Mata castores para faturar com as peles, derruba florestas, lutador incansável pela liberdade. Liberdade para quê mesmo? Para destruir a natureza em nome do progresso. Ele é Daniel Boone, personagem de série das antigas, ambientada em 1770 no Kentucky – tempo de consciência ecológica zero, que perdurou por 200 anos até os anos 1970, quando a série passou no Brasil. Ricardo Salles seria o Boone procurado por Bolsonaro, um cara capaz de desmatar até árvore de Natal?
Seria possível que Bolsonaro assistiu aos 165 episódios, os quais até hoje influenciam seu modo de pensar?
O eterno adolescente é um tipo de viajante da maionese conhecido na psicologia como o mito Puer Aeternus. É mito mesmo, um mitológico deus-criança eternamente jovem segundo a Wikipedia, que acrescenta: “Na psicologia, é uma pessoa adulta cuja vida emocional permaneceu no nível adolescente, também conhecida como síndrome de Peter Pan.” O puer morre de medo de ser pego em situação da qual não pode escapar, “opõe-se a limites e tende a achar intolerável qualquer restrição.”

Seria Bolsonaro um mito Puer Aeternus? Seria ele incapaz de evoluir com a passagem do tempo, mantendo as mesmas convicções do tempo de adolescente? Será por conta disso que diz coisas como: “- Fica tranquilo, já falei que sou imorrível, imbroxável e também sou incomível…”. Seria o medo característico da síndrome responsável por ele permanecer preso aos anos da guerra fria, enxergando comunista e conspiração o tempo todo?
– Europeus e americanos derrubaram suas florestas, agora é a nossa vez de fazer o mesmo, passar a boiada por cima das nossas florestas, cujas toras valem uma fortuna capaz de servir de lenha para aquecer nossa economia.
O puer teme defender essas ideias publicamente. Não entende direito algo de estranho que percebe nas pessoas do século XXI, que não admitem a destruição do meio ambiente em prol da economia. – Seriam elas maricas esquerdopatas incapazes de entender que o mundo é dos fortes como Daniel Boone?
A trilha sonora da série exaltava as virtudes que prevaleciam na época e faziam de Daniel Boone um homem, um grande homem, tão alto quanto uma montanha, corajoso, destemido… aquele que com um grito colocava abaixo uma floresta.
Para sobreviver ao gélido inverno do Kentucky, Daniel Boone precisava de muita lenha, toda ela rachadinha, guardada dentro de casa. O vídeo abaixo mostra a abertura da série com 48 segundos, onde se vê Daniel Boone espalhando armadilhas para pegar castores comunistas e sua incrível habilidade de fazer rachadinha.
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