientistas conhecem esse padrão zebra. Já o viram antes. É o padrão típico de interferência que seria esperado surgir para ondas, tipo ondas em um lago penetrando em uma barreira com duas fendas. No ponto onde as ondas se cruzam, aumentam de tamanho. Os pontos que formam as listras são estes, onde há maior intensidade, onde estes pontos reforçados batem na placa detectora.
Mas elétron não é água. Ondas de quê? Ninguém sabe. E se estou lançando os elétrons um a um ele está interferindo consigo mesmo? Muitos livros que já li apresentam esta hipótese de auto interferência. Trata-se de uma forma de explicar que confunde as pessoas ao invés de esclarecer.
É comportamento típico de viajante da maionese diante de algo que não tem explicação. O viajante da maionese não aceita ficar sem explicação. Ele quer explicar, então ele arruma uma explicação que na visão dele vai facilitar o entendimento. Eu acho que essa boa intenção complica ainda mais.
No mesmo sentido, o History Channel também fala que a presença do observador influencia o resultado final da experiência. Esse tipo de explicação consta da maioria dos livros de física, embora seja uma simplificação. Não está errada, mas a explicação cientificamente adequada é a de que não há necessidade de observador observando para os elétrons voltarem a ser como balas de canhão ao invés de exibir o padrão zebra.
Experiências mais sofisticadas mostraram que basta existir meios de alguém saber por qual fenda o elétron passou que prevalece o padrão de balas de canhão. Não precisa observar, bastando poder observar. É bem mais complexo.
Intrigados, os cientistas tentaram enganar os elétrons. Eles repetiram a experiência colocando a barreira com as duas fendas DEPOIS que os elétrons já tinham passado, embora antes deles atingirem seu destino final na placa detectora. Qual foi o resultado final? Balas de canhão ou padrão zebra? Essa experiência passou no History Channel.
Segundo a viagem na maionese do History Channel, só porque alguém deu uma espiada, eles deram meia volta, voltaram no tempo, saíram de novo do canhão, passaram pelas duas fendas e atingiram a placa detectora, desta vez se comportando com o padrão balas de canhão. Você gostou dessa explicação ou achou viagem na maionese total?
Se o History pode, eu também posso explicar de outro jeito. Os cientistas usaram elétrons cariocas oriundos de favelas do Rio, que já nascem com olhos nas costas. Esses elétrons espertíssimos, mesmo de costas, perceberam os cientistas tramando alguma coisa contra eles e resolveram mandar bala. Não vai dar zebra, vamos mandar bala nessa placa detectora.
Voltando a falar sério, na verdade, o elétron não passa por lugar algum., situação que permanece até ele ser detectado na placa detectora, momento em que ocorre o chamado colapso da onda de probabilidade, que é quando o elétron resolve dar as caras no mundo real. É quando ele resolve se materializar no mundo percebido pelos humanos.
Com toda a seriedade, não estou tratando aqui de viagem na maionese em que os físicos divergem. Eles não divergem. Todos sabem que esta realidade de duplo comportamento onda / partícula é fato comprovado experimentalmente diversas vezes, inclusive em experiências não só com fótons, mas também com elétrons e prótons. Uma experiência mais recente mostrou que ocorre também com moléculas com vários átomos, o que estenderia a física quântica ao macromundo.
Boa parte dos cientistas não gosta de responder perguntas sobre essa dualidade. Eles dizem que sua função é mostrar o que acontece e como acontece. Não seria função do físico explicar por que acontece. Esses físicos estão certos. A função de explicar é típica de quem? De viajante da maionese.
Há físicos que viajam na maionese e criam teorias fantásticas que não podem ser comprovadas, como a de universos paralelos, que passam a existir cada vez que partículas tem caminhos alternativos. Todos os caminhos seriam trilhados em uma infinidade de novos universos e nós seguimos apenas por um deles.
Os esotéricos acham que o pensamento positivo pode nos guiar para um desses universos com um futuro mais favorável para nós.
Os religiosos acreditam que isso explicaria o poder da fé, a força da fé capaz de fazer acontecer as coisas que mais queremos.
Ah, Marco Polo, em que você acredita? Eu acredito na força da viagem na maionese, que só dá resultado quando você aprende a dirigir e a controlar sua imaginação na direção de seus objetivos, meta por meta, passo por passo. Não é fantasiar em direções altamente improváveis, como ganhar na loteria, mas controlar a imaginação em direção a caminhos que você está se preparando para trilhar. Imaginando o que poderia acontecer para te ajudar a chegar lá.
Se existe algo superior, energias desconhecidas pairando por aí, eu acredito que aprender a usar a imaginação é a forma de comunicar a essas energias as suas vontades e intenções. Sintonizar com elas talvez seja a melhor forma de fazer o mundo mágico abrir as portas para os seus sonhos. Em breve, aqui no Canal, vou falar sobre essas coisas. Depois que você se inscrever no canal, vai aparecer um sininho. Clique nele e a seguir em Todas para ser avisado quando saírem novos vídeos. Muito grato pela atenção.
Para saber mais:
Extraí trechos do vídeo do Dr. Quantum, dublado em português:
https://www.youtube.com/watch?v=UtPf0XYQzfI
O vídeo original em inglês tem quase 1 milhão de visualizações:
https://www.youtube.com/watch?v=Q1YqgPAtzho&t=90s
Trata-se da melhor explicação que já assisti para a experiência da dupla fenda.
Recomendo também o vídeo de Pedro Loos quando ainda era estudante na faculdade em 2015, iniciando sua carreira de sucesso como youtuber no Ciência Todo Dia, hoje com 2 milhões e meio de inscritos!!