Setembro de 2013, era uma sexta-feira 13. Rick Hunter e Steve Tucker entraram na Caverna Rising-Star, que fica a 10 km de Johanesburgo na África do Sul. Eles estavam dispostos a descobrir seções da caverna onde ninguém tinha pisado. Pontos de difícil acesso.
Os dois exploradores acabaram descobrindo fósseis do Homo Naledi. Houve várias matérias na Scientific American sobre o Homo Naledi, cuja autora foi Kate Wong, uma especialista nesta área. A última matéria foi esta de junho deste ano. O Naledi, mesmo com cérebro pequeno, pode ter enterrado seus mortos, controlado o fogo e feito arte. Seria isso possível para uma criatura com cérebro de chimpanzé? Muitos se recusam em acreditar. Daí o fato de a descoberta desafiar a visão predominante da evolução do cérebro.
Em uma outra matéria de sete anos atrás, também sobre o Homo Naledi, Kate Wong fala como são raros os fósseis de hominídeos. Até algumas décadas atrás, ela diz que todos os pedaços de hominídeos descobertos cabiam em uma gaveta. Isso porque somente são encontrados em locais especiais que favorecem a preservação.
No entanto, uma quantidade enorme de ossos foi encontrada de uma vez, sem precisar de buscas em escavações meticulosas, que consomem anos. Os machos adultos mediam metro e meio de altura e pesavam 45 quilos. A espécie era bípede. O cérebro tinha 1/3 do tamanho do homo sapiens, pouco maior que o de um chimpanzé, parecido com o de um australopiteco.
Vamos até à África do Sul, a 10 km de um bairro na periferia de Johanesburgo, onde fica a bem conhecida Caverna Rising-Star, mas nem tão conhecida como se imaginava. Em um local até então inexplorado, foi feita a descoberta do século, ossos de vários hominídeos, muitos ossos. Isso foi em 2013.
Os ossos foram preservados porque estavam em uma câmara de difícil acesso, distante 90 metros da entrada da caverna, a 30 metros de profundidade, onde há total escuridão.
Imagine o que passa na cabeça de um paleoantropólogo, quando descobre 1.550 ossos de uma vez só, de vários indivíduos do que parecia ser uma nova espécie do gênero homo. Logo depois que os fósseis são encontrados é inevitável acabar viajando na maionese, defendendo hipóteses algumas vezes complicadas de comprovar que são verdadeiras (ou que são falsas).
No entanto, já se passaram dez anos da descoberta. Houve tempo para esclarecer um bocado de coisas.
Se você gosta de mistérios envolvendo as origens do homo sapiens, se tem vontade de conhecer como é o trabalho de encontrar e analisar fósseis, este vídeo é para você. Todos os ingredientes de uma descoberta fantástica estão presentes no Homem de Naledi, uma aventura que poderia render um filme de Indiana Jones. Olha ele aí.
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Neste canal, você vai saber tudo, as respostas disponíveis para as principais perguntas: Qual a idade dos fósseis? Seriam inteligentes a ponto de usar o fogo para iluminar o caminho na caverna escura, mesmo com cérebro pequeno? Como os ossos foram parar lá no fundo da caverna? Houve enterros? O que diz o DNA do Homo Naledi?
Por que a descoberta desafia crenças sobre a evolução?
A câmara onde foram encontrados os fósseis era de difícil acesso, e bota difícil nisso. Tinha passagens estreitas, com 20 cm, que só pessoas magras conseguem atravessar. Como já disse, a câmara fica a 90 metros da entrada da caverna e a 30 metros de profundidade. Não há luz.
E o que foi encontrado de mais espantoso foram indícios de que esta câmara foi utilizada para enterrar os mortos. Só que, para levar os mortos até esta câmara, seria necessário usar o fogo para iluminar o caminho.
A crença estabelecida entre os paleontólogos é a de que cuidados funerais são recentes, além de privativos do homo sapiens – os vestígios mais antigos datando ao redor de cem mil anos. Por isso, há resistência em aceitar essa prática em que uma criatura com cérebro do tamanho do de australopitecos, que viveram há 1, 2, ou 3 milhões de anos.
O fogo é diferente. Embora não haja vestígios inequívocos pra lá de 400 mil anos, os especialistas acreditam que foi usado por hominídeos, como o Homo Erectus, que viveu há 2 milhões de anos e foi extinto há 100 ou 200 mil anos, tendo convivido com o homo sapiens.
Quando viveu o Naledi? Na época em que foi descoberto, não se tinha ideia – a especulação era a de que teria 3 milhões de anos. Nesse caso, a tese dos funerais seria dureza de acreditar, porque não há vestígios de funerais de quaisquer hominídeos que viveram há mais de de 100 mil anos, seja qual for o tamanho do cérebro.
Se o Naledi fosse recente, menos de 300 mil anos, haveria dois abalos nas crenças dos paleontólogos – primeiro, por ser o único homo de cérebro pequeno ainda não extinto; o segundo abalo seria na crença de que cérebro grande é o que nos fez humanos.
A Netflix produziu um excelente documentário sobre a descoberta do Homo Naledi. Documentário de julho deste ano, 94 minutos. Recomendo assistir.
Ó, só mais uma coisa. Os paleantropólogos não são amistosos uns com os outros. Eles quebram o pau, cada qual defendendo sua viagem na maionese baseada nos achados. Na continuação deste vídeo que vou postar em breve neste canal, você vai você vai ver essas controvérsias e como Lee Berger defendeu seus argumentos e suas hipóteses. Verá também o resultado da datação dos fósseis e o exame de DNA dos ossos.
Fique agora com o trailer do documentário da Netflix. O original tem dois minutos, eu encurtei para um minuto.