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Bola Preta – A solução do Cazaquistão para o Brasil se livrar da polarização

– Você que só reclama, mas não faz nada pela democracia. Você que está aí sentado só olhando Zapzap. Olha pra cá. É você mesmo. Você está cansado desses políticos que aparecem de 4 em 4 anos, dizendo que são defensores das mulheres, dos índios, dos negros, dos LGBT, mas nunca falam em te defender dos banqueiros? Dos juros abusivos que eles cobram de você? Está cansado desses políticos amiguinhos dos oligarcas, que fazem tudo por eles, mas nada por você?

Seus problemas acabaram. As Organizações Tabajara têm a solução definitiva para te livrar desses políticos malas que você REJEITA, que você não aceita que possam ser candidatos a qualquer coisa. Com o exclusivo carimbo carimbator Bola Preta das Organizações Tabajara, você finalmente vai ter o direito de se livrar deles, democraticamente!

Na América Latina a qualidade dos políticos é sofrível. Há países que nunca tiveram um presidente sequer que reunisse os requisitos morais ou intelectuais para ocupar o cargo. Sem parâmetros adequados de comparação, o povo acaba ficando igual ao povo da caverna de Platão, na escuridão, vendo sombras passando, presidentes passando, e comparando umas sombras com as outras, idolatrando sombras.

Nos tempos modernos do século XXI, a caverna de Platão é o celular, uma máquina de produzir sombras do mundo real, de produzir mitos, eu disse mitos, de produzir altas doses de certezas que detonam o senso crítico. As pessoas escolhem as certezas que preferem acreditar indo na onda do grupo, de quem enviou o zapzap. O grupo pouco se importa em avaliar o que está enviando ou recebendo. Tudo zumbi. Os políticos se aproveitam desses tempos de zumbilândia. São raros os que não viraram zumbis e conservaram a capacidade e de perceber a realidade – e mais: de ter interesse na verdade, eu disse interesse na verdade.

Culpar fake news é bobagem. As pessoas não se importam se é fake news, desde que a fake news esteja alinhada com o pensamento do grupo. As pessoas querem mesmo é viajar na maionese. Propagar o que desejam que seja verdade. Não importa se é ou não. Ninguém liga mais para a verdade.

– Ah, Marco Polo, mas isso não tem jeito não, isso aqui sempre foi assim. Você só fica criticando, não apresenta solução.

Ah, é? Então vou apresentar a solução tabajara que encontrei sabe como? Pesquisando para produzir a série de vídeos sobre o Cazaquistão.

Na eleição de 2022, a cédula eleitoral do Cazaquistão continha uma novidade inédita, uma opção para permitir ao eleitor manifestar sua insatisfação contra os candidatos disponíveis para votar – era a alternativa “votar contra todos”, que é muito diferente de voto nulo ou voto em branco, usados no Brasil por quem não está nem aí para as eleições.

O voto “contra todos” é um voto de rejeição do eleitor contra todos os candidatos, revelando que não aceita nenhum dos candidatos indicados pelos partidos, demonstrando sua insatisfação com as regras da democracia.

No Cazaquistão, o que aconteceu? Houve 70% de comparecimento às urnas. O presidente Tokayev recebeu 81% dos votos. O segundo lugar na eleição ficou com 3,4% dos votos. O voto contra todos ficou com 5,8% e atendeu à finalidade pretendida, que era a de mostrar aos observadores internacionais o tamanho da insatisfação do povo contra o sistema. No Brasil, isso não é suficiente. Vou explicar como é que tem que fazer.

Em 2022, o Brasil chegou às raias do absurdo eleitoral. Dois candidatos polarizados no segundo turno, ambos, com mais de 50% de rejeição. O ódio produziu sabe o quê? A divisão dos votos entre eles, produzindo um placar de 51 x 49 no segundo turno, ao invés da eliminação de ambos, que era o desejado pela maioria da população.

O desejo democrático apontado pelas pesquisas era votar sabem em quem, no nenhum. Mas o ódio é o maior guia, o motor do cidadão viajante da maionese, que é sabe quantos? 100% da população. O ódio é o motor do voto. O ódio empurra você para votar no outro, não importa se o outro é outra porcaria.

Por aqui, os partidos políticos não estão cumprindo sua função principal, que é indicar candidatos que preencham os requisitos para ocupar cargos públicos. Não deveriam indicar analfabetos funcionais, gente que não lê nem jornal. Não deveriam indicar quem é ladrão, nem muito menos quem é muito ladrão condenado pela justiça. Não deveriam indicar candidatos com evidentes problemas cognitivos. Mentirosos contumazes também não. Mas… Os partidos não estão nem aí. Eles querem é poder. Enrolar você com sombras.

O sistema tem que mudar. Se não vai mudar de uma vez, precisa ao menos oferecer ao povo uma forma de se defender dos partidos que fazem essas coisas com você. Uma forma de punir o partido. A urna eletrônica tem que ter opções para o voto de rejeição, para o eleitor indicar os candidatos que ele rejeita, que não aceita de forma alguma. Os mais rejeitados têm que ir para a lata de lixo. É a regra da bola preta. Levou bola preta, não pode assumir cargo nenhum.

Se essa regra estivesse em vigor, Bolsonaro e Lula teriam levado bola preta. Segundo as pesquisas, a vontade da maioria era carimbar bola preta nos dois. Sabendo que isso vai acontecer, os partidos nem os teriam indicado para concorrer. Deputado e Senador, um monte de parlamentares eleitos, seriam reprovados pela bola preta.

Deputado Federal consegue se eleger facilmente com 0,5% dos votos em São Paulo e Rio de Janeiro. Basta ele defender qualquer pauta absurda, contrária à vontade de 99% da população. Boa parte dos deputados eleitos é de espertos que apelaram para conquistar o voto desse meio por cento de gente sem noção. Se você acha que democracia é o regime da maioria, está viajando na maionese. Na Câmara, democracia é o paraíso daqueles espertos que fazem campanha para ter o voto de meio por cento dos eleitores.

Bola preta neles. Bola preta é a solução que o Brasil precisa para não ter que aturar os rejeitados. Eu apresentei o projeto Bola Preta ao Senado Federal, a um setor que recebe ideias, que promete encaminhar a uma comissão que analisa e pode decidir transformar a ideia em projeto de lei. Porém, a ideia precisa conquistar o apoio de 20 mil internautas, que precisam cadastrar seu email no Senado para apoiar. O prazo para obter esses 20 mil apoios à Bola Preta vai até 15 de novembro deste ano. Dia da República.

– Ah, Marco Polo, eu acho que você está viajando na maionese.

É claro que estou viajando na maionese. Muito difícil obter esses 20 mil apoios e, mesmo que obtenha, é quase impossível este projeto andar no Senado Federal, que eu conheço bem. Só viajante da maionese como eu é quem perde tempo tentando fazer algo para consertar esse nosso país, que não merece os políticos que tem. Mas… se mesmo assim você quiser apoiar a ideia, vá conhecer o site do canal www.maioneses.com onde aparece em destaque à direita um link da Campanha Bola Preta que vai te direcionar para a página do site do senado onde poderá apoiar a ideia da Bola Preta.

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