Para explicar como é descoberto algo no CERN como o Bóson de Higgs achei melhor recorrer ao brilhante jovem Pedro Loos, graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina, que criou o Canal Ciência Todo Dia, onde fala de física para seus atuais 2 milhões de inscritos. Uma marca fantástica em se tratando de física, ainda mais no Brasil. Ele faz um trabalho muito bom. Com certeza, não é viajante da maionese como é o meu caso.
Ele tem uma capacidade fantástica quando se trata de explicar, coisa bem rara nos tempos atuais. Por isso, tomei a liberdade de usar parte de seu vídeo para o que desejo mostrar. Recomendo prestar atenção na parte em que ele fala do zoológico de partículas com 10.000 leões e um pinguim, que é o Bóson de Higgs.
O pinguim é um bóson escondido em 1000 terabytes de dados, com o detalhe de que essa quantidade monumental de terabytes é produzida POR SEGUNDO. Por esta razão, as descobertas não saem na hora em que as colisões ocorrem, mas só depois do consumo de muita maionese em sanduíches que os físicos comem, enquanto esperam.
Esperam o quê? Esperam computadores das principais universidades do mundo trabalharem duro, dia após dia, noite após noite, em busca de flutuações nos dados, o que leva meses, mas pode levar anos se as verbas seguirem fluindo sem haver a pressão da 5ª e da 6ª força, que mostrei nos vídeos anteriores.
Essa pressão da 5ª e da 6ª força é que fazem surgir a força decisiva, a força do querer. Querer o quê? Querer encontrar agora o bóson de maionese no meio da maçaroca de dados produzida pelos detectores.
Mas Marco Polo você é economista, como é que está dando pitaco na maçaroca de dados do CERN?
Ora, ora, torturar os dados para que confessem a realidade é tarefa de economistas, todo mundo sabe disso. O economista consegue mostrar a realidade que ele quer, bastando ter um monte de números nas mãos. Por isso, temos bastante experiência em detectar as coisas nas entrelinhas, até mesmo quando se trata de uma realidade anunciada por físicos de ponta.
“Se você torturar os dados suficientemente, eles irão confessar tudo o que você quiser”
Ronald Coase, Prêmio Nobel de Economia de 1991