DNA humano não é humano

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DNA humano não é humano é o título de um artigo que li em Scientific American de uns anos atrás. O nosso DNA conteria mais vírus do que genes. Será? Procurei, mas não achei a tal revista na minha coleção, que aproveitei para organizar por ano. Mas achei uma matéria da BBC que fala a mesma coisa. Fiz esse post pra você que acha que vírus é coisa da China.

A Terra tem 4,5 bilhões de anos. Ficou quase 4 bilhões dominada exclusivamente por vírus e bactérias. Os seres complexos tiveram que lutar com ambos e formar defesas para resistir ao extermínio. O ser humano tem um bilhão de anticorpos diferentes, talvez dez vezes isso. Não é quantidade, mas variedade, tipo marcação homem a homem. Cada um desse bilhão de anticorpos tem o seu inimigo.

Em 2019, li uma matéria dizendo que somos capazes de produzir não 1 bilhão, nem 10 bilhões, mas um quintilhão de anticorpos diferentes. Será?

Por isso, seres multicelulares só conseguiram surgir há cerca de 670 milhões de anos e prosseguem em sua batalha contra os vírus.

Vírus não vem da China. Eles estão em toda a parte. Presentes em grandes quantidades desde 5 km acima do solo até 5km no subsolo. Um litro de água do mar tem 10 bilhões de vírus. Há milhões de anos os vírus contaminam células reprodutivas e passam a se perpetuar inativos, como parte do DNA ancestral de todos os seres vivos. Porém, descobriram que esses vírus inativos podem se tornar ativos de uma hora para outra e causar danos, até câncer.

Há teorias sugerindo que também já trouxeram benefício. Pesquisas repletas de maionese dizem que a origem evolutiva da placenta talvez esteja ligada a ação de vírus que entraram no genoma de pré-mamíferos há 200 milhões de anos.

Na verdade, não se tem como saber ao certo o quanto de vírus existe infiltrado em nosso DNA. As estimativas que tenho lido falam em algo entre 5 e 8% do genoma. Scientific American incluiu na conta os genes saltadores, que são fragmentos de DNA cuja origem pode ser de vírus, mas também desprendimentos de pedaços do nosso próprio DNA. Pesquisas dizem que o nosso genoma pode ser 43% composto por esses fragmentos de genes errantes.

Scientific American somou tudo, temperou com maionese e o resultado foi mais de 50% do genoma humano composto por vírus.

Quem descobriu esses genes saltitantes, que alguns chamam de transposons, foi Barbara McClintock (1902-1992), uma geneticista americana, doutora em Botânica. Na década de 1940, ela realizou experiências com variantes de milho e descobriu que a informação genética não é fixa, e que esses genes de vírus podem “ligar” e “desligar” do nada.  Na época, foi tanto o ceticismo de seus colegas cientistas, que ela desistiu de prosseguir na pesquisa. Quarenta anos depois, em 1983, ela teve seu trabalho reconhecido com o Prêmio Nobel de Medicina, que ganhou sozinha!

Não sei como essa espertíssima americana descobriu esses genes, mas sei que não foi olhando em microscópio. O microscópio ótico não permite ver nem vírus, quanto mais fragmento de DNA, que é cem vezes menor.

Ah, Marco Polo, mas eu li em algum lugar que dá pra ver isso tudo no microscópio eletrônico. É verdade. Mas o que os cientistas chamam de ver, não é o que você supõe. Só dá pra tirar fotos em que a imagem parece um borrão. O microscópio eletrônico e o de tunelamento permitem enxergar sabe o quê? Nada além do que maionese.

Seja 5% ou 50%, o fato é que o ser humano tem um bocado de vírus no seu DNA. Seria o suficiente para se comportar como um vírus? Em Matrix, o fantástico filme de 1999, o representante das máquinas dominadoras da nossa espécie, o Agente Smith, explicou ao ser humano o que era o ser humano, quer ver?

“Tive uma revelação ao comparar a sua espécie e percebi que o ser humano não é um mamífero. Todos os mamíferos do planeta institivamente entram em equilíbrio com o meio ambiente, mas os humanos não. Os humanos vão para uma área e se multiplicam até que todos os recursos naturais se acabem, e sua única maneira de sobreviver é indo para outra área. Há outro organismo que se comporta exatamente assim: Um vírus.”

Agradeço seu comentário, especialmente se acrescentar informações novas!