Hoje a ciência sabe que o mundo passou por 5 grandes extinções de vida animal e vegetal causadas por aquecimento, congelamento, vulcões e pelo meteoro que provocou a última delas há 66 milhões de anos.
Elizabeth Kolbert, 62 anos, é uma brilhante jornalista de ciências que escreveu “A Sexta Extinção”. O livro conta o que ela viu em suas aventuras pelo mundo, acompanhando diferentes especialistas, que pesquisam danos à natureza oriundos do aquecimento global. Recomendo demais. Um trabalho fantástico que rendeu a ela o cobiçado Prêmio Pulitzer de 2015 da categoria Não-Ficção.
Onde ela trabalha? Ela escreveu para o The New York Times durante 15 anos. Em 1999, foi para a revista New Yorker, onde, desde então, tem coluna sobre meio-ambiente.
Neste vídeo, vou te mostrar o que ela viu na descida da Amazônia Peruana em direção ao Brasil, acompanhando Miles R. Silman, professor de Biologia de uma universidade americana. Há mais de vinte anos, ele pesquisa esta mesma área da Amazônia, o Parque Nacional de Manu, que desce dos Andes Peruanos, do alto de 3.600 metros, até o sopé da floresta, que fica ao nível do mar, a zero metros. Nesta descida, as espécies vão variando conforme a temperatura, que desce um total de 20 graus.
O que este local tem de especial? O Parque Nacional de Manu é a região protegida recordista mundial em diversidade biológica. Só ali, no campo de visão de seus 15.000 km2, há uma em cada nove espécies de pássaros do planeta e mais de mil espécies de árvores.
Para ter uma ideia, vamos comparar os 15 mil km2 de Manu com os 4 milhões de km2 da floresta boreal do Canadá, que tem sabe quantas espécies? Só 20 espécies de árvores.
Esta abundância de espécies nos trópicos ainda não tem uma explicação de consenso, por isso há umas 30 teorias. A minha preferida é a de Alfred Russel Wallace, rival de Darwin, codescobridor da Teoria da Evolução. Ele passou anos na Amazônia. Atribuiu a diversidade à sorte dos trópicos onde a evolução não passou por incontáveis dificuldades que há nas regiões glaciais.
Hoje, sabe-se algo que Wallace desconfiava, mas não tinha meios de saber ao certo na sua época. A Amazônia está lá do jeito que é há milhões de anos. O Canadá e parte dos EUA, inclusive Nova Iorque, estavam sob alguns quilômetros de gelo há apenas 20 mil anos. Essas glaciações aconteceram umas 20 vezes nos últimos 3 milhões de anos, matando tudo o que havia.
Miles Silman encontrou uma forma engenhosa de demonstrar como o aquecimento vem influindo nas árvores. Em 2003, ele dividiu a descida em 17 lotes, cada qual em uma altitude. O primeiro lote fica a 3.450 metros. Os lotes seguintes descem 250 m cada um. Ele marca as árvores, mede circunferência e conta a quantidade delas em cada lote, um trabalho muito difícil, mas que permite resultados excepcionais.

A temperatura vai caindo entre 1 e 2 graus a cada lote de Silman. As espécies são sensíveis a esta pequena variação de temperatura, você sabia? Por exemplo, 90% das espécies do lote 4 não existem no lote 1, que fica 750 m acima. Árvores abundantes em um lote, podem sumir por completo no lote superior ou inferior.
Quando Silman voltou à região em 2007, apenas 4 anos depois, não imaginava que fosse ver o que viu: a floresta estava se movimentando, subindo o morro. Árvores não andam, mas suas sementes se dispersam. A recordista era a Shefflera Arboricola, original de Taiwan, que escalou a montanha a um ritmo de 30 metros por ano. As mudanças variavam a cada espécie. Havia de tudo, inclusive espécies que não se moviam e estavam diminuindo em quantidade.
O problema do aquecimento é a velocidade com que está ocorrendo. O que levava milhares de anos, agora está ocorrendo em décadas – ritmo que pode ser fatal para maioria das espécies, inclusive a humana.
As espécies conhecidas de vegetais e animais são de 1,5 milhão. As desconhecidas podem chegar a mais de 7,2 milhões. Do total estimado de quase 9 milhões, estudos publicados em revistas científicas falam na extinção de 1 milhão de espécies até 2050.
A causa do aquecimento é o nível de CO2 na atmosfera oriundo da queima de carvão e petróleo. Estudos publicados nas principais revistas científicas indicam que o nível subiu 50% desde a era pré-industrial, atingindo 420 ppm, partículas por milhão, nível que só ocorreu antes sabe quando? Há 15 milhões de anos. Até o final do século, pode atingir 600 ppm, o maior nível em 50 milhões de anos. Vai ser a sexta grande extinção do Planeta Terra. O meteoro da vez é a raça humana.
Há uns poucos negacionistas climáticos que se apoiam em dados. Porém 99% deles são dois tipos de viajantes da maionese de baixo nível. O primeiro tipo nunca leu nada e tem certeza de tudo. O segundo não está nem aí para isso. Vive com nível de consciência muito baixo, igual ao de muitos dos governantes atuais mundo afora. Nível típico de um animal, no sentido de que nenhum animal se preocupa com o que vai acontecer com o planeta depois dele morrer.
Essa turma é a que continua falando que crescimento econômico é bom, mesmo sabendo que qualquer crescimento produz a destruição do meio ambiente a longo prazo.