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Filme de Spielberg: O golpista invertido

A frase de Lênin encaixa muito bem em um roteiro de filme de Steven Spielberg. Este famoso cineasta está avaliando um novo roteiro de filme de política, enviado por um cineasta sul-americano e ficou muito impressionado com a inversão da realidade. Como pessoas fazem o errado e depois acusam adversários de fazer o que elas fizeram? O roteiro é baseado em fatos reais, porém fatos enxergados de duas maneiras invertidas, polarizadas, salpicadas de maionese. Portanto, é roteiro de filme de ficção.

O roteiro é sobre um golpe de estado, em que tanto vencedores, quanto perdedores acabam tendo que enfrentar tribunais. Os personagens estão envolvidos em duas tramas, dois planos: um plano para dar um golpe e outro plano para impedir o golpe de ser consumado. O cenário é uma republiqueta de bananas da América Latina, dessas onde a corrupção tomou conta de tudo.

O golpe de estado tinha como objetivo colocar no trono o ator principal, um anti-herói, um prisioneiro condenado por corrupção, um psicopata, mas que era popular e carismático, conquistou os pobres com migalhas, enquanto atuava dando proteção a cartéis poderosos. Esses cartéis cobravam preços abusivos de tudo que o povo consumia, desde os sacos de cimento para fazer suas casas, até a distribuição de combustíveis, gasolina e gás de cozinha, passando pelos juros bancários estratosféricos, cobrados pelo maior e mais forte dos cartéis, o dos banqueiros.

O plano do golpe envolvia retirar o prisioneiro da cadeia para colocar no trono. O golpe teve o apoio da mídia esquerdista, que atuou convencer o povo de que soltar o prisioneiro era uma providência justa. O poder econômico do país ignorou, os militares também largaram pra lá; nada fizeram. E a oposição? A oposição não percebeu a força do plano. Até gostou. Achou que chegaria ao poder facilmente nas eleições, concorrendo contra um ex-detento.

Assim, conseguiram executar a primeira etapa do plano, livrar o condenado da cadeia. Porém, havia mais um entrave difícil de contornar. O país tinha uma única restrição para ocupar o trono: uma lei que proibia candidaturas de condenado em todas as instâncias, como era o caso. Não tinha como contornar essa lei, uma lei sagrada para o povo, porque foi resultado da coleta de milhões de assinaturas. Mas em filme de Spielberg, você sabe como é: pode tudo.

Por falar em pode tudo, lembrei que este canal tem um vídeo inspirado no meu filme favorito de Spielberg, “Minority Report”, um filme futurista onde a justiça passou a usar um sistema de inteligência artificial que prevê crimes com precisão. O ator principal, Tom Cruise, é um policial que vai lá e pega o futuro criminoso que é condenado antes de o crime acontecer. A vida real imitou a arte sabe aonde? No Brasil, com o deputado Deltan Dallagnol. Ele perdeu o mandato porque a justiça disse que ele se candidatou sabendo que seria declarado inelegível no futuro. Contei essa história fantástica neste vídeo.

Bem, voltando ao golpe, alguns manifestantes cogitaram impedir a posse do condenado. Porém, nada foi adiante.

Foi só o condenado sentar no trono que a oposição passou a ser perseguida, centenas de manifestantes foram presos e condenados a penas pesadas, parlamentares de oposição, aqueles mais ativos, também foram presos, blogueiros perseguidos, mesmo os que fugiram para os Estados Unidos tiveram suas redes sociais censuradas.

É um filme do gênero cult, gênero que aborda tabus culturais, coisa que despertou o interesse de Steven Spielberg. Na América Latina, as repúblicas de banana têm populações que nunca tiveram oportunidade de viver em ambiente democrático de verdade. Os países têm eleições, mas não têm o resto. Têm instituições que funcionam, mas na direção invertida, contrária à que deveria funcionar.

Por conta disso, a mente dos latinos não está preparada para entender o que é democracia, entender que o principal de uma democracia é o respeito à lei, democracia é o império da lei. O povo não entende que eleição é a parte fácil da democracia, uma parte importante, mas não é a principal.

Apaixonados por futebol, o povo latino age como torcedor também na política. Aplaude quando quem está apanhando é quem ele não gosta, mesmo que esteja sofrendo uma tremenda injustiça. Isso vale inclusive para pessoas de nível superior, que deveriam ter, mas não tem, uma melhor compreensão do que é democracia. O filme retrata este problema cultural dos povos da América Latina.

No final da trama, uma polícia política confiscou mais de mil celulares de opositores. Havia milhões de mensagens. O que fizeram? Botaram tudo na inteligência artificial, no ChatGPT, para ver se havia provas da conspiração abortada. Olha o que respondeu o ChatGPT depois de analisar tudo:

– Não há provas.

Insistiram e pediram ao ChatGPT para detalhar a resposta e o ChatGPT respondeu:

– Não há provas com valor judicial. Há evidências de cogitação de golpe por um punhado de pessoas, mas cogitar não é crime em nenhum país. Além disso um punhado de viajantes da maionese não tem como dar golpe de estado.

Inconformados, decidiram consultar outra inteligência artificial, com outro propósito. Abriram o Chatodopetê, uma inteligência artificial de má fama, especializada em criar narrativas. A re´wsposta foi um texto imenso, repleto de ilações, sem prova de coisa alguma. As principais evidências eram uma minuta de um documento e uma conversa de WhatsApp de um golpista dizendo que desistiu do golpe porque não conseguia arranjar um táxi. Mesmo assim, a mídia aplaudiu o relatório.

Na republiqueta de bananas, os patriotas anti-golpe foram chamados de golpistas, de fascistas, e levados a julgamento não pela justiça comum, mas por um tribunal de exceção, onde toda a população sabia o resultado final antes do julgamento começar.

Nos Estados Unidos, uma democracia consolidada com mais de 200 anos, também vai ter julgamento baseado em uma lei criada para punir aqueles que cometem injustiças, inclusive contra americanos, contra empresas americanas, como é o caso da censura e multas milionárias aplicadas pelo país latino às redes sociais americanas, que, segundo o roteiro do filme, resistiram, mas pagaram essas multas à republiqueta de bananas.

Um membro do governo americano anunciou que a justiça americana será rigorosa com àqueles que cometeram injustiças contra os fracos, contra adversários políticos, contra censores de perfis nas redes sociais, contra àqueles que querem mudar as leis do país para regulamentar a censura.

O filme ainda nem existe, por isso não vou contar o resultado dos julgamentos, o final do filme, final que pode ser alterado por Steven Spielberg. Soube que o cineasta ficou impressionado com a lavagem cerebral feita em parte da população, com o sucesso da tática comunista de acusar o adversário daquilo que ele faz, do que ele é.

A mente por trás da trama seria uma cabeça brilhante, reluzente, uma mente dotada de extrema criatividade, que teve sucesso em fazer a população acreditar que os verdadeiros golpistas foram àqueles que tentaram impedir o golpe de ser consumado.

Agora vou revelar a mente por trás do golpe.

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