Fiz vários vídeos sobre democracia, baseados em pesquisas de conceituadas universidades dos EUA, Inglaterra e França. As falhas do sistema tornaram-se mais evidentes no século XXI. Há necessidade de ajustes para evitar os riscos cada vez maiores de estragos provocados pelo acesso ao poder de pessoas que jamais deveriam ter sido eleitas. Em países atrasados como o Brasil, esses ajustes se tornaram imprescindíveis. Há necessidade de uma reforma estrutural na política para evitar o pior.
Vocês sabem dizer quem são aqueles com o maior temor de um golpe de estado contra a democracia? Não é o povo. Não são as pessoas comuns que tentam ganhar a vida honestamente. O maior defensor do estado democrático é o crime organizado.
Vejam o que diz este professor de criminologia em Oxford, Federico Varese, autor de livros sobre a Máfia.
Eu vou repetir aqui as palavras do professor Varese. Ele disse o seguinte:
– “A Máfia anda de braço dado com a democracia, o capitalismo e a economia de mercado… o crime organizado nasce e encontra ninho nas democracias… a Máfia adora a democracia.”
Perguntado se é possível concluir que as democracias são propícias à Máfia, ele respondeu:
– “Sim. É paradoxal e controverso, mas é o que eu acho. As democracias são boas para organizações como a Máfia porque podem controlar os políticos e aspectos da economia local…”
No site maioneses.com você vai encontrar links para tudo que falo aqui. O site pessoal do Professor Varese é este aqui em cima, onde ele mostra o trabalho que desenvolve sobre as máfias de vários países.
Bem, eu aqui suponho que, quanto mais elevado for o nível da organização mafiosa, mais ardilosas são as formas empregadas por seus chefes para defender a democracia. Por que isso? Essa turma é a que tem mais a perder com o fim da democracia. Teme o pior: acabar na cadeia, especialmente os mais notórios, aqueles que todo mundo sabe que são bandidos. Eles não têm dúvidas de que seriam os primeiros a ser presos em caso de golpe de estado.
Nos países cucarachos, as democracias são frágeis, o que produz reflexos nos seus sistemas de repressão às máfias especializadas em roubar dinheiro público por meio de corrupção, por exemplo. Tem se observado casos extremos. Casos em que o mafioso fica livre mesmo depois de seus comparsas confessarem tudo, mesmo depois de devolverem dinheiro roubado em quantidades extraordinárias, mesmo depois dos corruptores delatarem quanto e a quem pagaram.
Com tamanha quantidade de provas, como fica a justiça? Só resta à justiça alegar que houve problema de vara para resolver o problema do mafioso. Se o dinheiro sujo foi lavado, a vara certa é o varal. Se o sujeito roubou para impressionar a mulher ou a amante, a vara tem que ser a de família. Se roubou para fazer caixa de campanha, aí é a vara eleitoral que tem que julgar. E se roubou sem querer, sem comprovação de dolo, aí foi sem querer querendo, é caso de absolvição. São detalhes jurídicos, que você não entende, porque você não tem um cérebro supremo.
As principais instituições da democracia não vão bem no mundo todo, até nos EUA a democracia está muito fragilizada. Para funcionar da maneira esperada, a democracia precisa ser defendida. Precisa de um povo com consciência dos limites, dos deveres de suas instituições. Precisa de elites dispostas a se manifestar, a gritar quando esses limites são extrapolados. Países cucarachos costumam não ter nada disso.
Em 2016, há 6 anos atrás, no auge da operação Lava-Jato, o Professor Varese, do alto de sua experiência, deu conselhos ao Brasil. Conselhos proféticos.
– “Vocês não devem acreditar que essa investigação vai resolver o problema da corrupção. A operação Lava Jato não é a cura do Brasil. Tomem cuidado com partidos populistas tentando atrair promotores e juízes nas próximas eleições. Façam as reformas políticas e administrativas que são necessárias.”
O que o Brasil fez? Exatamente o contrário do que ele recomendou em 2016. Olha só, ele adivinhou o que viria a ocorrer nas eleições dois anos depois.
E as reformas? As reformas vieram, só que na direção oposta à esperada. Foram desastrosas para o combate a corrupção. Prestem atenção. Hoje, não há mais condições de existir uma operação Lava-Jato.