Do ponto de vista científico, seria mais apropriado se o nome Teoria da Evolução fosse Teoria do Ancestral Comum. Por quê? Porque o ancestral comum é a principal das hipóteses que compõem a teoria de Darwin, a única hipótese que reúne evidências suficientes para deixar de ser hipótese e ser elevada à categoria de Teoria. Ademais, a teoria do ancestral comum é a que dá sentido ao principal objetivo do livro de Darwin, cujo título é justamente “A Origem das Espécies”. A pretensão principal deste livro era explicar que todas as espécies de seres vivos vieram de ancestrais comuns ao longo do tempo, muito tempo.
As evidências de ancestrais comuns são abundantes. Mas e o resto da teoria? Como é que um bicho se transforma em outro?
Eu sempre tive receio de falar sobre este assunto porque qualquer um que critique a Teoria de Darwin é logo taxado de criacionista ou defensor do design inteligente pelos darwinistas radicais. Só animei a fazer este vídeo depois que o Professor Paulo Miranda Nascimento, conhecido como Professor Pirulla, falou exatamente a mesma coisa que eu cogitava falar para vocês.
Sou fã do Professor Pirulla, que é paleontólogo, zoólogo e um brilhante divulgador científico brasileiro, um youtuber cujo vídeos costumo assistir e recomendo a quem desejar conhecer melhor a evolução dos animais e dos hominídeos.
Vamos ver o que ele diz sobre as hipóteses que integram a Teoria de Darwin. Ele vai repetir que tem que separar as hipóteses (Seleção Natural, Deriva Genética, Biologia do Desenvolvimento, Epigenética e outras mais) e explicar o motivo.
O Professor Pirulla é muito bom para explicar a evolução, mas se o seu desejo é saber onde está a maionese na Teoria de Darwin, então o canal que você precisa assistir é o meu. Pretendo produzir vídeos mostrando o que dizem os principais críticos da teoria, as teorias alternativas e, também, mostrar o tamanho da complexidade da bioquímica da vida, os mistérios que a ciência não consegue desvendar.
O ser humano não se satisfaz sem uma explicação que explique tudo. Ele quer algo para acreditar. Quer certezas. Então, Darwin, baseado em sua compreensão da seleção artificial que ele estudou a fundo com criadores de pombos, complementou sua teoria com a hipótese da seleção natural para explicar como um ancestral comum pode dar origem a outras espécies.
Assim, a Teoria da Evolução acabou formada por hipóteses independentes. O ancestral comum daria origem a outras espécies pelo mecanismo das mutações graduais ao acaso, selecionadas pela natureza com base nas que conferiam maior aptidão para a reprodução, que ocorreria a taxas explosivas, o que produziria um ambiente de extrema competição entre indivíduos, seja dentro da própria espécie, seja com outras espécies. Pronto! Agora temos uma história completa.
No entanto, a parte da teoria do ancestral comum seguiu concentrando o foco da atenção geral. O detalhe é que isso ocorre até hoje. Na época de Darwin, isso era natural. A hipótese produziu um tremendo impacto nas crenças criacionistas, então, predominantes, não só por substituir Deus pelo acaso, mas também pela consequência de estender o tempo de existência do planeta de milhares de anos, para milhões.
O resto da teoria, as demais hipóteses, seguiram à margem, em segundo plano na mente das pessoas e até de cientistas. Quando alguém se insurge contra a Teoria de Darwin, não importa o que diga, não importa qual hipótese seja o alvo da contestação, a mente do darwinista radical é fechada, só é capaz de perceber que há um ataque à crença do ancestral comum. O contestador é taxado de herege e excomungado pelos fanáticos da seita darwinista. São muitos.
O contrário também ocorre. Todas as evidências de ancestrais comuns, os darwinistas tratam como se fossem confirmações das demais hipóteses, o que é um erro. Uma coisa é um novo bicho ter surgido de outro. Outra coisa é como isso aconteceu. São hipóteses separadas, como disse o Professor Pirulla.
Há uma antiga piada de dois meninos gêmeos, um otimista e o outro pessimista, que mostra bem como raciocina o darwinista radical, que seria o irmão otimista. Na véspera de Natal, antes de dormir, o pai deixou uma bicicleta de presente para o pessimista e um saco de estrume para o otimista. Na manhã seguinte, o pessimista começou a resmungar: “que desgraça de presente; eu vou cair dessa bicicleta, bater a cabeça, posso até ficar paraplégico”. O darwinista estava correndo eufórico. O pai perguntou: “filho o que Papai Noel trouxe para você?” Ele respondeu na hora: “Um cavalo. Você viu ele por aí? Você viu ele por aí?”
Vou dar um exemplo desse otimismo. O Pakicetus é um animal extinto, tipo um lobo que media de um a dois metros e viveu no Paquistão há 50 milhões de anos. Ele seria o ancestral das baleias, por conta de um ossinho especial no ouvido, que só baleias possuem. Por conta disto, o darwinista concluiu que o fóssil do Pakicetus é uma forte evidência de que o bicho virou baleia. Até aí, tudo bem. E virou como? Ora, ora, mutações graduais ao acaso, cada uma delas apresentando vantagens competitivas, que foram selecionadas pela natureza ao longo do tempo, de muito tempo.
Esse muito tempo é um detalhe importante. O cérebro humano não é adaptado para lidar com métricas que vão além do tempo de uma vida. O ser humano não distingue bem milhões de bilhões de anos, não consegue entender o que não pode ver acontecendo no espaço tempo de uma vida.
O Pakicetus seria a explicação da origem das atuais 100 espécies de baleias e de outras 150 extintas. Um feito e tanto, considerando que foi realizado em 40 milhões de anos, talvez bem menos, talvez só 10 milhões de anos, que é o tempo que o Pakicetus levou para se transformar em um Basilosaurus, um outro ancestral de 18 metros, que já era bem parecido com uma baleia.
Ninguém estimou até agora quantas mutações seriam necessárias para transformar lobo em baleia. Podem ter sido milhares, milhões, ninguém sabe. Quantas gerações são necessárias para fixar uma mutação? Qual o mínimo? Ninguém sabe. Em consequência, ninguém calculou a velocidade da coisa, dividindo o número de mutações pelo tempo disponível.
E se esse cálculo chegar a 100 mutações por segundo? Se foi isso, a explicação da teoria de Darwin está furada. E que tal incríveis 100 mutações por milênio? Mil anos comporta 100 gerações de baleia, o que daria 1 mutação fixada por geração. Também é muito. Não se vê essa velocidade na natureza. Qual seria a velocidade das mutações? O que você acha?
Bem, seja qual for, agora vou apresentar uma nova questão. Há uma boa quantidade de mudanças que exigem um monte de mutações simultâneas para se tornarem funcionais. Por exemplo, não adianta você ter um olho capaz de detectar fótons, sem ter um cérebro para, não só transformar os fótons em imagem, como interpretar a imagem como informação útil para a sobrevivência do bicho. O cérebro e a estrutura do olho têm que evoluir em conjunto.
Só tem um detalhe. As probabilidades de sucesso desses acidentes genéticos envolvendo modificações simultâneas em muitos genes são mínimas. A genética moderna sabe algo que Darwin não sabia. Se ocorrerem cem modificações que tornem o mutante um organismo muito mais apto, elas não podem ser transmitidas, porque o animal só passa adiante metade de seu genoma. A teoria só funciona mexendo uma coisinha de cada vez, entendeu?
Por falar em olho, os processos complexos, de difícil explicação não ocorreram só uma vez. Aprendi com o Professor Pirulla que os moluscos, suas cem mil espécies, apresentam olhos em todas as fases evolutivas, desde as mais primitivas, até olhos bem melhores que os nossos, como o dos polvos um animal dos mais primitivos, com 500 milhões de anos, outro mistério. Isso significa que a evolução do olho é algo corriqueiro. Não parece ser resultado de um acidente bem raro, mas de alguma força que ocorreu em milhares de espécies, milhares de vezes.
O olho do darwinista vê isso igual ao menino que acredita ter ganho um cavalo. Ele vê como prova da teoria de Darwin. Só que é o contrário. Se algo altamente improvável ocorre corriqueiramente, isso é sinal de que há algo na natureza impulsionando a evolução, uma força que a teoria não sabe o que é.
Nem mesmo Darwin acreditava que essa força impulsionadora seria apenas a seleção natural, como acreditam os darwinistas radicais. Descobri isso em um livro sobre o assunto. Vejam o que está no livro. Darwin se queixava do fato da seleção natural ser considerada o único motor da evolução. Reclamava que o poder das ideias preconcebidas era tal, que ninguém o ouvia. Ele cogitava a existência de outras forças ainda desconhecidas para explicar as modificações nos animais.
Os darwinistas radicais não prestaram atenção nisso e interpretaram do seu jeito o livro sagrado “A Origem das Espécies”. Nessa interpretação, a seleção natural seria a única força criadora de novas espécies.
Eu acredito em Darwin. Não sou capaz de ter tanta fé assim, quanto estes darwinistas fervorosos.
Desconfio que Darwin, se vivesse nos dias de hoje, não seria darwinista.