IV – Metas de Inflação – O sistema é aplicável ao Brasil?

Este é o quarto vídeo da série Metas de Inflação. Agora, vamos saber um pouco sobre a origem do regime metas de inflação para ver se pode ser aplicado no Brasil. Samuel Pessoa, por ser físico, costuma explicar as coisas traçando paralelos entre a física e a economia, o que eu acho muito divertido porque também gosto de física. Usando metáforas extraídas da termodinâmica do vapor, ele descreve a descoberta do regime de metas de inflação.

Samuel Pessoa diz que o pessoal dos bancos centrais, pouco chegado a teorias, usou o método, o famoso método da tentativa e erro para chegar na descoberta do regime de metas de inflação. Teria levado 80 anos para se perceber que era a maneira correta de lidar com o problema inflação. Vamos assistir.

Não sei não. Interrompi para fazer um comentário. Tentativa e erro é para fazer em laboratório de física. O problema é que a física faz experiências com a matéria inerte, enquanto os dirigentes de bancos centrais usam a população como cobaia, enquanto brincam de câmbio e juros com a vida de todo mundo. E nem precisam de registro prévio no órgão de saúde do país para usar cobaias humanas em suas experiências. Vamos continuar a assistir.

Ôpa! Vou parar um minuto. Tomei um susto quando ele começou a falar de John Taylor.

Por um momento, pensei que ele falava de um físico britânico chamado John Taylor, acho que o primeiro a publicar livro sobre buracos negros. Eu li o livro de John Taylor chamado “Buracos Negros – O Fim do Universo” de 1974. Descobri na Wikipedia que o autor, John Bryan Taylor, ainda está em atividade aos 92 anos trabalhando no laboratório Culham e na Universidade de Oxford. Não achei o livro aqui em casa, mas lembro-me que John Taylor afirmou que pularia dentro de um buraco negro se isso permitisse desvendar o mistério do que havia lá dentro. Eu era garoto, fiquei impressionado com a coragem dele.

Mas o John Taylor do Samuel Pessoa é outro, um economista de Stanford, um dos teóricos do regime de metas de inflação. Do jeito que o Samuel Pessoa fala, seu John Taylor parece ter descoberto não só o que havia dentro do buraco negro da inflação, como também um jeito de sair da gravidade dele. Reparem a cara de espanto do cientista político Fernando Schüler diante da maneira com que Samuel Pessoa descreve esta descoberta histórica do Taylor economista.

Uma parte importante vem agora, quando ele explica as quatro componentes da inflação, que seriam a origem do problema da inflação. Ele recorre à física, desta vez comparando com o tempo e o espaço.

Economistas são seres muito apegados ao passado, não percebem as mudanças que o tempo traz. Eles descobrem suas verdades usando o retrovisor, olhando para o passado. Todo o aprendizado que levou ao sistema de metas de inflação foi feito em que espaço e em que tempo? Foi feito no território de países desenvolvidos em décadas passadas. Décadas…

Em 80 anos, a ciência transformou o mundo em outro mundo. Hoje, a cada dez anos, o mundo é outro. Quando o sujeito acaba o mestrado em economia, aquilo tudo que estudou pode não servir para mais nada. Isso é algo difícil da pessoa aceitar, especialmente quem gastou a sua vida acadêmica em um esforço gigantesco para aprender coisas que achava muito interessante, muito interessante…

O campo de testes do remédio juros foi em países desenvolvidos onde a inflação raramente passa de 4%. Assim, a dosagem utilizada nesses países foi homeopática. Se usar a mesma dosagem no Brasil, o remédio não funciona. Aí aplicam o remédio em uma dosagem cavalar. Como se sabe, a diferença entre veneno e remédio é o quê? A dosagem.

Ademais, países cucarachos como o Brasil, o ambiente econômico é outro, totalmente diferente. Isso é algo que os economistas defensores de teorias importadas não falam, porque atrapalha a sua viagem na maionese.

No Brasil, por exemplo, quando se fala em subir juros, para começo de conversa é necessário esclarecer qual juros. Aqui tem pelo menos 3 juros primos entre si, cada qual sujeito à sua própria mecânica quântica, independente dos demais.

Tem o juro da dívida pública, que é o astro-rei da política de metas de inflação. Tem os juros que os bancos extorquem os consumidores com taxas absurdas que só existem aqui. E ainda tem os juros do BNDES, cujos empréstimos representam uma fatia significativa do crédito no Brasil. O BNDES é o segundo maior banco de desenvolvimento do mundo, você sabia? Nem tem BNDES na maioria dos países.

Há outras diferenças importantes. Quase não há concorrência entre os poucos bancos, a concentração de renda é monumental e o país vive em permanente crise fiscal, sufocado justamente pelos juros altos, prescritos em doses que envenenam as contas públicas.

A alta dos juros para 12% pode afundar o país. O mais espantoso de tudo é a pouca resistência que se vê nos ambientes político e econômico para medidas que podem estar baseadas em viagens na maionese de umas poucas pessoas que decidem.

Agora eu vou terminar este vídeo mostrando o final da entrevista, em que apareceu um mito em que Samuel Pessoa parece acreditar, o mito do V, mas não é o V de Viagem na Maionese.

Links para a entrevista do Samuel Pessoa ao Canal Livre. O tema “subida dos juros” está concentrado em 10 minutos na parte 1, do minuto 29 ao 40:

– parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=-4f4u8dkQwI

– parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=SUy_xLG3zQ8

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