Você ouviu o início do Hino do Cazaquistão, o país mais desenvolvido da Ásia Central, a região dos Istão, onde estão 7 países. Do sul para o norte, temos Paquistão, Afeganistão, Turcomenistão, Tadjiquistão, Quirquistão, Uzbequistão e o país da nossa viagem na maionese de hoje, o Cazaquistão – que está entre os dez maiores do mundo em extensão territorial e é o mais isolado entre esses dez maiores países.
Perguntei ao Chat GPT se Marco Polo passou por este país. Para minha surpresa, não houve resposta. Suspeito que Marco Polo passou mais ao sul sem entrar no país. Porém, descobri que pelo menos a série da Netflix sobre as Viagens de Marco Polo foi filmada no Cazaquistão, porque lá tinha os locais adequados que o produtor da série queria, mas não encontrou na China. Neste vídeo, vou usar como fundo virtual imagens e vídeos do Cazaquistão. Esse traje cazaque que estou usando, eu ganhei de Kublai Khan, quando passei pelo império mongol.
O Cazaquistão nem é mais tão isolado. A China concluiu uma ferrovia que vai até Londres, cortando o Cazaquistão de leste a oeste! O país caminha para a integração com a Europa, enquanto o Brasil segue sem nenhuma iniciativa, sem plano para colocar os produtos de pequenas empresas nos principais mercados mundiais. São as pequenas empresas que geraram 70% dos novos empregos em 2022.
Qual a importância do Cazaquistão para o Brasil? Este país pode mostrar ao Brasil que é possível abandonar o modelo econômico russo, um modelo baseado no compadrio do governo com oligarcas, um modelo que há décadas impede o Brasil de caminhar na direção de ser um país civilizado, desenvolvido.
Após sua independência em 1991, o Cazaquistão foi governado por 30 anos pelo ditador Nursultan Nazarbayev, que ficou velho e entregou o poder para Kassym-Jomart Tokayev, um intelectual que escreveu dez livros. O corajoso Tokayev traiu o ditador. O que ele pretende? Pretende abandonar o modelo russo implantado pelo ditador, para a felicidade do povo cazaque.
Ele comunicou seus planos em uma sessão de abertura do Congresso do Cazaquistão, que me impressionou. Reparem a elegância e a compostura dos nobres parlamentares cazaques. Todos quietos, sentados em seus lugares, ouvindo atentamente, interessados no pronunciamento do novo Presidente. Dá pra ver que eles apreciam a ordem. Uma postura bem diferente do que se vê nos parlamentos da América Latina.
O Brasil está fazendo o contrário. Colocando presidente, um atrás do outro, que não lê nada, muito menos escreve, mal assina. O Brasil está afundando cada vez mais no modelo russo. Perseguindo mocinhos, soltando bandidos, Congresso aprovando um monte de absurdos. Por isso, eu não vou falar mais do Brasil. Meu advogado está recomendando isolar o Brasil: fala aí de qualquer outra coisa, fala de outro país.
Foi daí que decidi falar do Cazaninquistão. Ooops… Eu disse Cazaninquistão? Ôpa, perdão, é que eu tou indignado, com a cabeça na indicação para o STF feita pelo presidente da república. Indicou seu advogado pessoal, Cristiano Zanin. Mas não é só apenas isso. O Zanin é casado com a filha do maior compadre de Lula, o advogado Roberto Teixeira. Achei compadrio demais. País está intoxicado de tanto compadrio. O Estadão fez um editorial falando do dever do Senado de rejeitar a indicação… Mas…
Bem, deixa pra lá. Vamos voltar ao Cazaquistão, um país com muitas semelhanças com o Brasil. Sua capital Astana também é uma cidade planejada, cidade estranha, tal como Brasília. Ambas ficam a 500 km sabe de quê? De coisa nenhuma. A praia mais próxima de Astana fica no Ártico a mais de 1500 km ao norte, nem tem estrada pra lá, e… se tivesse quem ia querer pegar uma praia na Sibéria?
Perguntei ao ChatGPT sobre o Cazaquistão, a Rússia e o Brasil. Vamos ouvir o que ele disse:
– Brasil, Cazaquistão e Rússia são três países com economias baseadas em petróleo, mineração e agronegócio. Grande fornecedor de alimentos para a Rússia, o Cazaquistão é o oitavo país em extensão, com território do tamanho da Argentina e 20 milhões de habitantes de diversas etnias, boa parte nômades da Ásia Central. O termo Cazaquistão significa “terra dos nômades”. Tem a quinta maior reserva de petróleo do mundo, forte também em minérios, sendo o maior produtor mundial de urânio.
Assim como o Cazaquistão e a Rússia, o Brasil está há três décadas seguindo o modelo russo. Aqui você faz o L achando que vai mudar alguma coisa, porém logo o L inverte, o jogo se transforma em um jogo de forca. Tem sido assim. Presidente fraco produz vácuo de poder. No poder não existe vácuo. Há oligarcas também no setor público e eles ocupam o vácuo e se mantém no poder seja quem for o rei. Esses oligarcas adoram presidentes fracos, vulneráveis, com um passado… vamos dizer… problemático.
Fora esses pequenos detalhes, a sistemática do compadrio produz efeitos semelhantes, seja no oriente, seja por aqui.
As fortunas dos oligarcas são subtraídas do país, investidas no exterior, afinal não dá para confiar nos oligarcas locais que controlam o sistema financeiro, nem na justiça do modelo russo. Investidor gosta de segurança que só existe em países civilizados, onde há um mínimo de coerência com as regras.
O ditador cazaque Nursultan Nazarbayev investiu parte de sua fortuna em imóveis na Inglaterra. Botou em nome da filha e do neto 80 milhões de libras em imóveis e propriedades em Londres. Em 2020, conseguiu uma decisão favorável de um tribunal superior inglês para manter em segredo a origem desses recursos. Tribunais ingleses. Ééééééé… Até a justiça inglesa adora manter tudo sem segredo.
Note que as coisas não acontecem à toa. Nove anos antes, Nursultan Nazarbayev contratou a Tony Blair Associates por US$ 13 milhões, empresa do ex-primeiro-ministro inglês. Em uma carta a Narzabayev, Blair encerrou a carta escrevendo: “Estou ansioso para vê-lo em Londres! Sempre seu, Tony Blair. O compadrio londrino.
Na Rússia, os opositores morrem envenenados. No Cazaquistão, atropelados. No site do canal há link para um monte de histórias desse tipo.
Mas… Nursultan Nazarbayev fez pelo menos uma coisa boa em sua vida desprezível. Em 1991, quando se tornou o primeiro presidente do país, ele tomou uma decisão histórica, de renunciar ao quarto maior arsenal nuclear do mundo. Diz o The Guardian que ele almejava ganhar o Nobel da Paz. Como é que pode, né? Gente com um passado moral da pior espécie, acreditando que merece Nobel… Pior que no Brasil tem disso aqui também…
A vaidade é tanta que o ditador trocou o nome da capital Astana, pelo seu próprio nome. Todavia, um dia, as ditaduras acabam, porque os ditadores envelhecem, a energia deles vai se esvaindo, vai ficando complicado de enfrentar os inimigos, os protestos. Hoje com 83 anos, Nursultan Nazarbayev renunciou ao cargo em 2019 em favor do atual presidente Kassym-Jomart Tokayev, um intelectual com boa formação.
Ele se voltou contra o seu criador. Baixou decreto para a capital do país voltar a se chamar Astana. Rompeu também com Vladimir Putin. Cara a cara, chegou a dizer a Putin que não vai reconhecer as áreas da Ucrânia invadidas pela Rússia. Ele condenou publicamente a invasão da Ucrânia. Já por aqui…
O projeto político de Tokayev é romper com o modelo russo. Você que é descrente da política no Brasil, você que fica eternizando o momento atual, acreditando que as coisas nunca vão mudar, porque sempre foram assim, você vai ver que a realidade é mais dinâmica do que sua limitada imaginação. No Cazaquistão, das entranhas do sistema, surgiu um exterminador do futuro. Tokayev quer mudar o futuro do Cazaquistão. Nos próximos vídeos, você vai ver como é essa história e também como ela pode ensinar o Brasil a se livrar de vez dessa polarização política, desses egocêntricos que só pensam em si próprios.