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Homo Naledi – o que se sabe após dez anos?

Este é o terceiro vídeo sobre a mais importante descoberta de fósseis de hominídeos do Século XXI, ocorrida em 2013 na África do Sul, o Homo Naledi, meio homem, meio macaco. Você vai saber o que foi descoberto em dez anos de investigação.

  1. Datação dos fósseis

Vou começar pelo mais importante: a datação dos ossos, concluída em 2017, quatro anos depois da descoberta. Os ossos encontrados do Homo Naledi têm 300.000 anos ao invés de 3 milhões, que era a suposição inicial do paleontólogo Lee Berger, condutor da investigação dos fósseis. Essa idade é confiável? Sim. Três laboratórios apresentaram laudos concordantes, com o detalhe de que cada laudo foi produzido sem conhecimento dos demais. Os exames foram os habituais, baseados em concentração de elementos radioativos em três dentes e material circundante. A conclusão é a de que os fósseis tinham idade entre 236.000 e 335.000 anos – números sobre os quais não pairam controvérsias. O que isso significa?

  1. Naledi conheceu os Sapiens?

Dentre os fósseis de hominídeos encontrados até agora, o Naledi é o único contemporâneo do Homo Sapiens com cérebro pequeno. E mais. Pode ser que seja o único de cérebro pequeno com evidências de possuir inteligência similar à humana. Lee Berger acha que:

– “Pode até ser o Homo mais primitivo que já descobrimos. Pode ter tido suas origens muito antes de dois milhões de anos.”

  1. Naledi conheceu os Sapiens?

Não tiveram sucesso as tentativas de datar os vestígios de fogo e das marcas geométricas intencionais encontradas nas rochas. Isso mantém aberta a hipótese de que possam ter sido obra de Homo Sapiens, que são autores de desenhos parecidos em outros locais. No entanto, depois de dez anos de buscas, não há vestígios da presença de Sapiens na caverna dos Naledi.

  1. D N A

E o DNA? O que diz o DNA? Sem o DNA para contar a história, às vezes fica difícil desvendar o osso. São os ossos do ofício. Se já é complicado datar o osso, extrair o DNA é bem mais difícil, requer condições especiais. A preservação do DNA antigo depende de muitas variáveis como temperatura, se pegou radiação UV, o tipo de osso, de dente, presença de água, salinidade, micróbios, e nível de oxigênio presente onde estava o fóssil. O DNA degrada muito fácil.

O sueco Svante Pääbo é o responsável por tornar realidade a extração de DNA antigo de ossos de fósseis, coisa que parecia impossível. Ele ganhou o Nobel de 2022 por conta disso. Aqui neste canal tem vídeo e texto sobre seu trabalho, sobre suas façanhas.

A mais importante foi o fim da crença na raça pura dos Sapiens. Eles cruzaram com outras espécies. A árvore da evolução não era composta por ramos independentes conforme se acreditava. O exame de DNA antigo demonstrou que havia o quê? Fornicação Generalizada entre Hominídeos, entre Sapiens, Neandertais e Denisovanos.

Em 2017, Berger disse que falharam as tentativas em três laboratórios de DNA antigo. Uma pena. África é quente e úmida, fatores que degradam o DNA rapidamente.

  1. Funerais

E os funerais? O que as análises mostraram sobre a hipótese do Homo Naledi realizar funerais? Ó, a caverna Rising-Star não é apenas uma grande caverna: é uma rede complexa de túneis, passagens apertadas e câmaras interconectadas. A exploração mostrou que o Homo Naledi estava muito familiarizado com o labirinto. Usava grande parte das câmaras.

Em 2018, a equipe encontrou novas evidências que apoiam a ideia de que o Homo Naledi enterrava seus mortos de forma intencional. Os cientistas encontraram covas ovais e corpos colocados em posições fetais. Havia muitos fósseis de Homo Naledi em todas as cavernas, incluindo os restos de bebês e adultos idosos. Tudo isso ajuda a entendê-los como uma população, disse o doutor John Hawks, especialista da Universidade de Wisconsin-Madison. Hawks acrescenta que: “Existem mais espécimes de Homo Naledi do que qualquer outra espécie extinta …, exceto os Neandertais.”

A Câmara Dinaledi, onde surgiu a hipótese de funerais, é a mais distante da entrada da caverna. Parece ter sido utilizada apenas para enterrar os mortos. A posição dos ossos é consistente com enterro de corpo inteiro.

  1. Ferramentas

Há evidências de ferramentas? Sim. Algumas foram encontradas com os corpos. Uma “pedra em forma de ferramenta” foi encontrada na mão de uma jovem adolescente Naledi enterrada na antecâmara Hill. As setas apontam para serrações e linhas que são possíveis evidências de modificação ou uso de desgaste na borda da rocha.

  1. Fogo

E quanto ao uso do fogo? Há evidências espalhadas por todas as cavernas, incluindo fuligem, carvão vegetal e osso queimado, demonstrando o domínio do fogo pelo Homo Naledi.

Chris Stringer, líder de pesquisas de origens humanas no Museu de História Natural de Londres, era um dos muitos céticos dos Naledi agirem como humanos por conta de ter cérebro do tamanho do de um macaco. Mudou de ideia. Ele disse: “a considerável evidência apresentada por Lee Berger e colegas para possíveis enterros e gravuras de parede não pode ser facilmente descartada”.

  1. Esqueletos

O que foi concluído sobre os esqueletos? Quais as semelhanças e diferenças dos Naledi com os Sapiens?

No início da descoberta, Lee Berger organizou uma reunião de trabalho de seis dias. Convidou mais de 30 jovens pesquisadores de 15 países para um festival de fósseis de seis semanas em Joanesburgo. Chamou, também, 20 cientistas renomados que já o haviam ajudado com sua descoberta anterior, do Australopithecus Sediba.

Foi criticado por isso. Os especialistas (que não foram convidados por Berger) criticaram o uso jovens pesquisadores para produzir rapidamente uma publicação científica para publicação. Isso foi irresponsável, alertaram alguns colegas mais antigos. Para os jovens, porém, foi uma experiência fantástica. Um deles, recém-nomeado professor na Universidade do Arkansas, disse: “É com isso que você sonha: um monte de fósseis que pertencem a uma criatura que ninguém jamais viu; e você terá a chance de descobrir o que é.”

Os pesquisadores se dividiram em equipes de especialistas em crânio, mãos, pés, ossos longos, dentes e outras partes. O que descobriram aumentou as dúvidas:

– crânios parecem humanos, só que pequenos demais, com volume de 560 cc, enquanto o Sapiens tem volume superior a 1.200 cc. O Homo Erectus tinha 900 cc.

– nenhum dos cientistas jamais tinha visto dentes assim, molares com cinco cúspides, como as nossas, mas com raízes primitivas;

– mão parecida com a nossa, mas dedos longos e curvos de criatura que subia em árvores;

– ombros de macacos;

– pelve superior de australopithecus e inferior de um ser humano moderno;

– pernas de australopithecus na parte superior, mas semelhantes às de humanos na parte inferior, com pés praticamente iguais aos nossos.

  1. Conclusão

O que concluir disso? Lee Berger acredita que a árvore que surge de uma única raiz e se ramifica não é o símbolo correto da evolução humana. Ele prefere pintar o quadro de um rio selvagem que se divide em muitos braços, alguns dos quais se unem novamente. Nós, humanos de hoje, não carregaríamos apenas genes dos nossos primeiros antepassados ​​da África Oriental, mas também alguns da África do Sul – e sabe-se lá de onde mais.

Se Berger estiver certo, esse negócio de classificação de fósseis em homo isso, homo aquilo precisa ser revista. Ela foi sendo feita à medida que iam ocorrendo as descobertas. Com o aumento do conhecimento, parece que está tudo errado, cercado de viagem na maionese. Não é só eu quem pensa assim, o antropólogo Jeffrey Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, é mais radical: ele defende que a taxonomia atual seja jogada no lixo e que se refaça a linhagem humana do zero.

Bernard Wood na Universidade George Washington tem uma hipótese maionese que complica mais ainda as coisas: o Naledi seria um hominídeo moderno que involuiu, involuiu. Éééééééé Seria o rio de Berger fazendo uma curva de 360 graus, dando marcha ré.

Bernard Wood acredita que o Homo Naledi ramificou de outros seres humanos relativamente recentes e que as características primitivas que ele tem podem ser enganosas, resultado de adaptações em condições de isolamento.

O que concluir disso tudo? Agora vou revelar a minha teoria. O Homo Naledi era mais inteligente que o Homo Sapiens até o dia em que inventou uma ferramenta que deixou ele tão burro que acabou extinto.

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